Jornal dos Desportos

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Girabola

Verdade desportiva em " Xeque"

Betumeleano Ferro - 28 de Julho, 2016

Atltico Sport Aviao (ASA) pode abandonar o Campeonato

Fotografia: Jos Cola

A crise financeira que atinge Angola, pode  influenciar de maneira decisiva no campeonato, sobretudo nas equipas que lutam para não serem  despromovidas. Todas as equipas em risco de descer de divisão são o reflexo da recessão económica. Duas delas, Porcelana FC do Cazengo e 4 de Abril do Cuando Cubango, já tinham anunciado a desistência, enquanto o Atlético Sport Aviação (ASA) há que se falava em abandonar a competição, por falta de recursos financeiros.Quase todas as equipas do Girabola ZAP são patrocinadas pelo governo. A ausência de outras fontes de receitas impede os clubes de encontrarem uma fonte segura, que lhes permita contrabalançar o pouco que recebem dos cofres do Estado.

O histórico ASA, é a par do 1º de Agosto, o único que participou em todas as edições do campeonato, e isso é o verdadeiro reflexo de como os problemas económicos podem influenciar de maneira negativa, no desempenho competitivo dos atletas. Há anos que o tricampeão rema contra a maré, mas nesta época a corda aparenta estar mais prestes do que nunca a  rebentar, a equipa antes patrocinada pela TAAG vê-se num literal beco sem saída.

A ausência de dinheiro forçou os aviadores a perderem altitude no futebol nacional, a equipa que venceu três campeonatos seguidos ( 2002, 2003 e 2004), agora só resta a recordação, porque nos últimos anos o ASA luta de maneira intensa para não descer de divisão.Uma eventual descida de divisão não constitui novidade para os aviadores, em 1990 a equipa chegou mesmo a ser despromovida, acabou por permanecer no campeonato porque a FAF decidiu alargar o Girabola da época de 1991, de 14 para 16 competidores, ninguém desceu de divisão para que pela primeira vez a prova fosse disputado por 16 equipas, no sistema de todos contra todos.

O Porcelana FC e o 4 de Abril recuaram da desistência do Girabola ZAP, mas é ponto assente que os seus resultados estão a ser condicionados pela vertente financeira. Curiosamente, as duas equipas estão com 17 pontos, precisam de fazerem-se à vida dentro e fora de campo,  os seus gritos de socorro demoram a trazer a bonança.

Quer o Porcelana, como o 4 de Abril, têm dado mostras de que podiam ser mais competitivos se tivessem concentrados só em jogar, a pontuação não é má de todo, estão a nove pontos do 5º lugar, mas os cofres vazios influenciam no rendimento dos atletas, pois em alguns casos chegam a ter vários meses de salários em atraso, como veio a público reconhecer há dias o presidente do clube do Cuando Cubango.

O Jornal dos Desportos sabe que os governos provinciais do Cuanza Norte e do Cuando Cubango são os que mais apoios financeiros dão ao Porcelana e o 4 de Abril. Por causa da crise, os patrocinadores das duas equipas fecharam as torneiras e as equipas  ressentem-se muito.Algumas pessoas singulares tentam ajudar o Porcelana, o JD tomou conhecimento do nome de dois filhos do Cuanza Norte, um deles residente fora da província, que  mostra-se solidário, ao abrir os cordões à bolsa para minimizar as dificuldades da equipa.

O 1º de Maio de Benguela e o Desportivo da Huíla têm ambos 18 pontos e estão a um passo de cair para a zona de despromoção, também por problemas económicos. As duas equipas jogam agora para a 19ª jornada, a situação em que se encontram é indelicada, mas durante 90 minutos fingem que são imunes às questões extra-campo que  influencia muito na fraca prestação no Girabola ZAP.