Jornal dos Desportos

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Girabola

Uge inqurito culpabiliza Santa Rita e APF local

An?nio Capit?o, no U?ge - 30 de Março, 2017

Falta de coordenao entre clube e rgo reitor da regio na base da tragdia no Estdio 4 de Janeiro

Fotografia: Edies Novembro | Mavitidi mulaza

A falta de coordenação entre as direcções da Associação Provincial de Futebol do Uíge (APFU), e da Santa Rita de Cássia FC, na organização do jogo da jornada inaugural do Girabola Zap 2017, no Estádio 4 de Janeiro, cidade do Uíge, entre a equipa local e o Recreativo do Libolo, no passado dia 10 de Fevereiro, é apontada como a causa principal das mortes.

Segundo o relatório de inquérito apresentado, na terça-feira, pelo vice-governador para o sector Económico e coordenador da comissão provincial de inquérito dos acontecimentos que originaram a tragédia, Carlos Mendes Samba, as relações entre a entidade regente da modalidade na região, e a direcção do Clube Santa Rita de Cássia, não têm sido cordiais.


Carlos Samba realçou que a direcção do Santa Rita de Cássia, naquilo que são as suas obrigações, negligenciou as medidas cautelares para o evento, ao não permitir que os bilhetes de ingresso fossem visados 72 horas antes do jogo, pela APFU, conforme as disposições do regulamento da Federação Angolana de Futebol (FAF), o que provocou um aglomerado desordenado de adeptos, nos portões,  sob o pretexto de obter os bilhetes de acesso minutos antes da partida, que acabou por  violar a zona de segurança policial.


“Ao não cumprir com as orientações das reuniões, com o governo provincial, para organizar e melhorar as acções de segurança do evento, e sobre a necessidade dos ingressos serem vendidos 72 horas de antecedência, além de  comercializá-los em locais impróprios, como no interior do perímetro de segurança policial, provocou o fluxo desordenado dos aficionados do futebol, que invadiram a zona de segurança policial”, disse.

O coordenador da comissão de inquérito, atribuiu, também, culpas à empresa Kipe-Empreendimentos, gestora do Estádio municipal 4 de Janeiro, e à Polícia Nacional, entidades que também cometeram erros, que deram origem à tragédia que vitimou 17 pessoas, e que  causou ferimentos a 59 outras.

ACESSO AO ESTÁDIO
“Apenas um portão
 estava disponível”


O coordenador da comissão de inquérito provincial, Carlos Samba, referiu que os gestores da Kipe-Empreendimentos tinham a responsabilidade de entregar as chaves dos portões de acesso à direcção da equipa que jogava na condição de visitada, no caso o Santa Rita de Cássia FC, para abrir com alguma antecedência, o que não aconteceu.

De acordo com Carlos Samba, os gestores do Estádio 4 de Janeiro, não foram capazes de identificar o funcionário do Santa Rita de Cássia FC, a quem dizem terem entregue as chaves.  “Isso não aconteceu. Apenas um portão estava disponível, para o grande aglomerado de adeptos que entraram tardiamente, à correria para o interior do Estádio.

Portanto, não ficou confirmado que a empresa gestora do Estádio tenha entregue as chaves, por não ter sido capaz de identificar o funcionário da Santa Rita de Cássia, aquém alegam ter feito a entrega, pelo que fica imputada a responsabilidade à esta organização, pela não abertura dos portões do Estádio”, referiu o coordenador.

Durante a conferência de imprensa, realizada na sala de reuniões da Delegação Provincial das Finanças do Uíge, o coordenador da comissão de inquérito, Carlos Samba, disse que as famílias das vítimas estão a ser acompanhadas psicologicamente, enquanto os culpados pela ocorrência aguardam por decisões que vão ser tomadas a nível dos órgãos competentes.

CONSTATAÇÃO
Polícia negligenciou segurança


A subcomissão para a segurança policial, liderada pelo segundo Comandante para a Ordem Pública, Superintendente -Chefe José Gaspar, por não prever a avalache de adeptos que iam assistir ao jogo inaugural do Girabola Zap 2017, entre o Santa Rita de Cássia e o Recreativo do Libolo, permitiu a venda de ingressos no perímetro de segurança, e não ordenou, por imperativo de seguridade, a abertura dos demais portões de acesso ao interior do Estádio 4 de Janeiro.

De acordo com o coordenador da comissão de inquérito, Carlos Mendes Samba, tais situações estão igualmente na base da tragédia registada no passado dia 10 de Fevereiro, no exterior do Estádio 4 de Janeiro, no Uíge.

“Em relação aos factos mencionados, a comissão considera que a avalanche de adeptos que forçou a entrada do Estádio, está associada ao desnível existente no portão, onde tiveram acesso, onde ocorreu o incidente que provocou a queda massiva dos mesmos, e o consequente pisoteio, que causou a asfixia às 17 vítimas mortais e 59 feridos”, explicou.

A comissão de inquérito, depois de apurar as causas e imputar responsabilidades, recomendou à Direcção Provincial da Juventude e Desportos para continuar a desenvolver acções no sentido de se dirimir os problemas de falta de relacionamento entre as direcções da APFU e da Santa Rita de Cássia, para a formação de dirigentes desportivos e a construção de um novo Estádio de futebol, capaz de suportar um maior número de adeptos.

“Recomendamos, igualmente, o reforço do número de efectivos policiais, de meios de transportes e outros de apoio, para  as acções de segurança”, apelou. Do sucedido, prosseguiu o responsável, a comissão de inquérito entende que têm grandes responsabilidades no incidente a APFU, o Clube Santa Rita de Cássia FC, a Kipe-Empreendimentos e a Polícia Nacional, pelo que os órgãos competentes devem responsabilizar cada uma dessas entidades, segundo a gravidade dos factos.