Jornal dos Desportos

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Girabola

Tudo na mesma

Paulo Caculo - 12 de Março, 2020

Lder falha a oportunidade de aumentar a vantagem em relao ao seu arqui-rival

Fotografia: Contreiras Pipa| Edies Novembro

Um golo solitário de Mendes, rubricado ainda aos onze minutos, desfez o teórico favoritismo atribuído ao Petro de Luanda na recepção ontem ao Desportivo e deitou por terra à ambição dos tricolores dilataram a vantagem sobre o rival 1.º de Agosto.
Ao contrário do que se esperava, pertenceu ao conjunto forasteiro a primeira grande situação de perigo. Mendes viria a espreitar o golo, logo aos 4’, não fosse a intervenção de Elber. Os militares da Região Sul entraram com grande atitude.
Aliás, a equipa de Mário Soares voltou a deixar transparecer a imagem clara de uma formação adulta, bem arrumada, sem complexos, a trocar muito bem a bola e a descobrir com naturalidade os caminhos de acesso à baliza de Elber.
Fruto desta atitude, acabou sendo também com grande naturalidade, que os huilanos provocaram sérios calafrios à defensiva dos “donos da casa”, na maioria das vezes pelo irrequieto Mendes que, diga-se em amor à verdade, já merecia um golo madrugador.
Pese a boa postura evidenciada pelo Desportivo, o Petro teve também posse de bola e procurou, sobre todas as formas, visar a baliza de Ndulo, mas revelava dificuldades em assentar o seu jogo. Os tricolores deixavam transparecer a imagem de um conjunto muito espremido na sua zona intermédia e a precisar de mais um ou duas unidades fundamentais em sectores considerados “chave”.
Mas a verdade é que, nos primeiros 45 minutos, os anfitriões revelaram-se impotentes para fazer jus à condição de favorito ao triunfo. E o golo de Mendes, aos 11’, veio agudizar ainda mais as dificuldades da equipa de António Cosano, cujo meio-campo mostrava-se impotente de segurar a bola e mandar no jogo. No golo sofrido, grande mérito na execução perfeita de Mendes, ao fazer passar a bola sobre a cabeça do guarda-redes Elber.
A verdade é que nem Job, Herenilson e muito menos Picas e Tony eram capazes de descobrir os caminhos para o golo, pois as investidas esbarravam sempre na grande “trincheira” montada pelos militares nos seus sectores mais recuados.
Antes do intervalo, Picas ainda viu o poste a negar-lhe o golo, enquanto Job chegou a reclamar uma grande penalidade. A segunda parte trouxe um jogo muito mais emotivo, dinâmico e com a bola a rondar insistentemente ambas as balizas. E a história não se alterou. Os adeptos continuaram a assistir a um desafio, em que o Petro continuou a deixar os adeptos a roer as unhas, nervosos e com a pressão em alta.
A verdade é que o Desportivo manteve a toada de jogo e Mendes continuava a ser um constante incomodo para à baliza de Elber. E como a bola rondava às balizas, não admirou que o jogo tivesse uma ponta final imprópria para cardíacos. Os tricolores tiveram a posse de bola nesse período e empurraram os militares huilanos às cordas, mas continuaram a revelar insuficiência para visar a baliza contrária.
O facto é que se, por um lado, os visitantes deixaram a imagem de uma equipa muito bem organizada, por outro, os anfitriões nunca desistiram em descobrir as vias de acesso à área contrária. E foi nesta toada de ora ataco eu, ora atacas tu, que o jogo caminhou para o desfecho justo. No final, o árbitro Ailton Carmelino, tal como ao intervalo, precisou ser escoltado pela polícia, para não ser alvejado com objectos atirados das bancadas.

DECLARAÇÕES dos TÉCNICOS

Flávio Amado  (Petro)
“O objectivo é sermos campeões”


“Não deu para muito mais. Vamos continuar a trabalhar para que no sábado a gente faça melhor. Acho que foi um jogo em que não estivemos bem nos primeiros três a quatro minutos, mas depois demos a volta por cima, mas num contra-ataque, sofremos o golo. Acho que houve uma falta sobre o Yano, e eles conseguiram num contra ataque fazer o golo. Estamos na luta e o objectivo é sermos campeões”.

IMário Soares (Desportivo)
“Estudámos o adversário”


“Penso que estudámos muito bem o nosso adversário. Evitamos que o Petro fizesse o seu jogo, por isso tivemos de amarrar o jogo ao Herenilson, não o deixando jogar. Colocamos dois avançados e conseguimos estar muito bem. Sabíamos que seria difícil, mas tivemos a sorte de marcar o golo, porém, porque trabalhámos para marcar. Mas o Petro mostrou ser uma grande equipa e com bons jogadores. Fomos mais felizes”.

 ARBITRAGEM
Trabalho irregular


O árbitro Ailton Carmelino revelou inúmeras dificuldades para ajuizar o desafio entre o Petro e o Desportivo. O juiz da partida teve alguns furos abaixo, sobretudo no que à avaliação técnica diz respeito. Deixou passar faltas por assinalar, com realce para uma jogada em que Yano sofre falta e que resultou em golo. Disciplinarmente, também não esteve bem, porque deixou de punir os jogadores com a cartolina amarela, perante entradas à margem das regras.