Jornal dos Desportos

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Girabola

Tricolores obrigados a vencer

Betumeleano Ferro - 27 de Maio, 2015

Tricolores obrigados a vencer hoje para fazerem as pazes com os seus adeptos

Fotografia: Jornal de Desportos

O Petro de Luanda tem esta tarde uma oportunidade, para acertar o passo no campeonato, quando defrontar no 11 de Novembro o Progresso da Lunda Sul, jogo em atraso referente à quinta jornada. Os tricolores estão muito intermitentes e sob  pressão dos maus resultados, enquanto o Progresso continua de jornada a jornada a superar todas as expectativas, é o sexto na classificação com 20 pontos.

A má fase por que passa o Petro, não é motivo para se atribuir favoritismo ao Progresso, as camisolas nunca entram em campo, é verdade, mas um campeão é sempre um campeão. A história tricolor no campeonato vai ter peso suficiente para forçar os lundas a defenderem-se com cautela, para impedir que a melhor qualidade individual e colectiva do adversário resolva o jogo num abrir e fechar de olhos.

Os tricolores têm a obrigação de vencer, todo o plantel se apercebeu que a impaciência dos adeptos também afecta no rendimento. Assim, ou a equipa ganha o Progresso e recebe o benefício da dúvida dos seus adeptos, ou cai em descrédito perante todos por empatar ou perder num momento de grande sufoco. 

A crise mora no Catetão, o plantel é formado por jogadores experientes e consagrados como Lama, Etah, Chara, Mabina e Job, só para citar esses. O bom rendimento desses atletas pode ser determinante para o desfecho do embate com o Progresso, são eles que têm a responsabilidade de serenar os ânimos dos mais novos, pouco habituados a ver tanta cobrança vinda das bancadas.

Uma vitória do Progresso, de modo algum  pode ser um resultado surpreendente em função do que temos visto no campeonato. O Petro está descalço, mas ninguém pode fechar os olhos ao desempenho dos lundas no campeonato, sobretudo contra os grandes, as imagens televisionadas do empate fora de portas com o Kabuscorp, no sábado, ajudaram a dissipar as dúvidas que o Progresso criou quando empatou em casa com o 1º de Agosto.

A equipa de Kito Ribeiro está na fase do lucro, amealhou pontos quando ninguém contava, motivo por que teve o mérito de fugir e manter-se  em segurança na classificação geral. O Progresso entra em campo sem necessidade de provar nada a ninguém, apenas precisa deixar da sua identidade em campo, como sucedeu contra o Kabuscorp, para somar e seguir em direcção aos seus objectivos.

O plantel do Progresso está recheado de jogadores com muita experiência no Girabola, muitos deles já defrontaram o Petro de Luanda em diversos momentos. Este conhecimento real do adversário vai ser fundamental para a atitude competitiva dos lundas, os “craques” do Progresso conhecem bem a qualidade que existe do outro lado, todos eles têm de aparecer em campo para evitar que os tricolores ditem as regras do jogo, sem resistência.


Sensação
Progresso da L. Sul melhor a atacar e defender


A diferença entre o Petro de Luanda e o Progresso da Lunda Sul está no número de golos marcados e sofridos até ao momento, no campeonato. O somatório destes itens ajudam a perceber por que o primodivisionário está em tudo melhor do que a equipa mais titulada do futebol angolano.

Os lundas até não costumam marcar muito, mas têm feito o básico para estarem folgados e sem preocupações, porque marcaram 14 golos em 12 jogos, mas conseguiram amealhar 20 pontos. A eficácia do ataque lunda está a ser determinante para o rótulo de equipa sensação ser-lhes atribuído .

O ataque do Progresso marca pouco, mas a sua defesa também não é de deixar os adversários marcar muitos golos. Por ora foram apenas dez consentidos, uma média muito boa para quem entrou para o campeonato a pensar na manutenção, o discurso agora até pode ser outro, mas mesmo que alguém quiser reclamar louros vai ter de dividi-los com o sector defensivo, que tem sido irrepreensível.

A crise do Petro pode ser explicada pela maneira como ataca mal e defende pior, uma equipa com o gabarito do Petro pode rejuvenescer quantas vezes quiser o  plantel, mas não pode isso servir de desculpa para marcar 12 golos e sofrer 13 em 12 jornadas.

A defesa do Petro manteve todos os activos da temporada passada, mas está longe de ser o forte pilar capaz de suportar os desfalques que o meio -campo e o ataque sofreram. A ascensão do jovem central Maludi e o repentino apagão de Abdul não podem explicar tudo, porque ninguém desaprende de um dia para outro.

A intranquilidade do último reduto tricolor está a contribuir para a alegria dos adversários, o técnico Alexandre Grasseli já retirou Lama da baliza, Vado e Abdul do eixo defensivo, mas mudanças que é bom ninguém vê, porque tardam a aparecer quando a primeira volta se encaminha para o fim.
O saldo negativo entre marcados e sofridos é só de menos um, mas a verdade está aos olhos de todos, é preciso recorrer aos arquivos para tentar descobrir a última vez que a equipa ocupou o comprometedor décimo lugar.

O ataque tricolor sofreu muito com as saídas de Flávio, Keita e Bem Traoré, e agora  fartam-se  de marcar no rival 1º de Agosto, mas nem a direcção nem o treinador podem aparecer em público a lamentar a partida do trio de atacantes acima citados, porque tiveram tempo suficiente para encontrar  alternativa a Mabululu.

Face ao produzido até aqui, não se pede outra coisa aos tricolores, senão a conquista dos três pontos, de modos a trazer a alegria aos seus adeptos, que exigem uma mudança de postura da equipa.    
BF