Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

"Unidos vamos chegar ao objectivo"

Morais Canmua no Lubango - 05 de Agosto, 2016

Militares da Regio Sul consideram o jogo da prxima jornada e da reviravolta no campeonato

Fotografia: Santos Pedro

A má fase que o Clube Desportivo da Huíla atravessa no Girabola Zap 2016, em que ocupa a 12ª posição na tabela de classificação com 19 pontos, tem os dias contados, por isso o treinador Ivo Traça acredita na manutenção da equipa na fina flor do futebol nacional, pois o plantel aspira retomar os níveis anímicos e competitivos com vista os objectivos preconizados.

Ivo Traça que falava ao Jornal dos Desportos, no Lubango, sustentou a sua crença no facto de paulatinamente estarem a serem melhoradas as condições de trabalhos e a serem removidos todos os constrangimentos que estiveram na base dos descalabros a partir da nona jornada da prova, altura em que a equipa perdeu em Luanda diante do Benfica local por quatro bolas sem resposta.

“Temos estado a fazer um esforço titânico para que  retomemos os níveis de confiança e de concentração da rapaziada para voltarmos o mais urgente possível aos níveis competitivos anteriores”, disse o técnico, tendo acrescentado que “no seio dos atletas reina o mesmo espírito. Só unidos chegaremos ao objectivo”.

A vertente psicológica, segundo o técnico, não tem sido esquecida. Um trabalho intenso neste quesito tem sido feito para recuperar a confiança e auto-estima dos atletas que, segundo ele, “têm correspondido favoravelmente”.

Para ele, o importante nisso será trabalhar sempre para que a organização melhore e se possa tirar partido disso porque, tal como fez questão de sublinhar, “isso é tão importante e garante meio caminho rumo aos resultados positivos”.

“As vitórias começam a ser construídas durante a semana de trabalho, na organização de todo processo administrativo e técnico, juntando os incentivos que são sempre necessário para reforçar e arregimentar o estado anímico dos rapazes”, disse.

Em relação aos resultados negativos que mancharam a auspiciosa campanha que vinham fazendo no início da temporada, Ivo Traça revelou que são águas passadas motivadas por algumas situações próprias que se juntaram ao período de crise financeira que se vive. Neste particular, sustentou que embora os variados aspectos da aludida crise não tenham sido debelados, “já há maior alento e conseguimos recuperar os níveis de confiança no empate diante do 1º de Maio de Benguela”, onde a equipa, segundo ele, demonstrou ter potencial “para se bater de igual para igual com qualquer integrante da prova e almejar atingir o seu objectivo mor”.

O facto de muitos dos jogadores influentes terem estado a determinada altura lesionados e com recuperações lentas, segundo Ivo Traça, pesou igualmente no desempenho da equipa. Apontou os casos de Elísio, Kembwa, Chiquinho, entre outros, que ficaram largo período no estaleiro. O próximo jogo no campeonato, diante do Kabuscorp do Palanca, pontuável para a jornada 20, a ser disputado na próxima segunda-feira, 8, a partir das 15h30, no estádio do Ferroviário da Huíla, na cidade do Lubango, é apontado pelo técnico como “o jogo da reviravolta”.

“Tudo faremos para vencer o jogo, diante de um adversário difícil, candidato ao título e que vem igualmente com pretensões de vencer o jogo, mas nós, jogando em casa, vamos procurar aproveitar este embalo para relançarmos a nossa campanha no Girabola”, referiu.


EMPENHO
Treinador elogia
direcção do clube


O esforço que está a ser feito pela direcção do Clube Desportivo da Huíla (CDH),  criação de condições para que tudo funcione à contento no sentido de manter a equipa funcional, foi elogiado pelo treinador Ivo Traça, que ao mesmo tempo que incentivou para que se faça mais e melhor.

“Incentivo a direcção do clube para que faça mais e melhor para que a breve trecho possamos sair do fosso em que a equipa se encontra em termos classificativos”, disse.

