Jornal dos Desportos

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Futebol

A praga da dependncia

Matias Adriano | Suez - 01 de Julho, 2019

Palancas Negras decidem qualificao segunda fase do CAN amanh frente ao Mali em Ismalia

Fotografia: Jos Cola | Edies Novembro

Mais uma vez Angola entra para o terceiro e último jogo da fase inicial de um campeonato africano a fazer contas à vida. Ou seja, a depender do desfecho deste jogo a ver se vai ou não para a fase seguinte da prova. A coisa, infelizmente,  diga-se de passagem, já se tornou uma rotina. 
Em oito presenças na prova, apenas em duas deu aos angolanos a felicidade de chegar à última jornada sem dependência de terceiros. Isto ocorreu nos CAN 2008, no Ghana e 2010 em Angola.
Em ambas logrou chegar aos quartos-de-fimal. Fora estas duas edições, uma às ordens de Oliveira Gonçalves e outra do português Manuel José, em todas as outras foi sempre a mesma borrada, de seguir para a última jornada na dependência de terceiros, e sem que em alguma ocasião tenha conseguido sobreviver.
Era suposto que, 23 anos depois, tivéssemos evoluído, a ponto de  se livrar do grupo de selecções mais medíocres,  mais limitadas e incapazes de se impor no futebol africano, uma clara demonstração de imaturidade competitiva sem explicação.
Em 1996, na primeira participação dos Palancas Negras, cuja prova disputou-se na África do Sul, depois de duas derrotas, uma na abertura com o Egipto (2-0) e outra a seguir com a África do Sul(1-0), foram para a terceira jornada, em Durban,  esperançados, já que mesmo com três pontos passariam desde que somassem uma boa margem de golos. Empataram(3-3) com Camarões e voltaram cedo à casa.
O mesmo voltou a repetir-se no Burkina Faso, dois anos depois. Com o empate(0-0) com África do Sul e outro a seguir com a Namíbia(0-0), Angola seguiu condicionado para a última jornada do Grupo. O adversário chamava-se Costa do Marfim, com quem viria a perder (5-2) para fim da prova.
Depois de um período sabático, a selecção voltaria a marcar presença na prova em 2006, por sinal aqui no Egipto. Derrotada pelos Camarões na primeira jornada(3-1), conseguiu empatar(0-0) com a RDC, renovando a esperança de qualificação. A última jornada era decisiva.
Mas diante de  um Togo sem grande expressão, perdeu por 3-2 e se lhe escancararam os caminhos para Luanda.
Bem sucedido nas edições do Ghana e de Angola, a saga derrotina  viria a prosseguir na Guiné Equatorial, em 2012, onde até entrou vitorioso  batendo na abertura o Burkina Faso (2-1). Pois, no segundo jogo foi incapaz de travar a fúria ganhadora da Costa do Marfim perdendo(1-0).
Mais uma vez a esperança ficou preterida para a última jornada, em que defrontaria o Sudão. Às coisas, entretanto,  não correram à contento. O empate(2-2), em Malabo, não foi suficiente para continuar em prova.
Um ano depois,  em 2013, na passagem da prova para anos ímpares, Angola apresentou-se na África do Sul,  com ares de mais adulto competitivamente. Fantástico na abertura, onde consegue impor m rigoroso(0-0) ao Marrocos, viria a perder (2-0) na segunda jornada com a anfitriã África do Sul.
Como sempre,  aguardou pelo milagre da última jornada. Mas foi incapaz de superar Cabo Verde, tido, à partida, como o mais fraco do grupo por 2-1, no jogo que viria a consagrar o técnico Lúcio Antunes, cooptado depois para o Progresso do Sambizanga. E o filme prossegue. Será uma praga?