Jornal dos Desportos

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Girabola

Ttulo que d gosto

Betumeleano Ferro - 03 de Setembro, 2018

Militares fizeram o primeiro tricampeonato na poca de 1981

Fotografia: Jornal dos Desportos

O 1º de Agosto igualou ontem o rival Petro de Luanda no número de tris, plural de tri, ou três conquistas consecutivas. Em toda a história do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, apenas equipas luandenses, as outras duas são o Petro de Luanda e o ASA, conseguiram três vezes seguidas o triunfo no Girabola Zap, mas é coincidente que todas as proezas dos militares foram obtidas à custa dos aviadores e tricolores.
Ao chegar ao tri-campeonato, o 1º de Agosto acabou com o que parecia uma malapata, realmente em duas ocasiões distintas na década de 90 do século passado, os militares tinham tudo para somar três triunfos seguidos no campeonato, mas acabaram por fracassar o objectivo. É também por esse detalhe, que o feito agora alcançado tem um sabor especial, além de se descolar do ASA, a equipa rubro-negra deu um passo em frente para se igualar ao Petro, o que tem sempre um cariz especial, por ser o rival dos rivais.
A história de “tris” do 1º de Agosto poderia ter iniciado em Setembro de 1979, mas a morte de Agostinho Neto atrasou o início do campeonato para Dezembro. Pela primeira vez, Angola realizava o seu campeonato e para juntar o útil ao agradável, as 24 equipas foram repartidas em 4 séries com 4 equipas cada, e o inédito como que foi o prenúncio do que iria acontecer no decorrer da competição.
Quando todas as séries concluíram os seus jogos, ficou claro que o desfecho do campeonato seria como na vida real, os opostos iriam mesmo se atrair. O 1º de Agosto passeou no grupo A e aproveitou a fraqueza dos adversários para fazer o pleno, 10 vitórias em tantos jogos, 43 golos marcados e 8 sofridos, enquanto na série D a TAAG, hoje ASA, fez 16 pontos no grupo mais equilibrado de todos, basta ver que os Diabos Verdes, hoje Sporting de Luanda, e Estrela Vermelha do Huambo, actual Benfica, terminaram ambos com 15 pontos.
Como o regulamento da competição só previa que às meias-finais deveriam ser disputadas entre os vencedores de todas as séries, o cruzamento fez com que as duas melhores equipas do campeonato, 1º de Agosto e TAAG, disputassem a final antecipada. Quem assim pensou não se enganou, pois até hoje essa meia-final ainda não terminou, embora tenha sido necessário um terceiro jogo para apurar o finalistas, nas hostes aviadores ainda há mágoa na hora de explicar o que aconteceu há décadas.
Ao estabelecer o recorde de 11-0 sobre o Desportivo de Xangongo do Cunene, foi na 7ª. jornada da série D, a TAAG tinha tudo para pôr à prova o verdadeiro poder de fogo dos militares, tanto é assim que começou a perder, Lourenço fez o 1-0, aos 20´, mas Gonçalves, aos 65´, e Chinguito, aos 85´, deixaram os aviadores a um triunfo da final.
O 1º de Agosto fez pela vida ao empatar a eliminatória com o magro golo de Barros, aos 23´. Na negra ou finalíssima, uma vez mais, os militares foram mais fortes ao voltarem a triunfar por 2-0 com golos de Amândio e Sansão.
O 1º de Agosto chegou ao derradeiro jogo de sobreaviso, ainda bem que foi assim, porque os Palancas do Huambo, que eliminou nas meias-finais o Nacional de Benguela, por 3-1, só caiu aos 85´, quando Sansão fez o 2-1, antes Ndunguidi, 1º de Agosto, e Quim, Palancas, tinham feitos os golos, deu o título aos militares liderados pelo técnico angolano Nicola Berardinelli, recentemente falecido.

