Jornal dos Desportos

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Girabola

Vitria sofrida

Avelino Umba - 14 de Abril, 2016

medida que o tempo passava, o jogo foi ganhando equilbrio

Fotografia: Jos Soares

O golo marcado pelo lateral esquerdo Amaro, aos 35´, numa perfeita execução técnica na cobrança de um livre directo, bastou para que o Benfica de Luanda regressasse às vitórias no Girabola Zap, numa partida quase sem assistência, depois de na semana passada, ter caído no terreno do campeão Libolo.

A elevada temperatura que se fez sentir ontem à tarde em Luanda, variava entre os 31 e 32 graus, fez com que os jogadores do Benfica de Luanda e Sagrada Esperança apresentassem um "jogo morno". Ou seja, faltou muita criatividade e espectáculo na forma de jogar das duas equipas.

Apesar de alguns perigos criados, tanto de um lado, como do outro, a falta de finalização foi notório. Por isso, não estranhou que o único golo do desafio, que aconteceu aos 35´, por Amaro, resultou da cobrança de um livre directo à entrada da grande área da baliza defendida por Yuri.

O lateral esquerdo da águia colocou a bola no canto superior direito da baliza defendida pelo guarda-redes do Sagrada Esperança que foi impotente para travar a trajectória da mesma.

O golo sofrido nem por isso afectou muito os diamantíferos. Ou seja, não cruzaram os braços e foram à luta, fustigando o último reduto da águia na procura do tento do empate, o que não foi possível, porque o sector defensivo da equipa de Zeca Amaral invalidava todos os intentos protagonizados pelos atacantes do Sagrada Esperança.

A segunda parte foi melhor jogada. Já com uma temperatura melhor do que na primeira etapa, as duas formações regressaram ao relvado com muita determinação. Mas, diga-se de passagem, o Sagrada Esperança apresentou-se melhor e Love, na marcação de um livre directo, quase fazia o empate, porém, o remate livre embateu no travessão da baliza do Benfica, quando os adeptos do Sagrada se preparava para festejar.

O Benfica de Luanda, apesar do momento do Sagrada Esperança no jogo, aos 76, por Kiloy, falhou uma grande oportunidade em aumentar a vantagem. O benfiquista, dentro da grande área, quando todos se preparavam para festejar, "ofereceu" praticamente a bola ao guarda-redes do Sagrada.

Aos 73´, o Benfica de Luanda ficou privado do treinador Zeca Amaral por ter recebido ordem de expulsão do árbitro Paulo Talaya. À medida que o tempo passava, o jogo foi ganhando equilíbrio, com o Sagrada Esperança a conseguir jogar sem qualquer receio em casa do adversário, mas não conseguiu evitar a derrota.

ARBRITAGEM
Trabalho
sem mácula


O trabalho realizado ontem, no estádio dos Coqueiros, pela equipa de arbitragem chefiada por Paulo Talaya não teve qualquer influência no desfecho da partida entre o Benfica de Luanda e o Sagrada Esperança da Lunda Norte. O juiz acompanhou de perto as jogadas e disciplinarmente não permitiu com que os jogadores fizessem das suas, por isso, buscou sempre ao bolso a cartolina amarela para admoestá-los, tanto de um lado, como do outro. O árbitro ainda chegou a dar ordem de expulsão ao treinador Zeca Amaral.

MELHOR EM CAMPO
Classe de Amaro


O lateral esquerdo Amaro, do Benfica de Luanda, foi o "homem do jogo". O esquerdino, com um perfeita execução técnica, na cobrança de um livre directo, marcou o único golo do desafio diante do Sagrada Esperança e que deu a vitória à equipa de Zeca Amaral. Independentemente do golo, o jovem mostrou que continua no auge da carreira, pois, defendeu e atacou bem. Ou seja, esteve bem no capítulo individual e colectivo. Ajudou a equipa a protagonizar muitas acções ofensivas que podiam ser transformadas em golos.

DE NONO À QUINTO
Salto de “cangurú” a pensar no Porcelana


O Benfica de Luanda deu agora uma espécie de salto de "cangurú", porque saiu logo do nono lugar, onde estava com 9 pontos - os mesmos que têm ainda o Sagrada Esperança, ASA e Progresso da Lunda Sul - para o quinto, em que “acordou” hoje com 12 pontos, face ao triunfo ( 1-0) de ontem sobre a equipa diamantífera nos Coqueiros.

Isto é sinal de que esta equipa encarnada despertou, para voltar a dar a ver o mesmo que o ano passado, quando liderou toda a primeira volta, até o Libolo e o 1º de Agosto se agigantarem e mandarem em toda a segunda volta.

A equipa já vai, aos poucos, destilando o fio de futebol que lhe é peculiar, moldado como está ao estilo do categorizado técnico Zeca Amaral, este que, a este hora, pensa já na estratégia a montar no jogo com o Porcelana na próxima jornada, a oitava, em Ndalatando.

Para esta "empreitada" os treinos retomam com intensidade amanhã, tendo em vista que o duelo com o Porcelana pode ser complicado, pois, trata-se de um adversário ainda a acusar a derrota (1-0) averbada na jornada anterior diante do Petro de Luanda e que tudo fará para complicar a recuperação que o Benfica está a ter em termos de prestação.

O técnico Zeca Amaral tem pela frente mais algum tempo para preparar a sua equipa. Da forma como nos treinos valoriza a entrega dos seus jogadores, da forma como se vislumbra os índices de motivação destes, tudo aponta, pois, que o Benfica de Luanda ainda pode falar alto nos jogos que restam para o fecho da primeira volta.

De resto, a equipa orientada por Zeca Amaral ainda pode crescer em termos de golos marcados. Só o Amido Baldé pode sair de cinco para mais.         A.FÉLIX

OPINIÂO DOS TÈCNICOS
Ivo Campos
BENFICA

“Nós podemos estar melhor”

"Sempre trabalhamos para que a equipa ganhe os jogos. Semana passada, também tivemos mais posse de bola, não nos deixaram ganhar o jogo com certos elementos que tivemos dentro do campo. É óbvio que tivemos que fazer um jogo de paciência, embora reconhecemos que não jogámos tão bem contra o Sagrada, embora que os atletas queriam jogar. Conseguimos os três pontos, estamos na linha da frente, terceiro lugar, mais um jogo sem sofrer golo podemos estar melhor.

Zoran Maki
"Segunda parte merece reflexão"


"Perdemos por uma bola sem resposta, mas jogámos a primeira parte em cima do adversário. A segunda parte foi muito cortada, com muito anti-jogo. Foi muito difícil continuar a criar mais oportunidades. É assim, perdemos o jogo, quando o nosso adversário aproveitou um livre directo. Não tivemos sorte, pois oportunidades tivemos com bolas a baterem nos postes. O futebol é assim, mas acho que a segunda parte merece uma reflexão".