Jornal dos Desportos

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Girabola

Voltou a alegria

Paulo Caculo - 13 de Fevereiro, 2017

Fotografia: JA IMAGENS

A vitória do Kabuscorp do Palanca, por 3-0, na deslocação ao terreno da Académica do Lobito e o triunfo do Recreativo do Caála na visita ao 1º de Maio, em Benguela, representa o principal destaque do fecho da primeira jornada do Girabola Zap'2017, disputado ontem.

Os palanquinos, tal como se previa, não tiveram dificuldades em justificar todo o favoritismo atribuído, diante de um adversário que se mostrou atrevido e disposto a complicar ao máximo a tarefa dos visitantes, mas não teve força colectiva suficiente para contrariar o enorme ímpeto ofensivo do adversário.

Mais do que vencer, a equipa de Romeu Filemon viu ainda brilhar os reforços Elber e Amaro, duas unidades que chegaram à equipa com boas referências, provenientes do Benfica. O guarda-redes defendeu tudo que havia para afastar da sua baliza e o lateral direito estreou-se a marcar com camisola dos palanquinos. Doutor Lamy foi o homem do jogo, ao rubricar dois golos, um dos quais de belo efeito.

Em Benguela, o Recreativo da Caála viu-se e desejou-se para derrotar o 1º de Maio, por 2-1, num jogo muito disputado, do princípio ao fim, com equilíbrio e com desfecho sempre imprevisto. Nuno Neto e Love fizeram os golos da equipa do Planalto Central ao passo que Alex reduziu para os benguelenses.

Na deslocação ao Lubango, o ASA de João Machado não conseguiu melhor que um empate sem golos (0-0) no confronto com o Desportivo da Huíla. Os aviadores viram frustrados os seus intentos por uma formação militar da Região Sul com a lição muito bem estudada.

O técnico João Machado disse no final do jogo disse que a sua equipa foi prejudicada pela arbitragem, mas, pelo lado contrário o seu homologo  Mário Soares condiderou que o jogo foi limpo. "À minha equipa, tenho de admitir, faltou ritmo de jogo mas ficou o sinal de que temos um plantel pronto para abordar positivamente o que ainda resta ao longo do campeonato".

ACADÉMICA-KABUSCORP
Estudantes na estreia
derrotados em casa


Três erros de marcação defensiva ditaram a derrota da Académica do Lobito no desafio contra o Kabuscorp do Palanca. Grande parte dos adeptos deixou o estádio nacional de O’mbaka aborrecidos, ante a satisfação de Doktor Lamy (27’ e 40’) e Amaro (53’), responsáveis pela desgraça dos estudantes do professor António Alegre que estreia no GirabolaZap da pior maneira.

Foi um começo que acabou por desvendar a fragilidade daquilo que representa o plantel da formação lobitanga para a presente campanha futebolística. Diante do Kabuscorp do Palanca assistiu-se a uma Académica tímida e com muita fraca determinação no ataque e na defesa. O meio-campo carburou pouco, daí à facilidade como sofreu os golos que ditaram a sua derrota na estreia.

Ainda assim, deu para ver a qualidade nalgumas unidades em campo. GTI, Jiresse, Adó Pena e Vado estiveram bem, porém incapazes de alegrar o público que acorreu ao estádio com o propósito único de participar da festa que há muito prometeu. A formação palanquina foi mais forte e acabou por sentenciar a partida com três golos que irritaram grande parte da assistência.

Lá se foram os três pontos que podiam ser evitados se a defesa fosse mais lesta na disputa dos lances diante da fogosidade dos atacantes contrários.
Foi duro! Muita gente chorou e acabou amargurada pelo sucedido. Na verdade, apesar de começar mal a campanha, a Académica do Lobito não esteve mal, sobretudo na segunda metade do jogo em que dominou e remeteu o adversário à defensiva. Só não marcou porque a defensiva contrária não permitiu. Fechou bem e anulou por completo as investidas dos estudantes.

O trio de arbitragem chefiado pelo internacional José Álvaro, assistido por Pedro Nguelengue e Emiliano Livongue, esteve à altura das encomendas. Apesar de falhar nalguns lances não comprometeu. Mostrou-se seguro e dignificou a arbitragem nacional. Por isso, merece da nossa parte distinção positiva. Nota 7.
 
 LAMY

O médio ala, Doktor Lamy, esteve em grande no jogo. Marcou dois golos, numa altura em que a Académica aparentava controlar o jogo. Os golos de rajadas por si rubricados desestruturaram por completo a estratégia montada pelo professor António Alegre que, diga-se de passagem, terá de trabalhar muito nos fundamentos. Lamy destapou o véu e as debilidades surgiram, para a tristeza dos adeptos e orgulho de Lamy que se revelou fracturante.