Jornal dos Desportos

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Girabola

Sambilas e Militares aquecem a ronda inaugural

Betumeleano Ferro - 20 de Junho, 2019

FAF realizou ontem o sorteio da XLII Edio do Campeonato Nacional da I Diviso

Fotografia: DR

O Girabola ZAP 2019/2020 vai ao encontro da tradição, com dois jogos que vão permitir,  Luanda e Benguela olhar com saudades para o passado. Progresso Sambizanga - 1º de Agosto e 1º de Maio de Benguela - Académica do Lobito, são sempre jogos cheios de aliciantes.
O sorteio de ontem ditou um começo em grande, para a quadragésima segunda edição do campeonato angolano, que em princípio vai iniciar a 16 de Agosto. Desde os finais da década de 70, quando iniciaram talvez o primeiro dérbi suculento do país independente, que sambilas e militares mexeram sempre com as emoções dos adeptos das duas equipas.
A ambição do penta vai ser uma das notas dominantes dos tetra campeões. A ditadura militar está a chegar e bastar para bater todos os seus recordes no campeonato, motivo porque os adeptos da também denominada nação rubro-negra, estão na expectativa de ver que a estreia seja o ponto de partida, para a sua inédita quinta conquista consecutiva, o que iria igualar o recorde do Petro.
Se o alvo do 1º de Agosto é a conquista do quinto campeonato consecutivo, meta mais modesta tem o Progresso. A época ainda está longe do tiro de largada, mas os mesmos velhos problemas, que desde o passado impediram a equipa do Sambizanga de ser progresso, parecem querer regressar.
Sem o técnico Hélder Teixeira, assinou pelo Caála, os sambilas ainda têm no seu plantel a mesma juventude irreverente disposta a mostrar serviço, para tornar possível uma temporada tranquila e imune aos problemas, como sucedeu na época 2018/2019.
A província de Benguela é pequena demais, para suportar a rivalidade entre Benguela e Lobito, mas as glórias do passado do 1º de Maio, por Angola afora, fazem com que os proletários tenham mais adeptos dentro e fora da chamada terra das Acácias Rubras. Por mais que os estudantes estejam competitivos nas últimas edições do campeonato, o contraste actual de modo alguma apaga a rica história, que o adversário ainda detém.
O foco da primeira jornada vai estar nos dois derbies, mas nos remanescentes jogos também há coisas interessantes. O Petro de Luanda vai ao Lubango reencontrar o Benfica, onde nas últimas épocas os tricolores não conseguem ganhar na cidade do Cristo Rei.
O Desportivo da Huíla ficou sem bolsos, para saborear nas afrotaças, os lucros da boa temporada no campeonato 2018/2019. Mas fica claro que os militares da Região Sul entram no Girabola forçados a provar, que também tiveram mérito nas coisas boas que fizeram. A recepção ao FC Bravos do Maquis é o melhor que poderia acontecer, já que as duas equipas têm apostado para serem tido e achados nas decisões do campeonato, por isso, é legítimo esperar uma disputa renhida pelos pontos.
Sem o Kabuscorp do Palanca, é compreensível que outras equipas como o Sagrada Esperança e o Interclube de Angola estejam de olhos no lugar vago dos palanquinos. Mesmo que a direcção dos diamantíferos e polícias escondam a candidatura na gaveta, é ponto assente, que qualquer uma delas vai tentar fazer pela vida, para terminar nos lugares cimeiros.
Ainda é uma questão de tempo, mas há todos os motivos para esperar que o Sporting de Cabinda e o Recreativo do Libolo apareçam de cara lavada no próximo campeonato. Mais do que o duelo inaugural que vão protagonizar, as duas equipas vão ver nisso uma oportunidade de ouro, para provarem que o passado ficou para trás.
O Clube Recreativo da Caála parece querer provar que é uma equipa de novas oportunidades, como fica evidente pelo regresso do técnico Hélder Teixeira. Mais maduro e experiente, o treinador angolano já sabe com quantos paus se faz a canoa para permanecer no emprego. É por esta e outras razões, que a estreia extramuros com o Santa Rita de Cássia é muito mais do que um jogo para pontuar. Para os católicos, o pontito faz parte da soma para a manutenção.
O grito de socorro proveniente dos carris, ainda é insuficiente para colocar dúvidas na competência do Ferrovia do Huambo, uma equipa com tradição no Girabola da era colonial, último campeão nacional no tempo da outra senhora, 1974. Os locomotivas aparentam ter perdido poder financeiro, uma boa nova para o Cuando Cubango FC, que tem a missão de baptizar o primodivisionário na elite do nosso futebol.