Jornal dos Desportos

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Girabola

Transferncias e renovaes marcam defesa

Paulo Caculo - 01 de Dezembro, 2016

Campeonato Nacional observa três meses de paragem para preparação para nova época

Fotografia: José soares

O Girabola Zap vive as primeiras semanas do defeso, de cerca de três meses, rodeado de alguma expectativa em relação à habitual \"dança\" de transferências de jogadores. O regresso da maior competição futebolística do país acontece em Fevereiro de 2017, com a habitual disputa da Supertaça, prova de abertura oficial da época. À semelhança do que acontece todos os anos, no final de cada época, as atenções passaram a centrar-se nos projectos de renovação das equipas.

A movimentação de treinadores e jogadores de uma para outra equipa, persiste em relação à principal atracção dos aficionados da modalidade. Se por um lado, clubes há que preferem apostar no reforço da equipa técnica, outros decidem investir na contratação de novos jogadores e equipa técnica, numa clara demonstração de renovação do plantel. Em suma, todos perseguem o mesmo propósito: criar bases para a materialização dos respectivos objectivos.

A componente financeira, como é óbvio, pode influenciar o volume de investimentos pretendido e traduzir o nível de ambição de cada clube. Os mais modestos perseguem, naturalmente, patamares moderados, enquanto os conhecidos “papões” ou habituais candidatos ao título mostram-se dispostos a gastar cada vez mais, movidos da necessidade “imperiosa” de justificarem os estatutos.

MEXIDAS
Reside nos clubes, a principal atenção dos adeptos.


O interesse de ficar a saber-se com que “armas” ou argumentos vão munir-se as equipas, como 1º de Agosto, Petro de Luanda, Recreativo do Libolo, Kabuscorp e Interclube para o Girabola de 2017 continua a alimentar o subconsciente dos aficionados do futebol nacional. O Progresso do Sambizanga decidiu prescindir do técnico Albano César e aposta no brasileiro Roberto do Carmo \"Robertinho\", ex-técnico do ASA. No mesmo diapasão alinhou o Libolo, que está no mercado à procura de um novo treinador, consumada que está a saída do português João Paulo Costa.

O 1º de Agosto aposta pela manutenção do treinador, Dragan Jovic, mas adivinha-se a chegada de novos reforços para colmatar as saídas de Ary Papel e Gelson. No Petro as previsões apontam para a chegada de mais dois reforços brasileiros, que se juntam a cinco ou seis talentos provenientes dos escalões de formação do clube.

O Kabuscorp aposta seriamente na conservação da estrutura óssea, embora, não esteja colocada de parte a possibilidade de reforçar o plantel com quatro ou cinco jogadores congoleses democráticos. O Interclube deve prescindir do técnico sérvio Zdravsko Lugarosic,  para o seu lugar entra um treinador português, cujo nome ainda se desconhece. 

De resto, os jogadores entram de férias absolutas a partir de hoje, consumada que está a primeira edição da Taça Independência, prova organizada por clubes baseados em Luanda, em alusão ao 11 de Novembro, Dia da Independência Nacional.

TREINADORES
Angolanos dominam as escolhas


Os técnicos nacionais dominam a preferência dos clubes do Girabola. Ao contrário de um passado recente em que a aposta dos clubes quase sempre recaía em treinadores estrangeiros, a nova realidade demonstra um quadro inverso, a favor dos angolanos. Os técnicos nacionais a evoluírem no Girabola Zap perfazem 80 por cento, facto que deixa perceber cada vez mais a aposta na “prata da casa”.

A alimentar a preferência dos clubes, por treinadores nacionais, está o facto da maioria  cultivar o hábito da constante superação profissional no exterior do país. Como prova disso, durante o Girabola de 2016, clubes como Kabuscorp, ASA, Progresso do Sambizanga, Benfica de Luanda, Progresso da Lunda Sul, Sagrada Esperança, Académica do Lobito, 1º de Maio de Benguela, Recreativo da Caála, 4 de Abril do Cuando Cubango, Porcelana e Desportivo da Huíla foram todos orientados por treinadores angolanos.

Por outro lado, uma minoria representada pelo 1º de Agosto, Interclube, Recreativo do Libolo e Petro tiveram no comando das suas equipas profissionais expatriados, facto que ajuda a perceber a preferência dos clubes por treinadores nacionais.
PC

TAÇA  INDEPENDÊNCIA
Filipe Nzanza “observou” bons valores


A equipa do 1º de Agosto disputou a Taça da Independência encontra-se já em gozo de férias, depois da quarta posição na competição, cujo balanço é considerado pela equipa técnica como positivo, dado que a meta principal era observar os jogadores menos utilizados no Girabola Zap 2016, e outros vindos do escalão de formação, que podem ser potenciais integrantes do plantel para 2017. Para a prova em referência, o comando do conjunto militar esteve entregue ao técnico -adjunto

Filipe Nzanza fez uma mescla de atletas experientes da equipa principal, com os menos experientes da equipa B, e dos juniores. Os agostinos alcaçaram dois empates, duas derrotas e apenas uma vitória em cinco jogos, marcaram seis golos e sofreram cinco, saldo positivo de mais um.

