Jornal dos Desportos

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Girabola

Yamba Asha promete processar Amaral

Betumeleano Ferro - 22 de Setembro, 2015

Ministro dos Desportos indignado com comportamento dos adeptos no Stade Velodrome

Fotografia: Jos Soares

O jogo entre o Recreativo da Caála e o Benfica de Luanda, disputado domingo, no estádio do Caála, província do Huambo, para a 26ª jornada do Girabola, ficou marcado negativamente com a agressão física do treinador Zeca Amaral, do Benfica de Luanda, sobre Yamba Asha, jogador da equipa de casa.

A Angop, apurou que a agressão ocorreu no final do desafio, quando o jogador se dirigia, em festejos, ao balneário, tendo sido parado pelo treinador da equipa derrotada para o referido acto. Após ser esbofeteado no rosto, por Zeca Amaral, Yamba Asha foi violentamente empurrado, caindo ao chão, situação que gerou uma “enorme” revolta dos adeptos que invadiram o campo na tentativa de repostarem o acto protagonizado pelo treinador “encarnado”.

Valeu a pronta intervenção da Polícia Nacional, que soube controlar a fúria dos adeptos caalenses, evitando que algo de pior pudesse acontecer com o treinador da formação encarnada e seus atletas, incluindo alguns integrantes da delegação do Benfica de Luanda.

A animosidade entre o técnico e o ex-internacional angolano começou ainda com o jogo a decorrer aos 62', quando o timoneiro da águia da capital entrou no campo insurgindo-se com gestos violentos e gritos contra o jogador, que se encontrava caído depois de sofrer falta dura de um jogador contrário.

Depois de assistido pela equipa médica, Yamba Asha dirigiu-se rapidamente à zona onde se encontrava Zeca Amaral, tendo ambos criado alvoroço, que por pouco terminaria em cenas de pancadaria, tal era o tom de voz e os gestos. Devido a esta situação, o Benfica de Luanda ficou retido no balneário, sob fortes medidas de segurança da polícia, durante quase duas horas, depois do jogo terminar, já que os adeptos continuavam no portão de saída a aguardar pelo técnico.

De salientar que os anfitriões venceram os forasteiros, por 1- 0, com golo marcado por Paizinho, dois minutos depois do tempo regulamentar regulamentares, na sequência de um canto marcado por Dudú. Por outro lado, o vice-presidente do Benfica de Luanda, Mário Rocha, reconheceu a derrota tangencial sofrida. Em declarações à imprensa, o dirigente “encarnado” lamentou a falta de sorte, no golo sofrido, no tempo de compensação, e também nas acções de ataque.

Admitiu ter sido um jogo difícil, lembrando que o Benfica de Luanda teve muitas dificuldades para impor a sua qualidade futebolística, resultado que relegou a águia para terceira posição do campeonato nacional.

REACÇÃO
Depois da acusação que foi alvo, o treinador Zeca Amaral, em entrevista a TPA, cedido a Rádio Cinco, reagiu a denúncia e afirmou que não houve qualquer agressão ao atleta do Recreativo da Caála. "Não houve qualquer agressão de Zeca Amaral sobre o Yamba Asha", reagiu o técnico manifestando a sua inocência.

Desafiou e aconselhou as pessoas a recorrerem aos órgãos de justiça para dissiparem qualquer dúvida sobre o que aconteceu após o jogo de domingo no estádio Mártires da Kanhala.  "E se há agressão existem os procedimentos judiciais", sublinhou confiante nas suas declarações.

Por último, estimulou a parte lesada a recorrer aos métodos vigentes em casos desta natureza para se aclarar se houve ou não agressão. "Façam o exame de corpo delito ao Asha para vermos se ele foi agredido. É simples", clarificou o técnico da formação encarnada.

Águia perde altitude antes da decisão

A dupla jornada fora de portas, pôs em cheque as possibilidades matemáticas do Benfica de Luanda ultrapassar o Recreativo do Libolo, na luta pelo título. O empate com a equipa do Maquis e a derrota com a  da Caála, baixaram o vôo da águia para o terceiro lugar, a oito pontos do Libolo, com quem joga no domingo.

O único ponto somado em seis possíveis, pode condicionar até ao fim da competição, a campanha encarnada. Ainda que vença ao líder do Girabola, a diferença será de cinco pontos e coloca a equipa orientada por Zeca Amaral a depender de terceiros, no caso, as equipas que vão defrontar o campeão nacional, para depois poder sorrir na derradeira jornada.

Agora, com o campeonato a cinco jornadas do fim, o Benfica está quase sem chances de recuperar os pontos perdidos nos jogos com o Maquis e  com a Caála. É ponto assente, que os maus resultados das duas últimas rondas  condicionaram a atitude competitiva da equipa, que doravante deve consciencializar-se de que deve ganhar para voar para a liderança.

A fraca colheita de pontos, nos dois jogos fora, teve uma outra consequência imediata, permitiu ao 1º de Agosto ascender  a vice -liderança com mais um ponto de vantagem, 48 contra 47. Daqui a três jornadas, águias e militares vão jogar, como é previsível as duas equipas vão travar um duelo interessante.

O Benfica de Luanda parece estar em queda livre, há  quatro jornadas consecutivas que a equipa deixou de ganhar. A crise de resultados, instalou-se no ninho da águia, na recta final do campeonato e a equipa estava com bom balanço na segunda volta, mas de repente, ficou sem força competitiva, no  momento, em que os principais adversários, Libolo e 1º de Agosto aceleram sem parar.

O mau momento da equipa encarnada, chegou quando Zeca Amaral e pupilos precisavam de todos os pontos possíveis, para chegarem mais confiantes aos decisivos jogos com o campeão nacional e os rubro - negros. A partir de agora, a sorte final das águias no campeonato, já parece estar traçada, a menos que volte a acontecer uma inesperada reviravolta.

Agora faltam 12 pontos em disputa, mas até o próprio calendário dá poucos motivos para o Benfica ter esperança. Nesta jornada recebe o Libolo, a seguir vai ao Lobito enfrentar a aflita Académica do Lobito, na penúltima ronda, vai ter novo jogo desta feita com o 1º de Agosto, para  no fecho do Girabola defrontar o Kabuscorp.

Este, é um calendário deveras difícil para o Benfica, porque o Libolo, 1º de Agosto e o Kabuscorp são adversários directos na luta pelos lugares cimeiros da classificação final. Em qualquer um destes três jogos, existem as mesmas possibilidades de ganhar, empatar ou perder. A equipa até pode fazer o pleno, mas chegado aí, resta-lhe esperar para ver se juntando os pedaços consegue fazer a manta.