Jornal dos Desportos

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Girabola

Situao no Porcelana chegou ao extremo

Isidoro Natalcio-NDalatando - 31 de Maio, 2016

Porcelana FC do Cazengo desiste do Campeonato Nacional por dificuldades financeiras

Fotografia: Jornal dos Desportos

A presidente da Mesa da Assembleia Geral do Porcelana FC do Cazengo, Joana Lina, cuja equipa principal de futebol desistiu no domingo do Girabola Zap 2016, disse que a província do Cuanza Norte carece de um empresariado forte para acudir às necessidades da agremiação.

“Desde Dezembro que trabalhamos para conseguir manter a equipa com o mínimo de estabilidade,  mas dói-nos muito ter de dizer que não conseguimos, porque o Porcelana não tem nenhum patrocinador oficial. Como devem imaginar é extremamente difícil manter a equipa assim”, disse.

Realçou aquando do apuramento para o Girabola reflectiu-se sobre os prós e contra da participação no campeonato da primeira divisão, pois estavam conscientes das dificuldades face à falta de um patrocinador seguro.

Acrescentou que receberam promessas e embora com receios, o clube avançou na esperança de que o quadro melhorasse, com salvaguarda dos ganhos que obtivessem para a província, com um representante na prova máxima do futebol nacional.

“Temos compromissos com grupo de pessoas, atletas e técnicos e estes também têm compromisso com outras pessoas, os seus familiares, assim achamos que não vale a pena  alimentar falsas esperanças”, rematou.

No dizer da presidente da mesa da Assembleia Geral do Porcelana, atingiu-se a uma fase insustentável, a julgar com a ausência de três meses de salários (cerca de 31 milhões e 500 mil Kwanzas), um prémio de jogo (vitória fora a equipa recebe dois milhões e 800 mil e em casa dois milhões e 500 mil Kz) e emolumentos por  pagar à FAF.
A comunicação da desistência do Porcelana FC do Cazengo no Girabola Zap 2016, bem como na Taça de Angola, aconteceu no domingo, numa conferência de imprensa em N'dalatando, após derrota de 1-4 diante do Recreativo do Libolo, jogo válido para a 14ª jornada.

“A direcção do Porcelana, depois muita ponderação, de uma conversa muita séria com a equipa técnica e com os atletas, comunica a opinião nacional que o Porcelana FC não está neste momento em condições de continuar a participar no Girabola Zap”, sublinhou.

REACÇÕES
Crise podia
ser atenuada


O anúncio da desistência do Porcelana FC do Girabola Zap, por razões financeira, está a gerar as mais diversas reacções em Ndalatando, quer na perspectiva de lamentação, como de crítica à atitude da direcção do clube.

O adepto Jorge Miguel, por exemplo, defende que o clube chegou ao colapso porque ignorou o recurso a outras formas de angariamento de receitas, como a mobilização dos trabalhadores da função pública e agricultores. Disse que o Governo provincial devia  se engajar-se na sensibilização dos funcionários para cada um converter-se em sócio, pagava a módica quantia de mil Kwanzas.

“ Era importante transformar o Porcelana num património da província. Assim, no universo de oito mil funcionários, em condições normais, seriam arrecadados oito milhões Kwanzas por mês”, disse.

O clube de Ndalatando, em termos de salário, tinha necessidade de dez milhões e 500 mil por mês. Os atletas e técnicos faziam as refeições num restaurante, se cada prato custar mil e 800 Kwanzas, precisavam de cerca de três milhões e meio para suportar as despesas. Jorge Miguel considera um erro de gestão a ausência de refeitório, factor imprescindível para a redução das despesas.

Acrescenta que os agricultores, devidamente motivados, podiam patrocinar frutas, cereais e hortaliças para a cozinha da equipa. Maria Pedro, por seu turno, nota que o Porcelana sempre careceu de uma estratégia de marketing que visasse o angariamento de patrocinadores e sócios.

“Nos momentos áureos, o clube não comprou imóveis para arrendar, nem criou outro tipo de riquezas, a única coisa que tem é um autocarro”, disse.
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