Jornal dos Desportos

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Girabola

Vamos ao clssico

Betumeleano Ferro - 09 de Fevereiro, 2019

O 1 de Agosto entra em campo com a

Fotografia: Miqueias Machangongo |Edies Novembro

O clássico é como uma estrada unidireccional. A \"ditadura militar\" virou lei, no jogo mais apetecível do nosso futebol. O 1º de Agosto tornou-se o protagonista em obter o ascendente, como nunca antes, no confronto directo com o rival.  O grande motivo de interesse efectiva-se, quando o apito soar às 16h00 no Estádio 11 de Novembro, para certificar se os militares confirmam o domínio ou se os tricolores dissipam todas as dúvidas quanto à condição de \"cliente\", para empatar o adversário na classificação.
O 1º de Agosto entra em campo com a \"faca e o queijo na mão\" para imprimir a lógica que estabeleceu nos últimos anos seguidos. Mais do que confirmar o óbvio, os militares sabem de antemão que terminam a participação na primeira volta e a dobrarem a vantagem sobre os tricolores,  continuam com a \"mão na massa\", ainda mais, porque não vai dar margens para nenhum tipo de ultrapassagem. A \"bicefalia\" é o máximo que pode vir a acontecer na liderança do Girabola.
A fazer pela vida, porque os papéis inverteram-se no clássico, o Petro de Luanda  tem margem de erro, todavia, não pode perder com o 1º de Agosto porque as lições dos desaires anteriores foram fortes demais para os tricolores provarem, que continuam alunos mandriões.
Uma vitória sobre os militares, pode dar aos tricolores o que está a faltar nas últimas três épocas seguidas: confiança necessária para acabar com a \"malapata\", de ver o eterno rival sorrir, depois de prevalecer no clássico.
As estatísticas estão a pressionar os tricolores em todos os sentidos. Por mais que esteja sentado em \"dois cavalos figurativos\", é cedo demais para a desculpa do cansaço, para convencer o adepto do Petro de Luanda, acostumado a olhar para baixo e ver a desgraça alheia.
O jogo de hoje, está longe de ser decisivo para os tricolores, contudo, é ponto assente que em caso de desaire, o técnico Beto Bianchi e pupilos vão ficar mais condicionados e sem motivação extra para próximos compromissos, nas Afrotaças e nos restantes dois jogos que estão em atraso no campeonato.
Todos os \"ingredientes\" trazidos pelos eternos rivais são suficientes para resgatarem o encanto que o clássico  exerce nos amantes do futebol nacional. Tanto o 1º de Agosto, quanto o Petro de Luanda, têm tudo o que precisam para não defraudar a expectativa de ninguém. 
É verdade, que a temporada das duas equipas está a ser feita de altos e baixos, entretanto, chegou o momento mais aguardado pelos dois emblemas e então, haja a \"separação do trigo e do jóio\", no relvado do Estádio 11 de Novembro.
O tipo de motivação que esses jogos ímpares provocam, faz que os ausentes sejam esquecidos, não porque sejam peças descartáveis. Está claro, que nem o 1º de Agosto nem o Petro têm uma segunda linha invejável, como em décadas passadas, contudo, espera-se que os nomes que ficarem de fora não sirvam de desculpa.
Na realidade, os dois treinadores até podem ver nisso a oportunidade para ganharem certezas para o futuro, podem ganhar \"novos\" reforços.
Tal como parece ser moda nos últimos anos, a liderança dos técnicos também vai ser determinante no desfecho final. O perfil calmo de Dragan Jovic contrasta com o entusiasmo de Beto Bianchi. Mais do que manter a identidade a partir do banco, os dois treinadores vão  provar que conhecem bem a mentalidade do adversário.
O lugar comum, jogar no erro do rival, só é realidade quando se faz bem os deveres de casa, por mais que o improviso  seja um detalhe importante de prever, durante a semana laboral, o que pode acontecer. Pode significar vitória ou derrota. E, se o clássico terminar empatado?
É um dos três cenários possíveis. Ninguém tem como descartar a possibilidade, é claro que é capaz de ser mais pesado para o Petro de Luanda, por que está atrás do prejuízo que é o de igualar ou ultrapassar o líder do campeonato.
Os tricolores demoram a estabelecer as prioridades. Preferem levar \"dois ossos ao mesmo tempo\", numa época em que as Afrotaças mais parecem um campeonato para quem ainda está a competir na Champions ou Taça da Confederação.
Mas de modo algum significa, que o 1º de Agosto não lucra nada com o empate. Pelo contrário, este é o plano B, que os militares têm e que vão materializar se perderem a \"chance\" de facturarem os três pontos. O campeão sabe melhor do que ninguém que não pode municiar o rival nesta etapa do campeonato.


