Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Santa Rita considera arbitragem onorosa

Augusto Panzo - 26 de Março, 2017

Direcção da formação do Uíge considera o campeonato nacional uma prova com custos muito altos

Fotografia: Santos Pedro/Edições Novembro

\"Realmente o Girabola é uma prova muito cara. Exige muitos gastos num país que é muito caro e o desporto no geral, em particular o futebol e não dá nenhum retorno aos cofres dos clubes\", começou por referir o responsável máximo da formação uigense.

\"As despesas para com as arbitragens são muito onerosas nos moldes actuais. Pagar 758 mil kwanzas por cada jogo feito na condição de anfitrião, contra os 450 ou 500 mil kwanzas que se pagava no formato anterior, é muito caro. Acredito que só os clubes como o 1º de Agosto, Interclube ou Petro de Luanda têm capacidade para isso\", revelou.

Em função dessa constatação, defende a realização de uma assembleia extraordinária da FAF para se fazer uma rápida revisão deste formato e evitar que aconteçam situações que em nada dignifica a competição.

\"Acho que podemos revogar isso através de uma assembleia extraordinária ao invés de se esperar por uma ordinária, que não se sabe quando é que pode ser efectuada, porque acredito que a maioria dos clubes está a ressentir\", afirmou.

Ainda assim, diz que apesar dessas dificuldades o clube tem sabido ultrapassar esses empecilhos, pois, a gestão levada a cabo pela direcção de que é responsável máximo, difere muito dos outros clubes da província e que antecederam o conjunto do Santa Rita no Girabola.

\"Temos estado a aguentar mesmo assim, porque a nossa direcção tem uma forma de trabalhar muito diferente daquela que era feita pelos clubes que nos antecederam. Temos feito uma gestão muito cuidada, de maneira que não possamos provocar despesas superiores às nossas capacidades\", ressaltou.

\"Somos contra os intrusos\"
O JD apurou a existência de algumas quezílias entre a direcção do Santa Rita e certos elementos que intitulam-se como representantes de atletas e exigem contra partidas pelo factos dos jogadores estarem a representar o clube.

O presidente do Santa Rita de Cássia, Nzolani Pedro, confirmou a existência desses supostos empresários e apresentou o seu ponto de vista em relação o que tem acontecido em alguns clubes do campeonato nacional. 

\"Em princípio, em Angola não existem empresários de jogadores. O que há aqui é a existência de intermediários, que gostam de aproveitar-se dos contratos dos jogadores. Querem levar 15 a 20 porcento dos valores contratuais dos atletas e fazem outras exigências relativas aos direitos dos jogadores. Isso sim é o que temos cá no país\", reagiu.

Quanto ao assunto fundamental, assegurou que se isso ocorrer no seu clube a direcção vai tomar as medidas que se impõem para banirem tal comportamento, pois, mancham a imagem dos atletas e das agremiações desportivas de um modo geral.

\"Nós queremos evitar isso. Não queremos intromissões no nosso trabalho. Se porventura notarmos que há tendências para isso no nosso clube, nós, direcção não vamos admitir. Vamos tomar as medidas que se impõem sobre esse assunto\", rematou Nzolani Pedro.

A equipa do Santa Rita de Cássia FC do Uíge é um grémio desportivo adstrito ao santuário do mesmo nome, ligado à Igreja Católica na região cafeícola do Uíge, e participa pela primeira vez no Girabola, em função da sua condição de campeão nacional da Segunda Divisão.


AVALIAÇÃO
“Queríamos ter mais pontos”


A equipa do Santa Rita de Cássia FC do Uíge em sete jornadas disputadas no Girabola Zap 2017, conseguiu amealhar seis pontos, o que lhe coloca na décima-segunda posição da tabela classificativa.

A sua pontuação resulta de uma vitória diante do Progresso da Lunda Sul, três empates frente ao ASA, Kabuscorp do Palanca e Recreativo da Caála, respectivamente e igual número de derrotas com o Recreativo do Libolo, Interclube e JGM do Huambo, por coincidência uma sequência de desaires.

Com vista à salvaguarda dos objectivos traçados pela sua direcção, que se traduzem na manutenção na Primeira Divisão, Nzolani Pedro diz que queria uma pontuação melhor que a actual.
 
"Queríamos ter mais pontos que os seis que temos agora, mas não conseguimos. Infelizmente, somos uma equipa nova no campeonato com cerca de noventa porcento de jogadores novos no plantel e a maioria está a participar pela primeira vez num Girabola", lamentou o dirigente do clube das terras do bago vermelho.

Recordou que já viveu um exemplo amargo com a equipa do União do Uíge, quando esteve no campeonato nacional e augurava conseguir maior número de pontos possíveis na primeira volta para encarar o segundo turno com maior tranquilidade.

"Confesso que queríamos ter mais pontos do que temos agora, porque já tivemos essa situação com o União Sport Clube do Uíge na sua estreia nesta competição", lamentou o dirigente alertando para a necessidade de inverterem o quadro.

"Procurámos ter melhor pontuação na primeira volta para encarar a segunda com maior tranquilidade, mas acabámos traídos pela nossa produtividade e ao fim das contas tivemos que descer de divisão", recordou o presidente do Santa Rita.
                                                   

OITAVA JORNADA
Mudança no Maquis
desperta o Desportivo


O defesa central e capitão do Desportivo da Huíla, Chiwe, considerou que as modificações ocorridas na equipa técnica do FC Bravos do Maquis, com a entrada de Zeca Amaral como técnico principal, aumenta o nível de dificuldades esperado para o desafio no próximo domingo, no Estádio do Ferroviário, no Lubango, para a oitava jornada.

Indicado para conferência de imprensa realizada ontem de  manhã, na sala de imprensa do estádio da Senhora do Monte, no Lubango, após sessão de treino, o atleta reconheceu qualidades ímpares ao novo treinador do Maquis. Disse ser um técnico matreiro, que sabe montar bem as suas equipas.

“A mudança da equipa técnica vai obrigar maior empenho dos atletas do Maquis para provarem o seu valor ao novo técnico, o que vai se tornar em dificuldades para nós. Penso que será assim. Conhecemos bem o novo treinador, é matreiro e monta bem as suas equipas. Esses factores nos deixam a pensar que vamos ter dificuldades adicionadas em nossa casa”, frisou o atleta.

Descontraído e alegre durante o encontro com os jornalistas, Chiwe frisou que após a pausa de alguns dias concedida aos atletas pela equipa técnica, o grupo regressou apostado em trabalhar com empenho e dedicação, facto que ficou patente durante as duas horas do treino efectuado no relvado da Nossa Senhora do Monte.

“Apesar da pausa, já começamos a treinar na terça-feira a pensar já no jogo contra o Maquis. Vamos entrar na segunda-feira começando já com o ciclo específico de preparação para o jogo. O nosso dia-a-dia tem sido bom. Regressamos com vontade de trabalhar com mais dedicação e entrega. Temos de trabalhar no duro essa semana, como temos feito todos os dias”, relatou.

A equipa observa hoje, (domingo), pausa total e regressa ao trabalho amanhã, (segunda-feira). Depois de algum trabalho de recuperação e rememoração, em função da pausa, o técnico Mário Soares vai incidir, o trabalho nos aspectos específicos da preparação do desafio de recepção ao Maquis.O sector defensivo que tem se revelado “instável”, a semelhança dos quatro golos no jogo diante do 1º de Maio, para a jornada anterior, vai merecer a atenção redobrada da equipa técnica que deverá efectuar correcções e procurar consolidar os processos defensivos da equipa.                                   Benigno Narciso