Jornal dos Desportos

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Girabola

Temos Girabola

Matias Adriano - 10 de Fevereiro, 2017

Campeonato arranca hoje com nove províncias representadas na competição

Fotografia: Jornal dos Desportos

A bola volta a rolar hoje, no Campeonato Nacional de futebol da primeira divisão, o nosso apetecido Girabola, como ficou baptizado desde a primeira edição por conta e risco de Rui Óscar de Carvalho, in memórian. Sacode-se o sedentarismo e parte-se à conquista das maiores emoções capazes de proporcionar aos homens, este desporto de massas.

Há uma pergunta, quase recorrente, em todos os inícios de campeonato. Quantas, das 18 províncias do nosso esquema geográfico, estão presentes na competição. É que na verdade, longe do espírito que norteou a realização da primeira edição, assistimos a um campeonato muito centralizado.

De resto, de uma ou outra vez, a competição chegou a envolver dez províncias. Em regra, são oito ou nove,  que em termos matemáticos representa metade do país. O resto, intervém na prova não de forma activa, na mera condição de observador, sem qualquer representatividade.

Em resumo, pode dizer-se que até hoje, quase 40 anos depois, só tivemos um campeonato de expressão nacional, no verdadeiro sentido da palavra.
Foi em 1979, sob o lema “Girabola Factor de Unidade Nacional”, que tivemos as 17 províncias, na época o Bengo não existia como tal. A bola rolou pelo país inteiro. Depois, a adopção do actual figurino, tudo mudou.

Quanto ao Girabola que hoje dá o pontapé de saída, temos nove províncias a competir. Portanto, metade do país. Mesmo assim, demo-nos  por felizes, porque edições já houve disputadas por oito províncias. Não tivessem o Porcelana do Cuanza Norte e o 4 de Abril do Cuando Cubango descido de divisão, tinhamos onze, o que já era um recorde.

Cuando Cubango, Cabinda, Malanje, Cuanza Norte, Namibe, Bengo, Zaire, Bié e Cunene estão fora da prova. Aliás, esta última, desde a primeira edição em 1979, que não voltou a pisar os grandes palcos do futebol. Apenas ficaram lembranças do Desportivo de Xangongo. Quem se lembra?

Seja como for, não perde a prova o seu estatuto nacional. Mas gostavamos que tivesse mais representatividade. A ausência, quase eterna, do Cunene, penaliza as suas populações. As gentes de Xangongo, Ombadja, Ondjiva e de outras localidades da província, bem que gostavam de viver o Girabola de perto. Claro está que a televisão de bandeira, faz lá chegar os jogos, mas ainda assim, não é a mesma coisa.

Entretanto, este quadro geográfico de Luanda, continua a ditar as regras. Ou seja, continua a ter mais representatividade. Mesmo com a inesperada desistência do Benfica, tem seis equipas, nomeadamente, 1 de Agosto, Petro de Luanda, ASA, Interclube, Kabuscorp do Palanca e Progresso do Sambizanga, o que representa 40 por cento.  Mesmo assim, reconheça-se já houve alguma evolução, já tivemos edições em que a capital do país esteve representada em 50 por cento.

Haja crença, que um dia quando o país se refazer das teias da recessão económica, e de outros clichés conjunturais, possamos ter um Girabola mais nacional, em que mais províncias tenham participação. Por enquanto, este é o quadro geográfico possível. Vamos ao trumuno…


RANKING
Petro lidera lista
de clubes campeões

Com 15 títulos conquistados, o Petro de Luanda é o campeão dos campeões do Girabola Zap, seguido do 1º de Agosto, detentor do troféu com 10 realizações conseguidas. O Recreativo do Libolo regista quatro, o Atlético Sport Aviação (ASA) tem três triunfos, o 1º de Maio de Benguela e o Interclube têm dois cada, já o Sagrada Esperança e o Kabuscorp do Palanca, ostentam um título, são as  equipas que fazem parte do restrito número de oito formações que já venceram o Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão. Relação de vencedores das 38 edições:


ANO CLUBE
1979 1º de Agosto
1980 1º de Agosto
1981 1º de Agosto
1982 Petro de Luanda
1983 1º de Maio
1984 Petro de Luanda
1985 1º de Maio
1986 Petro de Luanda
1987 Petro de Luanda
1988 Petro de Luanda
1989 Petro de Luanda
1990 Petro de Luanda
1991 1º de Agosto
1992 1º de Agosto
1993 Petro de Luanda
1994 Petro de Luanda
1995 Petro de Luanda
1996 1º de Agosto
1997 Petro de Luanda
1998 1º de Agosto
1999 1º de Agosto
2000 Petro de Luanda
2001 Petro de Luanda
2002 Atlético Sport Aviação
2003 Atlético Sport Aviação
2004 Atlético Sport Aviação
2005 Sagrada Esperança
2006 1º de Agosto
2007 Interclube
2008 Petro de Luanda
2009 Petro de Luanda
2010 Interclube
2011 Recreativo do Libolo
2012 Recreativo do Libolo
2013 Kabuscorp do Palanca
2014 Recreativo do Libolo
2015 Recreativo do Libolo
2016 1º de Agosto
2017-?


