Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Sambilas travam militares

Paulo Caculo - 18 de Setembro, 2017

Rubro-negros amealham trs pontos e assumem liderana do campeonato nacional

Fotografia: VIGAS DA PURIFICAO| Edies Novembro

A história do jogo entre sambilas e militares resume-se a um jogo demasiado táctico, aberto, equilibrado e com predominância para o equilíbrio. O resultado, esse (0-0), ajusta-se perfeitamente ao labor patenteado pelas duas equipas ao cabo do tempo regulamentar.Esperava-se muito mais deste confronto, aliás, não fosse o derbi luandense um dos mais antigos da capital do País. A perspectiva de um duelo interessante, frenético e com desfecho imprevisível, esteve muito longe de outros tempos, cujos artistas eram capazes de acrescentar arte e engenho ao espectáculo.

Longe das jogadas envolventes e dos lances de cortar a respiração, ambos os conjuntos deram a imagem de terem entrado para o relvado com a lição muito bem estudada. Fruto disso é que durante os primeiros 45 minutos o jogo esteve bastante dividido, quer na posse de bola, como na disposição de ocasiões de golo.

Mas, diga-se, ainda nesse aspecto, que pertenceu ao Progresso, aos cinco minutos, a única grande ocasião de golo iminente. Na jogada, o remate colocado de Yano provocou a sensação de entrar na baliza de Cabaça. Foi, aliás, o sinal evidente de que os sambilas estavam dispostos a discutir o jogo pelo jogo.

A despeito de não ter sido uma partida emotiva, a altura do histórico do confronto, houve períodos de futebol interessante, sobretudo quando envolvidos nas jogadas estivessem Diogo, Bua e Macaia, pelo 1º de Agosto, e Fofó, Yano e Bruno, pelo Progresso. Era, irremediavelmente, pelos pés destes "mágicos" e "construtores" que o caudal ofensivo de ambos os conjuntos ganhava força para escorrer em zonas nevrálgicas da área contrária.

Os sambilas, muito bem arrumados no seu meio-campo, nem por isso revelavam dificuldades em descobrir as principais vias de acesso à baliza dos militares, onde, diga-se, em amor a verdade, Bobó e Sargento desempenhavam com brio a missão de "guarda de honra" a Yano.Os militares, pressionados pelo triunfo do crónico rival na véspera, mostravam-se pouco clarividentes no ataque, onde nem Buá e muito menos Macaia conseguiam desenvencilhar-se da grande "teia de aranha" montada pelos sambilas no seu eixo defensivo.

Era, sobretudo, no meio-campo, onde tudo acontecia. A árdua luta travada no "cérebro" do relvado, traduzia uma disputa campal, com ambos os conjuntos às vezes a recorrerem ao futebol musculado, na tentativa de ganharem vantagem pela posse do esférico.A verdade é que dada a grande velocidade que ganhava a partida, a caminho do final, a expectativa era a de que o golo podia surgir a qualquer momento e, quiçá, em qualquer uma das balizas. Inconformado com o nulo persistente no marcador, Dragan Jovic esgotou todas as substituições, mas nem por isso encontrou soluções para chegar ao golo, embora tivesse conseguido acrescentar maior pendor atacante às suas jogadas.

OPINIÕES
Progresso
IDiogo Pedro "Dione"     


“Criámos oportunidades”
"Durante a semana sabíamos que teríamos dificuldades em função do que o nosso adversário tem feito no campeonato. Criamos algumas oportunidades de golo e vamos continuar a trabalhar. Pensamos que todos os jogadores fazem faltava e o Vá não foge regra. Mas o Progresso do Sambizanga tem o plantel vasto e todos cumpriram com o seu dever. Não tivemos uma estratégia defensiva, mas  procuramos anular as principais unidades do 1º de Agosto. ”

1º de Agosto
Ivo Traça
“Jogo para esquecer”

“Sabíamos que seria difícil e falamos que cada jogo nosso, seria uma final. O Progresso sabe jogar a bola e tem bons executantes, mas temos de esquecer este jogo e levantar a cabeça. Jogámos bem, mas houve períodos que podíamos circular muito melhor a bola. Mas futebol é assim e isso acontece. Vamos esquecer e corrigir tudo aquilo que não esteve bem aqui. Gostaríamos de ter todos os jogadores, mas mesmo assim todos estiveram bem”.

ARBITRAGEM
Trabalho regular

O trio de arbitragem encabeçado por António Dungula fez um trabalho digno de realce, quer no capítulo disciplinar, como na vertente técnica. O juiz da partida e os seus auxiliares estiveram à altura do espectáculo, contribuindo para a qualidade do jogo. Os dois cartões amarelos admoestados ao Progresso não merecem qualquer contestação.

A FIGURA
Titi foi elástico

Num jogo em que o resultado foi nulo e que quase tudo redundou em fracasso, não se pode deixar de destacar o protagonismo dos guarda-redes, que estiveram em grande plano ao anularem todas as iniciativas dos ataques. E, nesse, particular, o principal mérito deve ser atribuído ao keeper do Progresso do Sambizanga, sobretudo pela forma como afastou da baliza todas as bolas que selo de golo. Titi foi, seguramente, a grande figura de jogo, quanto a nós, porque esteve em grande ao fechar todas as vias de acesso às suas redes. Boa exibição!