Jornal dos Desportos

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Futebol

43 anos de emoes

Srgio V. Dias - 12 de Novembro, 2018

Fotografia: Edies Novembro

Angola assinalou ontem 43 anos da proclamação da Independência Nacional pelo saudoso Presidente Doutor António Agostinho Neto, numa altura em que ainda faz eco pelo país e pelo mundo a fora, a recente conquista do título mundial dos nossos futebolistas adaptados. O feito, alcançado na última segunda-feira, depois de o combinado angolano vencer, no duelo da final do campeonato realizado em Guadalajara, México, a similar da Turquia por 5-4, após marcação das grandes penalidades. 
A data das comemorações dos 43 anos da conquista da Dipanda no país, é marcada por várias realizações à escala nacional, particularmente no que concerne as actividades desportivas. Por altura da celebração da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, o desporto no país era reflexo da situação vivida enquanto colónia portuguesa.
Desportivamente falando, o quadro apresentado, na altura, era praticamente nulo em relação às diferentes modalidades. O número de infra-estruturas para a prática do desporto era insuficiente, assim como o de praticantes.
A despeito disso, havia, igualmente, índices baixos no que se refere à prestação dos atletas nas várias competições internacionais. Porém, logo após à proclamação desta, o quadro começou a mudar significativamente, quer do ponto de vista da sua essência, quer em termos de conteúdo.
Houve, por assim dizer, uma subida de grau em termos de expansão do fenómeno desportivo, depois de 11 de Novembro de 1975. No virar desta página assinalável e marcante que o país testemunhou, foram-se encetando as grandes linhas de força do desenvolvimento desportivo, em que o Estado empenhava-se directa e activamente.
Neste período ocorre, ainda, a criação do Comité Olímpico e das Federações Desportivas, assim como de novos clubes, particularmente ligados ao futebol, apontada como modalidade-rainha, entre as várias, cujo movimento se começa a desencadear. Apesar desse momento, em que se encetou passos em direcção à melhoria e o progresso do desporto no país, houve factores, como a guerra que grassou no país por quase três décadas e outros, que dificultaram, sobremaneira, que se atingissem os objectivos traçados.
Em termos genéricos, a política desportiva do Governo de Angola assentou-se nas estratégias que assegurariam, a curto e a médio prazo, o desenvolvimento sustentável de um desporto com consistência programática, como em muitos casos foi propalado. Não obstante isso, o subsistema de desporto federado continua a ser o segmento determinante com várias federações, como as de futebol, futsal, andebol, atletismo, basquetebol, boxe, ciclismo, judo, luta, natação, taekwondo, ténis, tiro, vela, voleibol, karaté, hóquei em patins, xadrez e o desporto para deficientes.
Neste contexto, é imperioso sublinhar o facto de que grande parte destas modalidades ficavam, assim, filiadas ao Comité Olímpico Angolano (COA).
Também é mister recordar, nesse particular, que Angola, depois de alcançar a sua Independência Nacional, precisou de alguns anos para assumir-se, de facto, como uma potência continental, a nível de algumas disciplinas desportivas.
É nesse sentido que, hoje por hoje, o país assume a hegemonia do basquetebol em seniores masculinos, assim como do andebol feminino. Nas duas modalidades, Angola soma curiosamente onze e doze títulos continentais, respectivamente. A realização dos II Jogos da África Central, bem como de Campeonatos Africanos de Futebol, de Basquetebol e de Andebol, assim como do Mundial de Hóquei em Patins no país, são alguns dos momentos assinaláveis no mosaico desportivo nacional.
Nesse sentido, é importante destacar a participação da Selecção Nacional sénior no Mundial de Futebol, na Alemanha, em 2006, e a de Sub-20 no Mundial disputado na Argentina, em 2001, fruto do título africano conquistado na Etiópia no mesmo ano.  Feitos estes sob liderança do técnico angolano Oliveira Gonçalves. Outra nota de realce vai para a participação das Selecções Nacionais seniores feminina de andebol, assim como as masculinas de basquetebol e hóquei patins, em mundiais e Jogos Olímpicos.
A nível do desporto paralímpico Angola também se tem notabilizado, destacando-se, nesse particular, o título mundial conquistado por José Armando Sayovo, nesses 43 anos que o país acaba de assinalar da conquista da sua Independência Nacional.
Nesse rol de conquistas do desporto adaptado, junta-se o já referenciado título mundial de futebol com muletas, que permitiu que Angola inscrevesse, assim, o seu nome com letras garrafais neste evento. E a conquista obtida no México serve de motivo catalisador para a atenção especial, que deve ser dada aos portadores de deficiência, pois apesar dessa condição têm dado muitas alegrias para o país e não só. Não obstante, esta franja da sociedade, em muitos casos no seu dia-a-dia, se confrontar com o estigma da rejeição, tem sabido demonstrar o verdadeiro exemplo superação e de estoicismo. E, enfim, é uma conquista que se vem juntar ao calor dos festejos da nossa “Dipanda”.
A realização em 2014 e 2015 dos encontros nacionais do futebol e do desporto marcaram, sobremaneira, este movimento que se vem encetando a nível das diferentes modalidades, desde o alcance da Independência, a 11 de Novembro de 1975. Nota de realce, também nesse particular, para a aposta que o Executivo Central vem fazendo no capítulo de infra-estruturas desportivas, nesses dezasseis anos efectivos do alcance da paz no país.