Jornal dos Desportos

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Futebol

1 de Agosto tramado por meia hora de atraso

Betumeleano Ferro - 05 de Dezembro, 2017

Militares com motivos de queixa do Conselho Jurisdicional em 1987 mas o protesto deixou de ser analisado por dar entrada com 30 minutos de atraso

Fotografia: Vigas da Purificao| Edies Novembro

A sanção disciplinar que colocou o Progresso da Lunda Sul fora do Girabola é inédita no campeonato nacional, mas a história é diferente na questão do recurso que a Federação diz que o clube não entregou no Conselho Jurisdicional.
O Jornal dos Desportos recorreu aos arquivos e descobriu que em 1987, a maior competição do nosso futebol também terminou com falatório. Foram vários os casos de secretaria que agitaram a prova, um deles, foi o 1º de Agosto com motivos de queixa do Conselho Jurisdicional, mas o protesto dos militares não foi analisado por dar entrada com 30 minutos de atraso.
Três décadas separam os acontecimentos, não apagam as coincidências, tal como agora. Na altura, a prova estava a uma jornada do final quando os rubro -negros entraram em cena com um protesto contra o Petro do Huambo, por má qualificação do atacante Picas.
Os militares esperavam rectificar, por força dos regulamentos, a derrota de 2-1, averbada no desafio da 24ª jornada, para reentrar na corrida pelo título, pois, com os dois pontos provenientes da secretaria, chegavam aos 35 pontos, ultrapassavam os alvi -negros e ficavam com menos dois pontos que o rival Petro de Luanda, primeiro classificado.
Os militares viram a esperança a tornar-se uma maldição, quando a Comissão de Regulamentação e Qualificação da FAF julgou improcedente o protesto. Sem perder o ânimo, o 1º de Agosto decidiu ganhar a causa no \"tribunal supremo\" da FAF.
O recurso realmente chegou a ser entregue no Conselho Jurisdicional, mas os \"juízes\" Rui Clington, Manuel Carneiro e António Óscar Neves fizeram \'adoecer\' o coração da nação rubro -negra com a sua decisão desfavorável.
Em defesa da dama, os três juízes do Jurisdicional foram rápidos em tornar pública, as razões da negativa dada aos militares. O argumento deu muito que falar, e a direcção do clube foi acusada de atitude negligente, porquanto, só deu entrada da papelada 30 minutos depois da hora normal de expediente da Federação.
Sem receio de apontar o dedo acusador, os três dirigentes CJ revelaram que o insólito era fácil de ser explicado. O 1º de Agosto devia entregar o seu recurso no Conselho Jurisdicional até às 17h00, do dia 27 de Novembro de 1987, mas aconteceu o inverso, o documento foi entregue às 17h30m.
Como as decisões do Supremo também são inalteráveis no futebol, o 1º de Agosto limitou-se a chorar e ranger os dentes de frustração, porque num curto espaço de tempo levou dois chumbos pesados seguidos da FAF, que adicionado ao anterior (ver outra peça) acabaram por ser determinantes para impedir que a sua participação na luta pelo título, durasse até a última jornada.