Jornal dos Desportos

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Girabola

Vita Club fecha porta de regresso a Eric

Betumeleano Ferro - 10 de Agosto, 2016

Camisola 7 actuou no Campeonato Nacional com documentos que atestam ter nascido em Kinshasa (RDC) e em Cabinda (Angola)

Fotografia: Jos Soares

O avançado Eric continua em maré de azar. O Vita Club de Kinshasa desistiu da sua contratação tão logo soube dos problemas administrativos que o forçaram a deixar o Benfica de Luanda. O Jornal dos Desportos soube de fonte próxima ao jogador, que a direcção do grémio congolês democrático perdeu todo o interesse em contar com os préstimos do atleta para a época 2016/2017.

A pré-temporada do Vita Club deveria começar hoje, mas foi transferida para o dia 16, mas nela não vai tomar parte o avançado Eric. Ao que apuramos, o atleta tinha planos de voltar a suar a camisola do clube, mas esta pretensão não vai se concretizar, pelo menos no clube da RDC, enquanto não provar que a sua utilização não vai resultar em sanções administrativas.

O Jornal dos Desportos soube que a direcção liderada pelo reputado general Gabriel Amisi Kumba não quer voltar a cair no descrédito, pois em Maio foi desqualificado, pela Confederação Africana de Futebol (CAF), das preliminares da Champions por utilização irregular do atleta Idrissa Traoré, que tinha sido contratado ao Stade Malien de Bamako. O avançado Eric regressou a Kinshasa pouco depois de terminar a primeira volta do Girabola ZAP, ele revelou, nas conversas com os mais próximos, a ambição de jogar pelo Vita, mas ao que apuramos, a direcção do clube prefere deixar que seja o atleta a resolver sozinho, o problema em que está envolvido.

Ainda assim, o Jornal dos Desportos soube que caso Eric fosse contratado pelo Vita Club de Kinshasa, ele seria inscrito na federação local com os mesmos documentos que sempre utilizou antes de se transferir para o Benfica de Luanda, que atestam que ele é um jogador nascido na capital da RDC.

O Jornal dos Desportos teve acesso a versão que Eric apresentou quando regressou a Kinshasa. O atleta justificou o regresso a casa por causa de incumprimentos contratuais do Benfica de Luanda. O avançado dizia estar cansado de aguardar por falsas promessas, ele dizia ter dado uma moratória aos encarnados, mas como estes demoravam a satisfazer as suas reivindicações, preferiu regressar ao país de origem, para dar um novo rumo à carreira.

O atleta de 27 anos de idade passou ao largo da acusação de jogar em Angola com dupla identidade, mas deixou escapar nas entrelinhas que chegou ao futebol angolano como jogador estrangeiro, mas mais tarde foram forjados documentos angolanos, para a sua inscrição na FAF( ver peça à parte).


BENFICA REIVINDICA ATLETA
Progresso do Sambizanga desistiu do avançado


O avançado Eric nunca jogou em Angola como estrangeiro, pelo menos é esta a informação que o Progresso Sambizanga tinha em mãos, quando tentou contratar o atleta o ano passado. Antes de avançar para a contratação, os sambilas se certificaram de que o atleta estava livre para assinar, mas quando o negócio estava bem encaminhado, o Benfica de Luanda apareceu em cena a pedir que o avançado regressasse ao seu plantel, porque ainda tinha contrato.

Em princípio, os sambilas resistiram e se negaram a libertar o atleta porque queriam que fosse um dos trunfos do ataque de Mário Calado, mas com o passar do tempo não permitiram mais que o atacante continuasse a treinar, pois o Benfica persistia em ir atrás de Eric.

Ao contrário do que pensavam os sambilas, o atleta nunca chegou a ser inscrito pelo Benfica de Luanda a época passada. Embora não tenha tirado satisfações com os encarnados, quer a direcção do Progresso, como o técnico Mário Calado, concluíram que era o Benfica e não o atleta quem estava a agir de má fé. Os sambilas nunca vieram a público falar sobre os motivos por que desistiram de Eric, mas as pessoas que colocaram o avançado na lista de reforços de Mário Calado sempre se questionaram como o Benfica voltou a readquirir direitos sobre o atleta, quando o avançado era um jogador livre.

O Progresso evitou entrar numa guerra de palavras com o Benfica de Luanda, mas caso não houvesse a interferência de última hora dos encarnados, teria inscrito o avançado Eric como angolano, assim como tinha feito antes o Benfica.

A novela relacionada com a dupla identidade de Eric ainda é capaz de fazer correr rios de tinta em Angola e na RDC, mas é ponto assente, pelo que apurou o Jornal dos Desportos, que existem clubes do Girabola Zap e da Segunda Divisão que vão ao exterior contratar estrangeiros, depois forjam documentos nacionais para inscrever os reforços, motivo por que os atletas em causa estão como que proibidos de se transferir para outras equipas, amenos que quem os contratou já não precise mais dos seus préstimos.
BF