Jornal dos Desportos

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Girabola

Vitria arrancada a ferro e fogo

Paulo Caculo - 07 de Março, 2016

Petrolferos redimem-se do desaire da ronda passada e voltam a encostar no grupo da frente na tabela classificativa

Fotografia: Jornal dos Desportos

Um golo solitário de Carlinhos, rubricado aos 83', permitiu ao Petro de Luanda regressar às vitórias frente ao Progresso da Lunda Sul. O triunfo serve de prémio ao conjunto da casa, que mais "fez pela vida" durante os 90 minutos regulamentares.

A precisar de pontos, como de pão para a boca, na luta pela consolidação dos objectivos de tentar voltar a ser campeão, os tricolores entraram a pressionar e assumiu logo nos instantes iniciais as rédeas do jogo, mas este domínio acabou sendo 'sol de pouca dura', já que o Progresso não demorou a equilibrar a partida.

Com Élio de regresso ao 'onze' e Etah de fora dos titulares, os tricolores espelharam consistência defensiva, mas continuaram a revelar falta de eficácia ofensiva. A equipa de Beto Bianchi circulava a bola a bel-prazer, sem complexos, mas faltava sempre alguma determinação na hora da finalização.

O conjunto da Lunda Sul deixava em campo a imagem de uma equipa muito espremida, talvez a precisar de mais um ou dois jogadores em sectores considerado 'chave'. A dada altura nem mesmo o voluntarismo e experiência de Chileshi e Die foram suficientes para dar o caudal ofensivo às jogadas da equipa  de Saurimo.

Disputadíssima a meio-campo, a partida entre tricolores e lundas teve momentos de emoção, protagonizados sobretudo, pelos donos da casa, que mais dispuseram de ocasiões para marcar, uma das quais, mais flagrante, aos 38', com Balacai a ver o poste a negar-lhe o golo. 

Com o empate nulo a persistir, as equipas precisaram do intervalo para repensar o jogo. Na etapa complementar os tricolores continuaram a ser a equipa mais esclarecida no ataque, enquanto os lundas mostravam-se, ainda, impotentes para suster a enorme pressão a que estiveram sujeitos nesse período. 

A verdade é que o Progresso fechava muito bem os espaços no seu último reduto. Os pupilos de Kito Ribeiro apostavam muito mais no futebol de contra ataque, na esperança de surpreenderem o adversário. Tal postura, privou de gozarem da maior posse de bola e, quiçá, do maior volume de ocasiões para marcar. 

E quando esperava-se que a "muralha defensiva" do Progresso fosse resistir até ao fim, eis que "desmoronou" perante a investida de Carlinhos, aos 83', que coloca a bola longe do alcance do guarda-redes Wilson. Era o respirar de alívio do Petro, que obrigou ao adversário a desfazer-se da estratégia defensiva e correrem atrás do prejuízo. 
Com mais sete minutos para se jogar, os tricolores ousaram conservar o resultado, mas nunca deixaram de acelerar na fase derradeira do jogo. Os instantes finais foram endiabrados, com o Progresso a procurar do golo da igualdade e o adversário a fechar muito bem todas as vias de acesso à baliza de Gerson.

ARBITRAGEM

Trabalho regular


O trio de arbitragem proveniente da Huíla fez um trabalho sem razões para alaridos. Hélder Calenga e os seus auxiliares contribuiram para a qualidade do jogo, na medida em que não comprometeram e muito menos privaram as equipas de exibirem o seu futebol. Disciplinarmente não houve igualmente queixas, já que o único cartão admoestado ao jogador do Progresso não merece qualquer contestação.

MELHOR EM CAMPO

Carlinhos 'salva'
 tricolores


A ousadia e a coragem de Carlinhos num lance que poucos acreditavam, o jovem fez aquilo que todos esperavam, fazer funcionar o marcador para alegria da massa associativa petrolífera e banco que respirou de alívio. Com muita técnica e visão Carlinhos saiu do banco e no momento certo deu o golpe fatal que valeram mais três pontos para o Petro.

Beto Bianchi
 (Petro) - "Sofremos até o final"

"Foi um jogo bastante difícil. Os adversários fecham muito as linhas quando jogam connosco, mas no geral tivemos todo o controlo do jogo. Tínhamos de fazer o golo antes, porque tivemos várias ocasiões, mas conseguimos fazer apenas depois de tanto sofrimento até ao final. A gente sempre busca o melhor, o Carlinhos tem outra característica e penso que valeu pelo global"

Kito Ribeiro
(Progresso l. sul) - "Melhor primeira parte"

"Não houve possibilidade de marcarmos, vamos procurar continuar a trabalhar e dar o nosso máximo. O Petro pressionou muito no jogo, mas conseguimos segurar muito bem na primeira parte, mas na segunda, num  lance de transição, sofremos o golo que ditou a nossa derrota".