1º DE AGOSTO
Ivo traça dérbi sem marcações especiais

O técnico-adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, disse que não haverá marcações especiais para os jogadores do Petro de Luanda, no clássico de hoje às 16h00, no estádio 11 de Novembro,  em desafio referente a oitava jornada do Girabola Zap.
O auxiliar de Dragan Jovic adiantou ainda que deram uma maior atenção também a finalização, um aspecto que tem resultado em poucos golos da equipa.
\"Nós trabalhámos muito no aspecto de finalização. Nós não vamos mudar o nosso sistema táctico, é o mesmo. Mas trabalhamos alguns aspectos ligados a equipa do Petro como ataca. Agora, não vamos fazer marcações individuais, com todo o respeito que temos pela equipa do Petro. Nós trabalhamos todos aqueles aspectos inerentes ao ataque do Petro e nós vamos tentar anular. Não haverá movimentações especiais\", disse Ivo Traça, na última quinta-feira, em conferência de imprensa, no ex-RI20.
O antigo médio militar acredita que o jogo entre as duas maiores equipas do país acontece na melhor fase dos dois conjuntos e todos os jogadores estão dispostos a dar o seu contributo.
\"É o maior dérbi de Angola. São as duas maiores equipas de Angola, as duas formações estão bem, este jogo calhou numa boa fase e é uma partida muito esperada. Estamos bem, a disposição é óptima, há alegria e vontade  de qualquer um dos jogadores aparecer e fazer o jogo\", assegurou. 
Ivo Traçou defendeu a continuidade do onze inicial que venceu o Kabuscorp do Palanca no jogo passado, embora tenha deixado em aberto a entrada de outros jogadores.
\"Acho que não, vocês mesmo é que dizem ´equipa que ganha não se mexe`, e nós gostaríamos de cumprir com esse lema. Mas como estão a trabalhar todos os jogadores e estão a corresponder, vamos ver quem são os que nos vão dar os indicativos para o treinador formar o onze inicial. Mas não vamos mudar muito a equipa que jogou contra o Kabuscorp\", revelou.
As duvidas em relação a presença do extremo Ary Papel estão desfeitas enquanto a utilização do médio ofensivo Buá aguarda pela confirmação.
\"O Ary Papel já terminou a semana toda com o grupo, o Buá fez os primeiros treinos, está um bocado mais lento em relação ao Ary Papel, vamos ver, mas acho que também iremos contar com ele (Buá) para este jogo\", concluiu.

DANY MASSUNGUNA
DESTACA MOTIVAÇÃO

O capitão da equipa do 1º de Agosto, Dany Massunguna, considera que estão motivados e que todo o jogador quer marcar presença no clássico de hoje diante do arqui-rival, Petro de Luanda.
\"É um jogo que todo o atleta quer fazer, e nós estamos motivados para entrar em campo. É um dérbi onde todos nós queremos sair bem e da forma como trabalhámos tudo faremos para conquistar os três pontos\", referiu.
O defesa central revelou que durante a semana fizeram uma preparação cautelosa relativa a forma de jogar do adversário, pelo que, estão satisfeitos com os níveis apresentados.
\"Trabalhámos consoante aquilo que é o Petro, a equipa está a corresponder da melhor maneira possível aquilo que a equipa técnica tem implementado nos treinos e até ao momento não notámos nada de especial em relação aquilo que estamos a trabalhar que é o Petro\", destacou Dany Massunguna.
Após regressar aos relvados no jogo anterior diante do Kabuscorp do Palanca o experiente jogador garantiu estar bem e em condições de defrontar o arqui-rival para ajudar a equipa a somar os três pontos.
\"Graças a Deus estou bem. Tive receio no jogo passado mas consegui terminar bem. É um dérbi e todos nós queremos estar bem, espero que eu possa mais uma vez estar bem no desafio. Eu e os meus colegas queremos estar bem para que possamos vencer o Petro. Sabemos que é um dérbi e tudo pode acontecer. Com todo o respeito que temos pelo Petro, o nosso objectivo mantém-se, que são os três pontos e no sábado tudo iremos fazer para conquistar este resultado\", finalizou.       
Jorge Neto


BETO BIANCHI
“Vamos ganhar”