ÉPOCA PASSADA
Militares mostraram força competitiva


A época passada começou melhor para os tricolores, mas com o passar das jornadas os militares se reergueram, para não se deixar intimidar por ver o rival a terminar a primeira volta no topo com o pontito de vantagem. Os rivais pareciam condenados a matar ou morrer no clássico, o 1º de Agosto venceu e ganhou uma vantagem que acabou por ser determinante. É verdade que, nas rondas seguintes, as duas equipas tiveram o comando nas mãos, porém, a separação definitiva aconteceria na 28ª, os militares arrancaram à ferros 2-1 no reduto do Progresso da Lunda Sul, enquanto na vizinha cidade do Dundo, o Petro caiu pela diferença mínima, 1-0, ante o Sagrada Esperança.
Os 3 pontos de vantagem do campeão anteciparam o esfregar de mãos, agora o título poderia até ser conquistado a uma jornada do fim diante de um adversário de boas lembranças, o ASA. O apertado 1-0 pode ter sido suado mas diluiu os 4-2 do Petro sobre o Santa Rita de Cássia, uma vez mais a revalidação aconteceu por antecedência a uma jornada do fim, o que aconteceu no fecho do campeonato, militares e tricolores perderam, é a melhor prova de que 1º de Agosto e Petro se aperceberam de quando tudo terminou.
O mesmo filme das duas temporadas anteriores foi rodado até ontem, o duelo foi aceso como sempre mas o Petro de Luanda provou que não aprendeu nada com o passado, a bem  da verdade, foi a  partir do desaire contra o 1º de Agosto, na 25ª jornada, que a esperança tricolor ficou idosa. As más lembranças fizeram o tricolor antever como as coisas iriam acontecer até ao fim, é verdade que fez tudo ao seu alcance, até beneficiou de uma ajuda inesperada do Sagrada Esperança que empatou o 1º de Agosto e adiou o tri a uma jornada do fim, mas o pontito de vantagem dava mais margem o D´Agosto em vez do Petro.
E foi o que aconteceu ontem, até o mais optimista adepto tricolor sabia que eram escassas as chances de o Cuando Cubango FC conseguir o milagre de tirar o título ao 1º de Agosto, o primodivisionário tinha de ganhar no 11 de Novembro para renovar a esperança do Petro de Luanda.
Assim como previsto os militares fizeram o histórico segundo \"tri\" da sua história, desta vez sob o comando do sérvio Zoran Maki.    

MOLDES DE DISPUTA
Mudança antecipa história da prova


A mudança nos moldes de disputa do Girabola de 1980, 14 equipas no sistema de todos contra todos a duas voltas, acabou por antecipar a história do campeonato ainda mais porque na primeira jornada o “prato quente”foi servido no TAAG 2 - 1º de Agosto 0. Os aviadores ainda não tinham se esquecido do que aconteceu meses antes, o Gira de 79 terminou no dia 23 de Março de 1980 e o de 1980 iniciou no dia 19 de Abril de 1980, mas a sua revolta só durou duas jornadas seguidas, em que fez o pleno.
Talvez assustado com o início fulgurante da TAAG, o 1º de Agosto teve de esperar até à 5ª jornada para mostrar os galões de campeão, pois tinha apenas 1 vitória, 2 empates e 1 derrota. A bem da verdade foi a partir do 2-0 caseiro sobre a Académica do Lobito que os militares começaram a disparar no campeonato, terminaram a primeira volta com os mesmos 22 pontos dos aviadores, mas no segundo turno foram mais competitivos e fizeram mais 4 pontos que os aviadores, que acabaram por ser o diferencial para a consagração antecipada, 46 contra 42, o jugoslavo Ivan Ridanovic abriu a porta do \"tri\".
Uma rápida olhada à classificação final de 1981 prova que o técnico Joaquim Dinis teve de fazer pela vida para que estabelecer um marco no campeonato. Campeão como jogador do clube militar, o ex-craque não teve vida fácil no banco de suplentes, mas no final o suspiro de alívio veio com o primeiro \"tri\" do Girabola, uma vez mais com os aviadores a servir de bombo de festa, 2 escassos pontos, 38 contra 36, foram determinantes para o hábito de fazer lei desde 1979.
Os militares tiveram de adoptar uma paciente atitude de espera até o presente milénio, para voltar a sentir a alegria de 3 conquistas seguidas, uma vez mais o 1º de Agosto teve de travar um mano a mano com um adversário directo, Petro de Luanda, o maior de todos os tempos. O duelo entre os rivais até parecia que nunca iria acontecer, em 2016 o 1º de Agosto fez uma primeira volta promissora, enquanto o Petro ressentiu de um marcador para a sua candidatura ao título fosse levada a sério. Uma única contratação, Tiago Azulão, reacendeu a esperança tricolor, mas o bósnio Dragan Jovic tinha aprendido bem as lições das épocas anteriores, é por isso que o 1º de Agosto conseguiu se manter com a mão na massa no período em que o Petro reapareceu no campeonato para agitar a luta pelo título, o despique tinha tudo para terminar como nunca antes, no clássico que iriam protagonizar na última jornada do Gira de 2016. 
O final há muito aguardado tinha tudo para acontecer, mas eis que, na antepenúltima ronda, os militares passaram com facilidade pelo ASA, 3-0, ao passo que o Petro ficou no nulo com o Benfica, assim a equipa rubro-negra sagrou campeã antes do fecho do campeonato, pois ao somar 66 pontos iria ao derradeiro embate cumprir calendário, realmente perdeu, 1-0, mas nunca ninguém imaginou que os 2 pontos de vantagem seriam sinónimo do que iria acontecer nas duas épocas seguintes