Jornal dos Desportos

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Girabola

"Treinador ficou sem o comando"

Benigno Narcisco, no Lubango - 07 de Março, 2019

Carlos Manuel, que falava aos jornalistas na sede do clube afecto Regio Militar Sul

Fotografia: Jornal dos Desportos

O director-geral do Clube Desportivo da Huíla (CDH), Carlos Manuel, qualificou ontem no Lubango, em conferência de imprensa, de \"acto menos abonatório\" para o futebol nacional, o jogo passivo adoptado por alguns atletas da equipa para alegadamente beneficiar o 1º de Agosto, no jogo disputado no domingo, no estádio do Ferroviário, válido para a 17ª jornada do Girabola Zap 2018/2019.
Carlos Manuel, que falava aos jornalistas na sede do clube afecto à Região Militar Sul, para emitir a posição oficial da direcção a volta do caso, confessou que tal como os amantes do futebol que testemunharam as o jogo, a direcção do clube está igualmente perplexa e sente que o treinador \"perdeu o comando da equipa\".
“Estimados jornalistas, caros adeptos, amantes do futebol, o Clube Desportivo da Huíla vem junto de vós, expressar as nossas desculpas por aquilo que foi considerado de um ato menos abonatório para o futebol nacional.
Nós, direcção do Desportivo da Huíla, tal e qual vós que acompanharam o jogo, estamos perplexos”, expressou.
O dirigente adiantou que a direcção do clube abriu de imediato um inquérito que decorre junto da equipa técnica e atletas para tentar apurar as possíveis causas que estiveram na base do ocorrido e que a seu tempo um pronunciamento final sobre o resultado e responsabilizações será emitido.
“Está a decorrer já um inquérito para apurarmos as causas que estiveram na base do ocorrido e a seu tempo nos pronunciaremos sobre o assunto”, disse.
A fonte adiantou que a direcção do Desportivo da Huíla sentiu-se espantada com os pronunciamentos do técnico Mário Soares, que visivelmente revoltado com a postura passiva de alguns atletas no decair do jogo, atitude que permitiu ao adversário marcar os dois golos que possibilitaram a igualdade a três bolas, quando faltavam 13 minutos do final do encontro, assegurou que iria solicitar a realização de um inquérito para apurar as causas da atitude de algumas unidades em campo.
Referiu que a denúncia do treinador indicia que o mesmo perdeu o comando da equipa, o que é sinónimo de que algo não está bem no seio do plantel.
“Consideramos que esse jogo, o qual internamente iremos abordar com profundidade sobre o que se está a passar, pois nos sentimos também espantados com os pronunciamentos do treinador, o que é sinónimo de que o mesmo ficou sem o comando”, considerou.
Carlos Manuel disse que “quando isso acontece alguma coisa muito séria terá estar a acontecer no grupo” e que em função disso “não tenho como pronunciar com profundidade sobre o ocorrido porque está a decorrer um inquérito”.

PRESIDENTE  DA  APF  HUÍLA
Gonçalves critica analistas desportivos 

O presidente da Associação Provincial de Futebol da Huíla (APFH), João Gonçalves, repudiou os analistas desportivos que defenderam em programas televisivos e radiofónicos, haver favoritismo do Desportivo da Huíla relativamente ao 1º de Agosto, no desafio a contar para a 17ª jornada do Girabola Zap 2018/2019, que se disputou no domingo, no Estádio do Ferroviário, no Lubango.
O responsável máximo da APF local, órgão ao qual o Desportivo da Huíla está filiado, declarou não perceber as posições e afirmações, que apontam à premeditação e combinação, porquanto entende não haver meios que justifiquem tais declarações, que considera infundadas por falta de provas.
O antigo árbitro internacional e actual comissário da Federação Angolana de Futebol (FAF), qualificou os referidos comentaristas desportivos, sem citar nomes, “maus elementos que só sabem criar negativismo e suspeitas sobre os outros”.
“Que me desculpem os analistas que fizeram esse tipo de análise, nos programas desportivos de televisão e da rádio. Não sei, como afirmam existir  conluio, não têm como provar. Isso, é colocar mal o 1º de Agosto e o Desportivo, dadas as relações que existem entre ambos. Só maus elementos, que só sabem criar negativismo e suspeitas sobre os outros, é que podem alegar favoritismo”, considerou.
João Gonçalves reforçou, que acompanhou os treinos da semana que antecedeu o jogo, manteve contacto com os membros da direcção do clube huílano e com a equipa técnica em conversas normais e ficou patente que a ambição era de vencer.
“Esta era a ambição. Conseguir três pontos, para manter o nível de classificação em que o Desportivo se encontra. Não vejo por que algumas pessoas duvidam do treinador e da direcção do nosso filiado, porque não me parece que seja a realidade”, defendeu.
João Gonçalves assegura, qualificar como um mau hino ao futebol, o jogo entre o Desportivo e o 1º de Agosto, é injusto. Para o dirigente, as alegadas consequências ou medidas cogitadas por algumas vozes, que alegadamente possam decorrer da possibilidade das imagens chegarem à Confederação Africana de Futebol (CAF) e à Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), são insustentáveis.
O presidente da Associação da Huíla disse ser normal e recorrente no futebol, uma equipa estar em vantagem em três ou quatro golos, e surgir uma quebra física e mental na maioria ou em alguns jogadores, e o aparentemente inesperado acontecer.
“Também foi um mau hino, a nossa selecção nacional estar a vencer o Mali, em 2010, na abertura do CAN, por 4-0, acabar por empatar por 4 - 4, nos últimos minutos do jogo! Aí, também houve um mau hino? Por que é que temos que tirar agora a ilação em relação ao Desportivo. Isso, é normal e acontece no futebol”, comparou.