Em relação aos incentivos e pagamento de dívidas, Ivo não escondeu a sua satisfação, aludindo que “este gesto trouxe um alento muito grande aos atletas, muitos dos quais já estavam em situações precárias”.

O técnico voltou a queixar-se, por outro lado, das condições de trabalho que ainda não melhoraram na totalidade.

“Treinamos num campo sem condições próprias. A relva se encontra em mau estado e isso, como sabem, traz imensas lesões para os atletas”, referiu.

Os casos de Chiwe, Tchitchi, Avex, Danilson Traça e outros, são reflexos das irregularidades do terreno em que treinam, o estádio de Nossa Senhora do Monte, sem o mínimo de condições para o efeito.

O treinador revelou que neste momento a direcção desenvolve esforços “para que consigamos fazer, três a quatro treinos semanais no relvado do estádio do Ferroviário da Huíla, onde realizamos os nossos jogos na condição de visitados, que está melhor do que aquele onde trabalhamos com muitos riscos à mistura”.

Quanto as condições que complementam o aspecto social dos atletas, o técnico mostrou-se reservado, dizendo apenas que “estão a ser resolvidas”, tendo louvado, mais uma vez, o empenho da direcção do grémio em propiciar um bom clima para que em campo, os rapazes correspondam. Lançou igualmente um apelo as forças vivas da sociedade huilana e não só para que “apoiem o CDH, que é o único representante dA província na ­­­fina-flor do futebol nacional”.           


DEPOIS DO ANÚNCIO DA DESISTÊNCIA

“Continuo a ser acarinhado”


Quando no final do jogo diante do Porcelana FC do Cazengo, disputado no passado dia 17 de Julho, na cidade do Lubango, em que o Desportivo da Huíla perdeu por 1-0, o técnico Ivo Traça anunciou que abandonaria o comando da equipa, o mesmo não imaginava a onda de carinho e reconhecimento em relação a sua pessoa.

“Amigos, familiares, jornalistas e principalmente meus atletas e dirigentes do clube, pediram-lhe que continuasse a trabalhar e levar até o final do campeonato a sua missão. Foi isso que me fez recuar e dar o dito pelo não dito”, disse.

Ivo Traça conseguiu reconquistar a confiança e auto-estima e prossegue o seu trabalho à frente dos destinos técnicos do Clube Desportivo da Huíla, ­onde chegou na época passada para cumprir uma missão: manter a equipa na divisão maior.

Interrogado se a determinada altura sentiu incompetência e falta de confiança dos seus colaboradores directos e jogadores, motivo pelo qual ousou tomar aquela decisão, reconsiderada dias depois, Ivo negou redondamente.

“Fui bastante humilde e procurei ouvir outras vozes. Aceitei recuar e hoje continuo a ser acarinhado da mesma maneira pelas pessoas que reconhecem o trabalho que desenvolvemos”, referiu.

Para a consumação dos objectivos na época, os militares da Região Sul contam na segunda volta com os reforços do  defesa Central Maludi e do atacante Jó, ambos cedidos por empréstimo pelo Petro de Luanda, e o médio ofensivo Avex, vindo do Progresso Sambizanga.

Para Ivo Traça, os três constituem “mais-valia” já que reforçam posições “em que temos estado algo fragilizados”, dando maior “competitividade no grupo, para quem quer conquistar um lugar na equipa”.

Este pensamento é corroborado pelos três atletas que dizem ter sido fácil a integração, devido a coesão que encontraram no grupo. Para o defesa central Maludi, “tem sido boa a minha adaptação e espero trabalhar para conquistar a confiança do técnico, jogar e contribuir para a manutenção da equipa na primeira divisão”.

O atacante Jó, irmão mais novo do conhecido atacante Mabululu, do Interclube, alinha no mesmo diapasão e afirma que “só o trabalho árduo, abnegado e com humildade nos poderá dignificar”.

Os três atletas acreditam na manutenção do grémio na primeira divisão e prometem tudo fazer para que se atinja este ­desiderato.                MC