Jornal dos Desportos

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Girabola

Santa Rita em maus lenis

Augusto Panzo - 02 de Junho, 2017

Avanado nigeriano Dennis um dos jogadores que abandonou a formao uigense que compete no Campeonato Nacional da Primeira Diviso

Fotografia: Paulo Mulaza | Edies Novembro

Os atletas estrangeiros contratados pelo Santa Rita de Cássia FC abandonaram a equipa de um tempo a esta parte, por discordância com a direcção do clube, devido a algumas questões de âmbito administrativo, soube o Jornal dos Desportos, de uma fonte do grémio uigense. Trata-se do guarda-redes Kingsley Kissi, os médios Thomas e Chidi Brigth e os avançados Dennis e Leandro.

O afastamento dos jogadores do núcleo da equipa começou a partir do jogo com o 1º de Maio, em Benguela, altura em que os mesmos fizeram finca-pé, e não participaram nos treinos de preparação que antecederam ao desafio em causa.

"Os jogadores estrangeiros da equipa do Santa Rita de Cássia já não treinam há muito tempo, e muito menos falar-se em jogar. Eles abandonaram praticamente o grupo. Tudo começou em Benguela, aquando do jogo com o 1º de Maio local. Lá, eles fizeram finca-pé e não aceitaram nem treinar, nem jogar", disse a fonte.

A falta de pagamento dos salários está na base da decisão, mas segundo a fonte, a direcção fez um ligeiro esforço e conseguiu ressarcir dois (Fevereiro e Março) dos três meses que tinham em atraso, à razão de três mil dólares para cada um deles.

"Eles estavam a reclamar os seus salários em atraso. A direcção fez os possíveis e conseguiu pagar três meses para cada um deles, na ordem dos três mil dólares norte-americanos para cada um", acrescentou a fonte.

Não obstante isso, a fonte assegurou ser ponto assente de que dos cinco estrangeiros que vinham jogando no plantel da equipa do Uíge, apenas um ou dois vão sobrar, pois o resto vai ser dispensado.

"Ainda assim, fala-se de que dos cinco ou seis jogadores estrangeiros que existem no clube, só dois poderão ficar no plantel nessa segunda fase de inscrições. O resto vai ser dispensado, pois, a situação está ao extremo", assegurou.

O grupo de jogadores estrangeiros que está vinculado ao Santa Rita de Cássia FC é composto pelo guarda-redes Kingsley Kissi, os médios Thomas e Chidi Brigth e os avançados Dennis e Leandro.

A fonte acrescentou ainda que, provavelmente o guarda-redes Kissy e o atacante Dennis, estão sob a alçada de dois clubes grandes da capital, mas tendo em conta a respectiva prestação ao serviço do Santa Rita de Cássia, isso pode tornar-se numa grande batalha administrativa entre o clube do Uíge e os pretendentes.


REGRESSO AO TRABALHO
Presidente do clube Nzolani Pedro confirma “finca-pé”


O presidente do Santa Rita de Cássia FC do Uíge, Nzolani Pedro, confirmou o facto dos jogadores estrangeiros estarem a mostrar certa resistência no que diz respeito aos treinos, bem como a intenção de alguns deles representarem outros emblemas nacionais.

"É verdade que os jogadores estrangeiros têm vindo a mostrar alguma resistência em treinar com o resto do grupo. A situação já se arrasta desde há mês e meio ou mais. Tudo começou na altura do jogo com o 1º de Maio de Benguela. Eles recusaram-se a treinar, e como tal não podiam ser alinhados para o jogo", esclareceu Nzolani Pedro.
Em contacto ontem com o Jornal dos Desportos, o dirigente da formação do santuário do Uíge revelou ainda que um dos jogadores em causa, o ganês Kingsley Kissi , encontra-se no seu país de origem, onde foi resolver certos pendentes administrativos.

"Neste momento o guarda-redes Kingsley Kiss está no Ghana onde foi resolver alguns pendentes pessoais. Mas apesar desse pequeno imbróglio, ele e os seus companheiros ainda são jogadores do Santa Rita, na medida em que têm os contratos válidos com o nosso clube", ressaltou.

Nzolani Pedro realçou a necessidade de assegurar a continuidade do guarda-redes Kissi e do atacante Dennis, mas admite a hipótese de "soltar" os outros três ou quatro jogadores para os clubes que estejam interessados.

"Só queremos ficar com o guarda-redes Kissi e o ponta-de-lança Dennis. Estes interessam-nos até ao fim deste campeonato. Quanto aos outros, estamos a ponderar a possibilidade de dispensá-los", acrescentou, para além de revelar que o Kissi e o Dennis têm sido objecto de cobiça por alguns clubes da capital.

Indagado quanto à veracidade de pagamento dos salários ao grupo de atletas em causa, Nzolani Pedro confirmou o facto e adiantou que neste capítulo nada mais falta.

"Pagámos os seus salários. Cada um deles recebeu os seus ordenados que estavam em atraso, e que faziam com que eles não treinassem. Demos a cada um deles três meses de salário, à razão de três mil dólares norte-americanos", confessou.
AP