Jornal dos Desportos

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Futebol

Albano Csar defende maior organizao dos clubes

Gaudncio Hamelay, Lubango - 08 de Agosto, 2019

Treinador espera que as dificuldades financeiras sejam ultrapassadas

Fotografia: Santos Pedro, Edies Novembro

O técnico principal do Cuando Cubango FC, Albano César, defendeu na cidade do Lubango, maior organização administrativa dos clubes no aspecto financeiro, para evitar desistências no Campeonato Nacional da Primeira Divisão.
O treinador indicou, que a solução passa por um processo organizativo, porque as direcções dos clubes sabem perfeitamente, que quando ascendem a primeira divisão as despesas são maiores, porém, esperam por patrocínios que nem sempre surgem.
“Então, na minha opinião, acho que essa precaução deve ser devidamente precavida, para que não haja esses dissabores no desenrolar das competições. Nós já tivemos equipas, que desistiram no meio do campeonato, o que não é agradável”, disse.
Albano César felicitou a direcção e os jogadores do Saurimo FC, que tiveram a grande coragem de, o ano passado, conseguirem terminar o campeonato com muitas dificuldades. Lamentou o facto de não haver orçamentos para algumas equipas, mas “há para outras”.
Deplorou o facto de termos equipas a disputarem a segunda divisão, para entrarem em condições difíceis com falta de dinheiro e apoios garantidos. “Apesar disso, elas (equipas) querem entrar e depois começam logo a manifestarem indisponibilidade para competirem”, sublinhou.
Disse mais adiante, que “acho ser preciso um pouco de precaução e não nos emocionarmos e levarmos um ritmo, que depois venha pesar sobre vários critérios de responsabilidade para a nossa federação e também aquilo que é a presença de mais clubes no Girabola”, referiu.
Para tal, sublinhou que as equipas precisam de ter um processo organizativo, pois as direcções dos clubes sabem que é necessário ter-se muita precaução, acrescentando que “isso recai fundamentalmente naquilo que é a organização administrativa dos clubes, no aspecto financeiro fundamentalmente”, destacou e alertou para a necessidade de uma melhor preparação.
“Não tendo verba, não deve arriscar, para depois não virem dizer que o governo vai apoiar ou o sicrano, situação que, por vezes, acaba por não acontecer. Portanto, são situações que não abonam naquilo que se pretende, isto é, a melhoria do nosso futebol”, defendeu.
 
APOIO
“Os governos provinciais devem criar políticas”


Albano César sugere, que haja uma grande reflexão sobre o “fenómeno” desistência das equipas e ver o que se pode fazer para o nosso desporto. Destacou, que se o Estado pode ajudar os clubes a suportarem os gastos, no sentido de transmitirem uma certa tranquilidade e segurança, independentemente das condições que venham a ser impostas, como prestação de contas e outras formas de justificarem os gastos, devem ser definidas.
Apontou ser necessário que os clubes também criem uma estabilidade. “Neste momento, não é fácil uma grande contribuição da sociedade. Por mais que queiramos criar um grupo de sócios, nem todos participam. Portanto, é difícil, mas precisamos do desporto na nossa sociedade”, avançou.
Recordou que o desporto tem uma influência muito grande nas sociedades daí, “a necessidade de incrementarmos o desporto, pois esta tem levado a nossa bandeira ao mais alto possível e distante.
E Angola tem uma grande imagem, por estar presente nos mundiais”, ressaltou.
Reconheceu serem poucos os clubes que têm sido suportados por instituições e lamentou o facto de outras viverem de capital próprio, mas sem capacidade para fazerem face a competição, colocando em causa a verdade desportiva. “E os demais como é que será? Esta divergência é que nós temos que tentar encontrar uma solução”, declarou.
“Precisamos de auxílio de alguém. E este auxílio deve ser fundamentalmente, por parte do nosso Estado. Os nossos governos devem tentar criar uma possibilidade de ajudarem nesse sentido, porque não é fácil encontrar um milionário, que venha patrocinar um clube. Não é fácil encontrar uma sociedade que conjugue ideias, porque toda gente vai reclamar que o salário é pouco, e tirarmos as vezes mil kwanzas por mês pesa a muita gente”, asseverou.