Apesar de entrarem para a competição com o estatuto de Campeão Nacional da Primeira Divisão, sabia-se de antemão que o objectivo era "rodar" outros jogadores, pois os principais artífices da conquista do 10º título dos rubro-negros não participaram da competição. O objectivo, segundo a equipa técnica, foi cumprido, porque vários jogadores mostraram as suas qualidades, nomeadamente, Gui, Bruno, Luís, Gugú, Cláudio, Bruno Raul, Gria, Bravo e Cely.
JN

KABUSCORP  DO PALANCA
Plantel conserva núcleo duro

A direcção do Kabuscorp Sport Clube do Palanca  traçou o perfil para a próxima temporada futebolística. Segundo avança a agremiação encabeçada por Bento Kangamba, na sua página oficial no Facebook, a conservação do núcleo duro do plantel e dos jogadores fundamentais que evoluíram durante o recém-terminado campeonato, representa o objectivo para a época de 2017.

Apesar de não descartar a possibilidade de reforçar o plantel com quatro ou cinco jogadores estrangeiros, maioritariamente proveniente da RDC e do Ghana, a equipa do Kabuscorp prevê conservar no plantel a mesma "estrutura óssea", de forma a permitir que não seja quebrado o estilo da equipa. Apenas, o médio Mano consta da lista de dispensados, por não corresponder às expectativas da direcção e da equipa técnica.

De acordo ainda com o clube do Palanca, a equipa vai ser reforçada com alguns jogadores dos escalões de formação, à semelhança do que acontece em todas as épocas. A pré-época da equipa vai realizar-se em Portugal ou na África do Sul, em Janeiro, nessa altura, com o plantel completo, incluindo os novos rostos do plantel da época 2017.

De recordar que o Kabuscorp encerrou o Girabola Zap'2016 na quinta posição, com 46 pontos, fruto de 13 vitórias, sete empates dez derrotas, 30 golos marcados e 24 sofridos. O Kabuscorp do Palanca estreia-se no Girabola Zap do próximo ano, diante da Académica do Lobito, em Benguela. PC

RECTA FINAL
Campeão repete calendário difícil


O calendário do campeão nacional, 1º de Agosto, para o Girabola de 2017 vai ser complicado na recta final, tal como aconteceu neste ano, alterna apenas o adversário inicial, o estreante JGM do Huambo e termina por defrontar o Kabuscorp do Palanca, na prova em que o objectivo principal é a revalidação do título.

Apesar de mudar a ordem dos adversários no sorteio realizado na terça-feira, que teve lugar na sede da Federação Angolana de Futebol (FAF), com o início do campeonato marcado para o dia 11 de Fevereiro, a atitude vai ser a mesma no momento de encarar os opositores, ou seja, "autênticas finais", como referiu na ocasião o director geral do clube, Fernando Barbosa "Barbosinha".

Este ano o conjunto militar abriu a competição em casa do Benfica de Luanda (vitória por 2-0), no Estádio dos Coqueiros, e encerrou no reduto do Petro de Luanda (derrota por 1-0), no Estádio 11 de Novembro, por sinal, também o seu "quartel general". À semelhança do ocorrido no recém-terminado campeonato, vai ser na parte final quando defrontam os adversários mais difíceis, a começar pelo rival Petro de Luanda, na 9ª jornada. Daí para frente, mede forças com formações da capital do país, excepto na visita da 13ª ao Progresso da Lunda Sul, quarto classificado do Girabola Zap 2016.

Na 10ª ronda recebe o Progresso do Sambizanga e na 11ª desloca-se à Vila de Calulo para o clássico com o Recreativo do Libolo. Os militares recebem o Interclube na 12ª jornada, depois o ASA na 14ª, curiosamente repetem o dérbi na mesma ronda deste ano, para fechar no reduto do Kabuscorp na 15ª ronda.

Em relação aos primeiros jogos, o campeão nacional defronta o Recreativo da Caála, no Huambo, na 2ª jornada, e na 3ª  é recebido pelo Benfica de Luanda. Como aconteceu em 2016, os militares jogam com a Académica do Lobito na 4ª ronda, mas desta vez em Luanda. Na 5ª jornada viajam ao Lubango para enfrentar o Desportivo da Huíla, depois os agostinos recebem o "regressado" FC Bravos do Maquis na 6ª jornada, para rumar ao Dundo na 7ª ronda ao encontro do Sagrada Esperança da Lunda Norte e são anfitriões na 8ª jornada frente ao Santa Rita do Uíge.
JORGE NETO