Jornal dos Desportos

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Girabola

Ttulo est prximo do 1 de Agosto

Betumeleano Ferro - 26 de Outubro, 2016

29 jornada pode determinar campeo 2016 ou retardar consagrao

Fotografia: Jornal dos Desportos

A inédita edição do Girabola ZAP tem como grande aliciante, a acesa disputa do título que envolve os eternos rivais, 1º de Agosto - Petro de Luanda.

Pela primeira na história, os “inimigos” chegam à penúltima jornada do campeonato para decidir quem ergue o troféu, os militares conservam há algum tempo uma vantagem de três pontos.

Em épocas anteriores, 1º de Agosto e Petro resolveram entre si a questão do título, mas sem o suspense que se verifica agora, porque em todos os casos, a decisão aconteceu com jornadas de antecedência.

Em 1994, o tricolor festejou na última jornada com o triunfo de 1-0, golo de Paulito, mas  o 1º de Maio de Benguela perdeu com o ASA, que ameaçava o bis do técnico Goiko Zec.

Os papéis  inverteram-se como nunca antes, os militares estão com a faca e o queijo na mão, anseiam em dar um cariz pessoal à iminente conquista de 2016. Esta consagração até pode acontecer, mas tem de ocorrer uma única conjugação de factores na próxima jornada, derrota do 1º de Agosto ante o ASA, e  vitória do Petro sobre o Benfica.

Se for este o cenário, os dois rivais chegam à derradeira jornada igualados com 63 pontos, o clássico vai ser ímpar, porque vai definir o campeão. Os tricolores por causa do “gol average” (diferença entre marcados e sofridos) são forçados a ganhar no mínimo por dois golos de vantagem, os militares podem fazer a festa com o empate ou até mesmo com uma derrota de 1-0.

Os adeptos das duas equipas continuam expectantes quanto ao título, todavia, é ponto assente que qualquer um deles gostava de esperar até à derradeira jornada, para que o clássico defina o campeão. A eterna rivalidade entre militares e tricolores dava um sabor nunca antes experimentado pelos apoiantes das únicas marcas do futebol angolano.

A antepenúltima jornada do Girabola Zap disputa-se no domingo, pode ajudar a alimentar o sonho dos adeptos das duas equipas. O 1º de Agosto defronta o aflito ASA, enquanto o Petro joga com o Benfica, dois derbies capazes de manter de pé, pelo menos por uma jornada, a hipótese do título ser decidido na derradeira ronda.

O 1º de Agosto tem nove títulos de campeão nacional,  o Petro de Luanda tem 15 títulos, tanto os militares como os tricolores cultivaram o hábito de adiantar e chegar, nunca nenhum deles permitiu uma inesperada ultrapassagem quando estivesse à beira da consagração.


NOVA  MARCA
Militares conservam liderança


A goleada de 6-1 do 1º de Agosto sobre o Interclube na última jornada do campeonato, permitiu aos militares alcançar o resultado mais desnivelado, nos confrontos directos com os polícias. Desde a década de 80, do século passado, que as duas equipas travam  grandes duelos, nunca o único dérbi fardado de Luanda esteve tão inclinado.

O 1º de Agosto saiu ao intervalo com o impensável 4-0, relaxou na segunda parte, entretanto, não permitiu que o Interclube sonhasse como aconteceu na primeira volta. Os militares também saíram aos 45 minutos iniciais com uma vantagem confortável, 3-0, no reatamento aconteceu o impensável, os polícias igualaram o jogo, sem originar muitos comentários.

A fácil vitória do 1º de Agosto sobre o Interclube  teve um outro sabor diferente, deu chances aos adeptos militares de esquecerem-se em definitivo, do drama dos Coqueiros em 1990.

A seca de títulos no campeonato era longa como agora, a equipa de Dusan Kondic encaminhava  para a consagração, porém, baqueou por 2-1, contra o aflito Interclube, num dos derbies mais emocionantes entre os dois contendores, houve de tudo, até invasão de campo para retirar da baliza dos polícias uma toalha, que os militares diziam ser feitiço, só depois de retirada à força, é que os rubro-negros marcaram.

Esta derrota levou dois anos a ser digerida pelo 1º de Agosto. Em 1992, os militares tinham o título ganho, era o segundo consecutivo na era Dusan Kondic, mas na última jornada  negaram-se a cumprir calendário contra o aflito Interclube.

O apertado 3-2 dos militares soube à vingança, porque o peso da derrota atirou os polícias para a segunda divisão, curiosamente, foi a primeira vez que o Interclube desceu de divisão.

O dilatado resultado do dérbi foi mais uma demonstração de força do 1º de Agosto, mas se a história repetir-se, então a goleada do líder pode ter interferência directa na questão do título nacional. Em 1988, o Petro de Luanda estava embalado na liderança do campeonato e aplicou 7-0 ao Interclube, até hoje, o pior placar dos polícias contra uma equipa de Luanda.
BF