SEM PAPEL E SEM GELSON
Campeonato “órfão” de estrelas


As últimas seis épocas do Girabola tiveram estrelas de dimensão mundial. O brasileiro Rivaldo, campeão do Mundo e melhor jogador FIFA de 1999, é um dos grandes exemplos. Chegado a Angola pela mão de Bento Kangamba, que trouxe igualmente Trésor Mputu Mabi, Issama Mpeko, Daniel Mpele Mpele, entre outros, aquela época dourada quase que terminou. Ou seja, hoje, praticamente, não temos craques a brilhar nos relvados nacionais.

As saídas do avançado Gelson, e do extremo Ary Papel, transferidos para o Sporting de Portugal, deixaram mais "órfão", de estrelas, o Girabola Zap.
Os dois activos com que o 1º de Agosto contou na época anterior, vão proporcionar saudades e empobrecer a competição interna, em termos de espectacularidade, qualidade de execução e emotividade.

Neste particular, com que estrelas vai "jogar" o Girabola Zap 2017? Convenhamos, que não abundam muitas, aliás, faz tempo que referências  de peso não existem no nosso campeonato. Ainda assim, se ontem, o estatuto de estrelas da companhia militar era conferido à dupla Ary Papel/Gelson, hoje, pelas suas características e pela irreverência que demonstram, Buá e Geraldo podem ser os “substitutos legais” dos agora sportinguistas.

O brasileiro Tiago Azulão, do Petro de Luanda, que ao meio da época passada ofuscou tudo e todos, é uma "peça" a ter em conta, no restrito grupo dos que podem brilhar no campeonato, embora, o experiente Job pode ressurgir igualmente, bem como Rubinho, e Tony, contratados este ano ao Brasil, de quem os adeptos tricolores e do futebol aguardam os seus desempenhos.

O Recreativo do Libolo, apesar do seu jogo basear-se muito num colectivismo expressivo, Sidney é sem dúvidas a estrela do conjunto, embora, com acérrima concorrência de Dário, Carlitos, Landu, Wires e Nandinho. Mesmo assim, o cabo-verdiano Sidney acaba por ter pontos acima, pela forma como lidera os processos dentro do campo, e a maneira de elaborar as jogadas com passes certeiros. Entretanto, é bom que  se tenha em conta, que o jovem Higino que veio da Académica do Lobito, pode  entrar no leque de concorrentes à cintilação.

No Progresso do Sambizanga, Yano é sem dúvidas a figura de cartaz, enquanto no Interclube  destaca-se Paty, como a principal estrela, convenhamos os seus desempenhos têm mais visibilidade, devido a influência que demonstram na desenvoltura das suas respectivas equipas.

O regresso de Love Cabungula ao ASA, pode capitalizar atenções, mesmo sendo um jogador no declinar da valiosa carreira. O seu carácter humildade, simpatia, e a forma de ser e de estar no futebol, conferem-lhe à partida um “estatuto”.

Os mundialistas  Zé Kalanga e Maurito, ambos do primodivisionário Santa Rita de Cássia FC, apesar da idade, são igualmente referências.                     MORAIS CANÂMUA


ESTREANTES
Santa Rita de Cássia e JGM chegam com certo alarido


O Santa Rita de Cássia FC do Uíge e o JGM Académica do Huambo são os novos rebentos do campeonato angolano. As duas caras novas chegaram com comportamentos diferentes, enquanto a equipa do Uíge se esforça em dar mostras de grandeza, contratou um treinador estrangeiro, no planalto central o grande ruído é provocado por Agostinho Tramagal, treinador com um vasto passado no Girabola.

As duas equipas chegaram ao campeonato com a mesma ambição, mas como há uma diferença enorme entre falar e fazer, as jornadas vão se encarregar de julgar a personalidade competitiva dos estreantes. O Santa Rita de Cássia aparenta ter um plantel recheado, mas Agostinho Tramagal já nos habituou a fazer muito com planteis modestos.

O Santa Rita de Cássia ou vai ser uma bênção ou uma maldição na boca dos adversários, os investimentos feitos pela sua direcção clarificam o que se pretende de imediato. A manutenção é um bom começo para a equipa do Uíge, mas é importante que Sérgio Traguil consiga apressar os passos dos seus jogadores, a luta pela permanência costuma aquecer na parte final do campeonato, o que significa que alguém tem deixado para mais tarde o que deveria fazer mais cedo.

A direcção do JGM tem demonstrado ser humilde na maneira como calcula os custos, antes de decidir atingir um objectivo. Com passos lentos e firmes a equipa do Huambo chegou ao Girabola Zap, conquistar o campeonato não está no pensamento de ninguém, pelo que todo o esforço vai ser na manutenção, o que vier depois vai ser lucro.

O técnico Agostinho Tramagal andou várias épocas fora do Girabola Zap, num passado recente o treinador era cogitado como dos mais promissores da sua geração, porém nunca deu o tal salto que se esperava. As portas não se abriram no momento certo, mas tem agora nova oportunidade de começar a escrever uma nova etapa da sua carreira.

