Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Girabola

Vice-presidente pretende melhorias com a ZAP

16 de Abril, 2018

Vice-presidente da federação critica o pendor político que existe no futebol angolano

Fotografia: ANGOP

O vice -presidente da FAF, José Macaia, reconheceu no Luena, Moxico, que a relação da instituição com a operadora ZAP, patrocinadora do campeonato nacional de futebol (Girabola) é uma relação relativamente ambígua e funcional. Em declarações, no quadro de uma visita de trabalho de três dias que efectuou aquela província, criticou os moldes de apoio.
O vice-presidente entende que o campeonato nacional da primeira divisão, por ser a competição em que participam todos os clubes, não devia haver agremiações a beneficiarem mais, outros menos, e até há quem não beneficia, o que é “ambíguo”para si.
O dirigente sustentou em entrevista à Angop, que a relação entre a FAF e a ZAP chega a ser “funcional”, pelo facto de atenuar algumas dificuldades financeiras de alguns clubes com menos poder financeiro.
Porém, espera melhoria do quadro e a passagem por uma relação mais sólida, eficaz e abrangente, por ser o papel da FAF.
“ No ano passado, teve uma direcção da patrocinadora, e este ano tem outra. Este ano conseguimos negociar com mais abrangência, e paulatinamente, vamos consolidar a abrangência”, prometeu.
A ZAP patrocina o Girabola há dois anos, mas desconhece-se o valor do contrato que resultou na \"rebaptização\" da maior festa do futebol nacional, para Girabola Zap.
Há clubes, considerados “grandes” do futebol angolano, como o Petro de Luanda e o Interclube que reclamam vantagens do contrato e alegam que não as notam, enquanto que do lado contrário, agremiações “pequenas” como o FC Bravos do Maquis e outras, quase que nem recebem nada.
Por outro lado, José Macaia admitiu que o seu organismo não vai atingir tão cedo os objectivos que assumiu, precisa de mais tempo de trabalho. A dois anos do termo do mandato (2016-2020) do actual elenco da FAF, liderado pelo empresário Artur Almeida e Silva, o vice-presidente justificou que querem mais tempo, por estarem a gerir o órgão com problemas de vária ordem, sobretudo, financeira.
O dirigente rejeita a ideia de que esteja a “pedir” aos associados, antecipadamente, um novo mandato, promete avaliar no final os trabalhos desenvolvidos ao longo dos quatro anos e depois decidir o futuro.
“Nós, quando nos propusemos, tínhamos um objectivo a atingir. Se sentirmos, que não estamos a cumprir de forma coerente e honestamente, vamos nos retirar. O que estamos a fazer, não é para pedir mandato, vamos terminar este e depois avaliar”, disse e reconhece que quem está no primeiro, independentemente das condições, tem a obrigação de pensar no próximo mandato.O dirigente deu exemplo da pretensão da criação da Liga, que segundo afirma, está inviabilizada devido ao “muito pendor político” ainda existente no futebol angolano.
“O nosso desporto ainda tem muito pendor político. Não temos ainda clubes profissionalizados, independentemente de terem jogadores que têm como única profissão o futebol. Este estatuto (futebol profissional) atribui muitos benefícios que eles (futebolista) não usufruem”, acusou.
De realçar, que o programa de Artur de Almeida contempla entre outras, 50 acções a executar a curto, médio e longo prazos, a criação de orçamentos próprios para as Associações provinciais de futebol, gestão controlada, atribuição de prémios de participação a todos os clubes do Girabola a partir de 2016, atribuição de prémios aos três primeiros classificados do Girabola a partir de 2016.

CONSTATAÇÃO
“Houve irregularidade
na suspensão de Adão Costa”

A suspensão recente por 15 dias, e a aplicação de multa na ordem de 750 dólares norte-americanos ao vice-presidente da Federação Angola de Futebol (FAF), Adão da Costa, pelo Conselho de Disciplina da mesma instituição, foi considerada \"irregular\" e deve ser resolvido \"urgentemente\".
A posição, é do vice-presidente da instituição que rege o futebol no país, José Macaia. Para o responsável federativo, o Conselho de Disciplina “não está acima da direcção da FAF”, recordou. José Macia referiu  ser uma situação que a direcção da FAF tem a responsabilidade  de resolver, urgentemente, e quebrar o tabu e desentendimento dentro da FAF.
“Houve irregularidades. Temos de nos ater aos princípios hierárquicos. O Conselho de Disciplina não está acima do vice -presidente, independentemente da separação de poderes”, disse.
Depois, exemplificou que “a propalada separação de poderes é constitucional a nível do aparelho do Estado (Presidente da República, Assembleia Nacional e Tribunais), nas instituições como as Federações, isso, não pode existir”, justificou.
Adão da Costa, presidente interino da FAF, na altura, foi punido por 15 dias por alegado atraso sem justificação, à uma convocatória do Conselho de Disciplina.
José Macaia avaliou no Luena o funcionamento da Associação Provincial de Futebol do Moxico, das infra-estruturas desportivas, além dos encontros mantidos com os representantes de clubes, assim como com o governador provincial, Gonçalves Muandumba.