Jornal dos Desportos

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Girabola

Trio de comandantes cumpre tarefas com vitoria

Betumeleano Ferrão - 27 de Setembro, 2016

1º de Agosto venceu na deslocação à Huíla e depende de si para lograr objectivo traçado

Fotografia: M. Machangongo

O esperado aconteceu na Huila, os militares locais  perderam com o 1º de Agosto por 1 - 4. A hierarquia falou mais alto no jogo do 'faz de conta' e o líder nem precisou de  esforçar-se para amealhar os pontos necessários, para segurar intocável o comando do campeonato.

Os militares do rio seco venceram,  mas nem por isso se distanciaram,  tanto do Libolo como do Petro, por que ambos venceram, por 1-0, ao Progresso da Lunda Sul e ao Kabuscorp,  continuam  a três pontos de distância dos rubro -negros.

A vitória do trio da frente deixou tudo na mesma. As posições não se alteraram o que é determinante para aumentar o interesse na questão do título. A faltar 5 jornadas para o fim, é ponto assente que o Girabola Zap  está à mercê destas três equipas.

O 1º de Agosto foi à Huíla conquistar talvez os pontos mais fáceis do campeonato. A goleada de 4-1 aplicada ao Desportivo, nada teve de extraordinário, já que se sabia de antemão que no jogo entre militares,  o oficial superior tinha prioridade absoluta, como veio a acontecer.

Antes mesmo das duas equipas fardadas subirem ao Ferrovia, era consensual que a condição subalterna dos anfitriões tinha implicações no resultado final. A proibição de utilizar os jogadores oriundos do 1º de Agosto, desta vez foi levantada, mas o expressivo 3-0 na primeira parte, parece demonstrar que os donos de casa tinham de estar em sentido e em continência  para com o mais graduado, para não atrapalhar o seu passo na corrida para o título.

Os ecos do passeio do 1º de Agosto à Huíla chegou rápido a Saurimo ,  fez com que o campeão Libolo ficasse com o credo na boca, até ao apito final. Os libolenses fizeram o 1-0 na primeira parte, mas a magreza do resultado deu esperanças de recuperação ao Progresso da Lunda Sul. A equipa de Kito Ribeiro pode não ter passado das intenções na hora de empatar, mas fez o que pode para fazer sofrer o campeão.

O espírito de sacrifício dos pupilos de João Paulo Costa falou mais alto, nas Mangueiras. O Libolo foi competitivo demais, para manter o foco nos três pontos, sem se  distrair pelo passeio do comandante da prova, nas terras da Chela. A ansiedade de vencer e manter acesa a esperança de revalidação, desta vez não atrapalhou a equipa de Calulo, o importante era vencer, como reconheceu o técnico no final do jogo.

As vitórias do primeiro e segundo classificados tiveram influência decisiva no dérbi Petro de Luanda 1 - Kabuscorp 0. Os tricolores tinham de vencer para não perder o lugar no comboio do título. A formação de Beto Bianchi acusou o toque e teve dificuldades de controlar a vontade de ir ao pote, com muita sede.

Os petrolíferos em diversas ocasiões estiveram à beira de desperdiçar pontos, mas tiveram a estrelinha da sorte, porque os palanquinos tiveram tudo, para no mínimo empatar. Os atletas de Romeu Filemon queriam entrar nas contas do título, mas quando tiveram oportunidade de marcar não passaram das intenções e saíram do dérbi sem chances matemáticas de terminar em primeiro. Neste momento, têm 14 pontos de desvantagem do líder, 1º de Agosto, quando restam cinco jornadas ou 15 pontos em disputa.

O dérbi entre o terceiro e o quarto, ficou marcado pela alternância, no comando do jogo. As duas equipas guardaram o melhor para os derradeiros 45 minutos, mas dois golpes de eficácia de Tiago Azulão, fez de cabeça o golo aos 88m, e  Gelson defendeu um remate à queima -roupa de Bobó, quase em cima do apito final, foram determinantes para o Petro manter acesa a chama do título.

FUGA À DESPROMOÇÃO
Condenados continuam no corredor "da morte"


As derrotas do 1º de Maio, Académica do Lobito e Porcelana aumentaram as probabilidades das três equipas descerem de divisão. O trio de 'condenados' ainda tem mais cinco jornadas para escapar da iminente despromoção, mas aos poucos começa a ficar cada vez mais evidente que não se safa da segundona.

A matemática agora deixou de ser uma âncora segura, para o trio de aflitos,  doravante  precisa que o azar faça descer o ASA, Desportivo da Huíla e o 4 de Abril, em princípio, as únicas equipas que o trio de baixo  ainda pode ultrapassar.

Curiosamente, na próxima jornada dos proletários, os estudantes e o conjunto do Cuanza Norte podem ter a derradeira oportunidade de manter viva a esperança da manutenção. O 1º de Maio recebe o líder 1º de Agosto, enquanto Porcelana e Académica medem forças entre si. Os resultados dos dois jogos podem ser decisivos para aumentar ou diminuir as chances de sobrevivência dos três últimos classificados.

A equipa do Lobito foi a grande decepção no campeonato dos aflitos. Os estudantes voltaram a ser mandriões e desperdiçaram uma soberana oportunidade de chegar aos 24 pontos. A equipa de Chiby é capaz de não voltar a beneficiar de tantos ventos favoráveis, até ao fim da prova. Quando esteve a ganhar, por 1-0, a meio da etapa complementar deram-se ao luxo de desperdiçar um penálti,  que agigantou o adversário.

E, como um azar nunca vem só, nem  a vantagem numérica deu força para prevalecerem diante do Sagrada Esperança. Os lobitangas estiveram bem até ao minuto 68, quando os diamantíferos empataram. Depois de 1-1, o lado emocional condicionou o desfecho da partida, os donos da casa cairam por completo no Buraco, e os forasteiros fizeram 2-1.

A derrota da Académica aumentou o receio dos benguelenses, de verem a província  sem Girabola em 2017, porque o histórico 1º de Maio também perdeu na jornada, 1-0 com o Benfica de Luanda. Os proletários deram um passo atrás, e nem mesmo a proximidade com o Desportivo que tem mais três pontos de vantagem, serve de consolo para uma das equipas que já foi o cartão postal do futebol angolano, nas décadas de 80 e 90.

O 4 de Abril está a cumprir a época de estreia na primeira divisão, mostra ter feito muito bem o trabalho de casa. A equipa do Cuando Cubango venceu o Porcelana, por 2-0, lançou mais uma mensagem directa para quem duvidava do seu potencial caseiro.