O JGM é a única equipa do campeonato sem um nome sonante, excepto o do seu treinador, esta é uma vantagem que pode ser bem aproveitada pelos seus jogadores. Muitos deles antes sonhavam com o Girabola ZAP, agora que a realidade virou 30 jornadas, cada um deles tem a grande chance de se mostrar na maior montra do desporto angolana.  O campeonato nacional é uma prova onde, também, de facto, têm acontecido muitas surpresas.
Equipas rotuladas de pequena monta têrm sido “tomba gigantes”.
BF


ABERTURA NO 4 DE JANEIRO
Libolenses baptizam uigens
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O Recreativo do Libolo vai esta tarde ao Uíge com um duplo objectivo, baptizar no estádio 4 de Janeiro o Santa Rita de Cássia no Girabola Zap, e, provar o seu favoritismo com a conquista dos 3 pontos. A dupla missão dos libolenses é difícil porque o adversário é desconhecido, uma contrariedade que não pode servir de desculpa para quem fez do título a sua meta primária.

A exibição libolense na abertura da época deu verdadeiros e falsos pontos de referência ao Santa Rita de Cássia, o que até certo ponto acaba por aliviar um pouco a pressão da equipa do Cuanza Sul. O adversário desta tarde não tem os mesmos recursos do 1º de Agosto, pelo que os libolenses podem começar a mostrar o peito com a conquista dos primeiros pontos no campeonato.

Os libolenses vão tentar evitar cometer o mesmo erro da Supertaça, se entrarem competitivos vão ser mais bem sucedidos em impedir que os uigenses assumam o controlo do jogo. A estratégia do tetracampeão deve ter como prioridade ditar os ritmos em campo, alcançar este desiderato pode condicionar os donos de casa.

O Santa Rita de Cássia tem alguns bons executantes no seu plantel, mas o fulgor da idade viril passou com o tempo e retirou a alguns deles a capacidade explosiva, que dificultava a marcação dos seus adversários. Mas como antiguidade às vezes é um posto, é possível que sejam os veteranos como o mundialista Zé Kalanga a servir de inspiração para os mais novos. Um empate seria um bom resultado para os entusiastas adeptos da equipa local, afinal é sempre bom não perder contra o clube que nos últimos anos, tem dominado o futebol angolano. Se aparecer uma oportunidade de facturar 3 pontos, seguramente que o Santa Rita de Cássia não a vai desperdiçar, pois vai precisar deles para as contas finais da manutenção, objectivo imediato. Curiosamente, as duas equipas mudaram de treinadores mas até neste particular o Libolo leva uma grande vantagem, Vaz Pinto é mobília antiga do Girabola Zap, enquanto Sérgio Traguil cumpre sua época de estreia. Os dois técnicos lançaram novos alicerces para construir novos planteis, mas é ponto assente que quem tem mais qualidade à sua disposição, como sucede com Vaz Pinto, tem sempre mais facilidade de atingir os seus objectivos.

O jogo de estreia do Girabola vai colocar em campo duas equipas com ambições diferentes, o Libolo não tem como rejeitar ser o favorito, o Santa Rita até dispensa o estatuto que está a ser justamente atribuído ao adversário, mas vai fazer pela vida para que a população do Uíge volte a se sentir atraído ao 4 de Janeiro, como sucedeu por exemplo em 2014 quando o União esteve no Girabola.     
BF


Pedro espreita a estreia no tricolor

A provável presença entre os titulares, do médio Pedro, 16 anos, deve representar a principal novidade no "onze" de estreia do Petro de Luanda, no Girabola Zap 2017, amanhã, diante do Progresso do Sambizanga, referente à 1ª jornada.

O jovem, promovido esta época à equipa principal dos tricolores, deixou boas referências no estágio realizado em Benguela,  pode ser das opções iniciais do técnico Beto Bianchi, na recepção aos sambilas.

O conjunto efectua esta manhã, às 9h00, a última sessão de treinos. Depois do treino de ontem, que serviu, seguramente, para o treinador proceder a acertos na estratégia, o ensaio de hoje pode ser para a correcção dos últimos detalhes.

Constam também das novidades dos titulares do Petro, as possíveis integrações dos reforços brasileiros, Rubinho e Tony, este último,  autor de um dos golos da vitória da equipa no jogo de apresentação do plantel, frente ao Desportivo da Huíla.

É pouco provável, que o técnico hispano -brasileiro efectue muitas alterações à equipa -base que evoluiu durante a época futebolística de 2016. Ou seja, o excelente rendimento espelhado pelo grupo, responsável pelo segundo lugar alcançado no Girabola passado, deixou impressões de que a equipa pode fazer muito mais.

Na baliza, Gerson mantém-se "intocável". Élio, Abdull, Ari e Wilson podem constituir o quarteto defensivo, ao passo que partem em vantagem de preencher o meio -campo, os atletas, Herenilson, Manguxi, Job e Rubinho. O ataque pode ser composto pela dupla Tiago Azulão e Tony.
No final da sessão de treinos desta manhã, Beto Bianchi fala aos jornalistas em conferência de imprensa, de antevisão ao jogo com o Progresso.
PAULO CACULO