Jornal dos Desportos

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Girabola

Tricolores crucificam católicos

Paulo Caculo - 30 de Outubro, 2017

Petro o domínio territorial da partida

Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Quatro bons golos e uma exibição convincente coroaram a vitória do Petro de Luanda, ontem, no estádio 11 de Novembro, diante do Santa Rita de Cássia, em desafio referente à décima primeira jornada do Girabola Zap. O resultado, esse (4-2), ajusta-se, perfeitamente ao labor patenteado pelas equipas nos 90 minutos.

Embalado pela necessidade imperiosa de vencer, para acalentar as esperanças na liderança, não tardou para que os tricolores  tomassem as rédeas do jogo e assumissem o domínio territorial da partida. E, perante um conjunto adversário que entrou adormecido, o Petro nem por isso precisou de acelerar bastante para adiantar-se no marcador.

A equipa do Uíge teve bons quinze minutos, tendo deixado nesse período a imagem de uma equipa organizada, a trocar bem a bola e a criar jogadas de perigo, que pudessem provocar calafrios a baliza de Nuno. Pese a vontade e querer de mandar no jogo, faltava quase sempre calma, eficácia e serenidade ao ataque do Santa Rita para concluir com êxito as jogadas.

Dada a postura descomplexada, chegou-se a acreditar que o Santa Rita fosse chegar ao golo. Mas, debalde. Pertenceu quase sempre ao Petro o domínio territorial da partida, com o tridente formado por Tony, Job e Nandinho a deixar a defesa adversária à toa e incapaz de reagir às adversidades. Dada a grande dinâmica imposta ao seu futebol, os tricolores chegaram ao primeiro golo, com naturalidade, por intermédio de Tony, numa jogada de belo efeito e de perfeita execução.

A vencer por 1-0, dir-se-ia que os tricolores \"estancaram a hemorragia\" que se fazia sentir no meio-campo adversário e tomaram de assalto à baliza contrária. Mas, nem por isso o Santa Rita abanou, tendo conseguido chegar ao empate ainda antes do intervalo, num grande golo de Simao, na cobrança de um livre.

A alegria do Santa Rita durou demasiado pouco, porque não tardou para que o Petro voltasse a estar em vantagem. Job viria a marcar na sequência da cobrança de pênalti.

A segunda parte foi muito mais interessante. O Petro manteve o domínio do jogo, embora os católicos apresentaram-se atrevidos nesse período e mais incômodos a criar situações ofensivas. Mas o ataque do Petro continuou a revelar maior eficácia, de tal forma que Tony voltou a marcar, bisando na partida, numa destas jogadas de pressão alta junto à área do Santa Rita.

Tal como se esperava, após o golo o conjunto do Uíge passou a imagem de ter acreditado no empate, pois tal era a postura  ofensiva adoptada, mas voltou a ser o Petro a dilatar a vantagem novamente por intermédio de Tony.

O jogo ganhou ainda maior interesse e dinâmica e passou a ser numa toada constante de ora atacas tu, ora ataco eu, que o desafio provocava enorme emoção e entusiasmo nas bancadas.

À medida que o jogo embalava para o desfecho, muito mais frenético se tornava, com os tricolores a disporem das melhores ocasiões e os \"católicos\" a ripostarem. Estava o Santa Rita muito próximo do golo, quando o Petro numa jogada de insistência e persistência chega ao quarto golo, por Tiago Azulão, que entrara na segunda parte, a render Nandinho.

Com nove minutos para jogar, a formação do Uíge pareceu ter  mais pernas para igualar os números, mas ainda foi capaz de reduzir a desvantagem, na sequência do bis de Simão, a quatro minutos do desfecho da partida.

Apesar de nunca ter baixado os braços e ter corrido atrás de mais golos, os jogadores do Santa Rita foram incapazes de redescobrir o caminho do golo.

A FIGURA
Grande Tony

Em meio a uma exibição colectiva que se deve enaltecer, mesmo não tendo sido de encher os olhos, há que destacar o mérito de Tony. O médio brasileiro esteve implacável na missão de espevitar o ataque e todas as jogadas direccionadas para a baliza contrária. Os dois golos rubricados  servem de prémio ao excelente labor patenteado em campo, mas sobretudo a enorme eficácia e relação íntima com espelhada com as balizas adversárias.

Nejó
Jaime de Sousa
lamenta sorte tricolor

O treinador-adjunto do Petro de Luanda, Jaime de Sousa e Silva, lamentou, ontem a pouca sorte do Petro de Luanda, sobretudo pela h a desvantagem de pontos que a sua equipa regista em relação ao já campeão do Girabola2017, 1º de Agosto, mesmo vencendo esta tarde o Santa Rita de Cássia do Uige, por 4-2, em jogo da 29ª jornada.

Falando à imprensa, no final da partida realizada no estádio 11 de Novembro, o técnico explicou que o grupo sempre trabalhou para assumir o pódio do nacional da primeira divisão,  mas, fruto de algumas quedas,  acabou em desvantagem de pontos em relação aos militares  que revalidaram o título mercê da vitória sobre o ASA, por 1-0.

Entretanto, felicitou os campeões antecipados que totalizaram 65 pontos, mais três que os tricolores e afirmou  que a equipa vai se empenhar a “todo o custo” para chegar a final da taça de Angola e arrebatar o troféu.

ARBITRAGEM
Trabalho razoável


A actuação de Bernardo Silva e seus auxiliares pode ser considerada como tendo sido razoável, na medida em que não teve grandes motivos para grandes alaridos. No capítulo disciplinar, a nota é positiva, na medida em que puniu severamente e como exigem as leis todas as jogadas protagonizadas à margem das regras.