Jornal dos Desportos

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Futebol

Académica do Lobito sofre uma forte sangria

Paulo Caculo - 27 de Janeiro, 2017

Estudantes do Lobito reforçados com jovens saídos dos escalões de formação do clube para a nova temporada

Fotografia: Dombele Bernardo

O grande desafio da nova equipa técnica da Académica Petróleos do Lobito será construir um conjunto novo, capaz de evitar que se ressinta da ausência dos jogadores fundamentais que constituíram a estrutura óssea da equipa em 2016, segundo o  treinador dos estudantes, António Alegre.

O novo treinador da Académica do Lobito, que falava ao nosso jornal, no âmbito da pré-época da equipa, mostrou-se lacónico no seu discurso, sublinhando não haver, por enquanto, muito que se diga em relação a preparação da equipa, já que o grande trabalho tem sido tentar encontrar soluções para preencher o enorme vazio deixado com a saída de jogadores considerados fundamentais.

"Estamos a espera de reforços. Neste momento o que temos procurado fazer é dar espaço no plantel a alguns jogadores dos escalões de formação. Estamos a trabalhar com o grupo, no sentido de construirmos uma equipa que possa fazer um campeonato sem grandes sobressaltos", disse, antes de finalizar.

"Estamos todos na expectativa de receber apoios, porque o presidente do clube (Luís Borges) tem estado a fazer grandes esforços, mas a situação não está fácil", acrescentou António Alegre.

Consta, no entanto, que a direcção do clube liderado por Luís Borges tem procurado digerir, como pôde, a sangria que abalou o plantel, com a saída de pelo menos dez atletas que constituíram, em 2016, a estrutura óssea da equipa. Entre os nomes mais sonantes que deixaram o plantel dos estudantes destacam-se o guarda-redes Fany, os médios  Higino, Lourenço, Ruben e Chiló, o avançado Tshabalala e os defesas Libero, Nany e Bruno.

No centro da "fuga" destes atletas, segundo consta, está o facto de os mesmos terem finalizado os seus contratos e a direcção do clube não mostrou capacidade financeira para mantê-los no plantel. Tais jogadores acabaram aliciados por outros clubes que gozam de melhor saúde financeira.

Dada a grande contrariedade, a equipa técnica pode vir a enfrentar sérias dificuldades em formar um conjunto forte e capaz de ombrear com as demais equipas no Campeonato Nacional. A perda de jogadores influentes na manobra ofensiva da Académica do Lobito tem deixado a direcção, os treinadores e os adeptos apreensivos em relação ao futuro.

A situação tem obrigado a solidariedade da direcção da Administração Municipal do Lobito (ver texto à parte) e de alguns  empresários locais, a exemplos de Pinto Conto e Silvestre Kissari, da Crisgunza, que se têm mostrado sensíveis às necessidades do clube. De igual modo se tem pedido a intervenção de João Lourenço, um filho da terra atento aos problemas da Académica do Lobito.


ADMINISTRADOR DO LOBITO
Ngongo exorta apoio aos estudantes


O administrador municipal do Lobito, Alberto Ngongo, exortou ontem a sociedade lobitanga a solidarizar-se com o período complicado que enfrenta o clube Académica do Lobito, representante da cidade no Girabola Zap 2017.

O governante disse ser imperioso que a sociedade empresarial local e todas as forças vivas do Lobito contribuam com algum valor financeiro para ajudar a tirar a Académica do marasmo em que se encontra. 

"A equipa é de todos nós, vai representar todos os lobitangas no Campeonato Nacional e precisa da nossa ajuda. A Académica não precisa apenas de aplausos, mas também do apoio dos sócios. Temos conhecimento que os sócios não cumprem com as suas obrigações, razão pela qual sugerimos que a direcção mobilize alguns apoios, que vá ao encontro dos Sindicatos, para que os funcionários públicos contribuam com para engordar o orçamento da Académica", adiantou-se a frisar o governante.

"Todos devemos nos rever na Académica, contribuindo com alguma coisa. Se cada um dos empresários da cidade contribuir com mil kwanzas mensal, acho que o clube estaria bem financeiramente no futuro", acrescentou.

Alberto Ngongo reitera o apoio institucional que sempre a Administração Municipal do Lobito disponibilizou, mas sobretudo aproveita para lançar o seu apelo para que as pessoas contribuam com o pouco que têm para ajudar o clube.

"Somos na cidade do Lobito, 393 mil e 79 habitantes e, se cada um dos cidadãos maiores de 18 anos contribuir com cem kwanzas, tenho a certeza que a Académica estará melhor financeiramente. Mas a iniciativa tem de partir também da direcção do clube e deve fazer outras acções promocionais com o seu equipamento. Acho que as pessoas vão despertar para este apoio", perspectivou.