O treinado do Petro de Luanda, o hispano -brasileiro Beto Bianchi, disse em conferência de imprensa  na quinta feira, no complexo desportivo Demóstenes de Almeida \"Catetão\",  que  a sua equipa recuperou bem depois do jogo na Argélia e que mudou a hora do treino, de manhã para a tarde,  para os jogadores descansarem.
O técnico Beto Bianchi pretende mexer na equipa que vai ao clássico, para melhor fazer o enquadramento nas características que tem o \"duelo\" com o 1º de Agosto.
\"Farei algumas mudanças na equipa que jogou com o Hussein Dey, da Argélia, em que a equipa esteve muito bem, sofremos uma derrota que transmite confiança, estou muito confiante na vitória do clássico”, justificou.
A mentalidade num clássico é sempre de jogar para ganhar, sobretudo,  nos jogos disputados entre as duas equipas. O treinador do Petro de Luanda disse que teve três jogos seguidos, em que não perdeu nenhum, além do dérbi de hoje e está moralizado e seguro que já não perde nenhum.
\"Em três jogos seguidos, somamos nove pontos. Não me passa pela cabeça perder alguns dos jogos que tenho de fazer e se acontecer alguma coisa, vamos gerir a situação, mas o meu pensamento é positivo, vamos ganhar”. Prometeu.

Job está em dúvida
O avançado do Petro de Luanda,  Job, continua em dúvida para o jogo de hoje à  tarde com o 1º de Agosto, de complemento à  8ª jornada do Girabola Zap, devido à lesão que sofreu nas costas, no jogo da 7ª  jornada com FC Bravos do Maqui.
O capitão dos tricolores treinou na manhã de ontem com o colectivo dos jogadores convocados, porém, o técnico continua em dúvida, isto é, se o vai alinhar por que  espera  a decisão do departamento médico do clube.
Edivaldo Lemos

NÚMEROS
Tricolores suplantam
militares nos jogos entre si

Diferente do período anterior, em que os protagonistas influenciavam gerações, Ndunguidi (1º de Agosto) e Jesus (Petro), hoje, já com novos actores, o \"derby\" entre os contendores ainda espevita sentimentos, numa rivalidade que regista números galácticos. São no total 76 jogos e 137 golos marcados.
Em 1981, na estreia dos “petrolíferos”, os “militares” venceram o primeiro “derby ou clássico” (o entendimento é o mesmo) por 2-0, mas, em seguida, o oponente iniciou uma reviravolta, que o colocou em superioridade em quase todos itens do histórico de confrontos entre si.
Em 76 duelos, o Petro de Luanda venceu em 31 ocasiões contra 24 do 1º de Agosto. Empataram 21 vezes. Apesar de dois anos mais velho que o adversário, o D\'Agosto (1979) sofreu as maiores goleadas, nomeadamente, na edição de 1982 (2-6) na segunda volta do Girabola. Osvaldo Saturnino de Oliveira \"Jesus\" marcou cinco golos.
Seis anos mais tarde, em 1988, o Petro voltou a golear (6-0), com Abel e Saavedra a serem os principais \"carrascos\" dos militares, cuja maior vitória sobre o oponente não ultrapassa o 2-0, a última das quais na segunda volta da edição transacta.
Em termos de títulos conquistados, a supremacia é novamente do Petro, 15 vezes campeão nacional, contra 12 do concorrente.
A formação do “eixo - viário” também tem a maior sequência de troféus, com cinco consecutivos de 1996 a 1990, enquanto o melhor que os do “rio seco” conseguiram foi o tricampeonato de 1979 a 1981, proeza obtida novamente nas últimas três provas (2016, 2017 e 2018).
Quanto aos melhores marcadores desta prova iniciada em 1979, os números do Petro são humilhantes. Os seus jogadores conquistaram a bota de ouro em 15 ocasiões, com destaque para Jesus, em 1982 (21 golos), 1984 (22) e 1985 (19).
Naquele quesito, o único em que levam relativa vantagem (nos campos analisados), os “militares” contam apenas com quatro atletas distinguidos, com destaque para Carlos Alves, detentor do recorde de golos marcados em 1980 (29). Seguiram-lhe o exemplo Manuel (1988 – 16), Isaac (1999 – 16) e Gelson Dala (2016 -23).
Esta tarde, às 16H00, no Estádio 11 de Novembro, estes dois colossos do futebol angolano e africano, o 1º de Agosto (líder à condição com 30 pontos) e o Petro (terceiro colocado com 27) defrontam-se pela 77ª vez, e como sempre, o facto já espevita sentimentos clubísticos.