Jornal dos Desportos

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Futebol

Andr Nzuzi d receita para regresso do 1 de Maio

Betumeleano Ferro - 07 de Fevereiro, 2019

Antigo lateral direito proletrio defende reteno dos atletas no clube por mais tempo

Fotografia: Kindala Manuel | EDIES NOVEMBO

O 1º de Maio de Benguela tem de resistir à tentação de regressar o mais rápido possível ao Girabola Zap, pois é este tipo de mentalidade que tem feito a equipa proletária queimar etapas com sucessivas subidas e descidas de divisão, revelou André Nzuzi, antigo ex-atleta e técnico. Perfeito conhecedor dos cantos da casa que ajudou a engrandecer, ele assegurou que a organização e a união, aliadas à formação, podem devolver aos proletários o poder competitivo que perderam nas últimas épocas. Sem receio de meter o dedo na chaga, André Nzuzi diz que algumas direcções do 1º de Maio não têm estado à altura da história do clube.
\"O problema está no dirigismo, na gestão que tem faltado e que depois faz com que vire moda o atleta ficar meses sem salários, se reclamar é afastado, contratam outro que ao abrir os olhos também é afastado\", lamentou.
Além dos atletas, alguns treinadores também acabam por receber o mesmo tratamento, nunca lhes é dada todas as condições necessárias para desenvolver o seu trabalho, mas a cobrança é sempre a mesma, sob pena de despedimento, \"infelizmente, é isso o que fazem com os técnicos\", deplorou.Questões de ego acabaram por dividir os proletários em alas, o resultado tem sido desastroso e é, para André Nzuzi, uma das razões para o insucesso do 1º de Maio no campeonato.
\"As coisas são feitas com base na amizade, enquanto não houver união há o risco de acontecer o mesmo que aconteceu ao Sporting de Benguela, isso depois acaba também por dividir até os próprios adeptos\", afirmou. Se os proletários desejarem, até podem apostar numa receita caseira, \"a província tem talentos que podem ser bem aproveitados\", que teriam de ser confeccionados por ex-glórias do clube com o perfil certo.
\"Há vários ex-atletas com a escolaridade necessária, que deveriam ser chamados para trabalhar na formação, podem ser úteis para trabalhar com os jovens talentos, que ainda existem na província\", garantiu.Sempre que tentou apostar na formação, o 1º de Maio conseguiu colher muitos bons frutos, é por isso que André Nzuzi mostra-se convicto de que os proletários podem voltar a sorrir, sem precisar de gastar rios de dinheiro com reforços.
\"Eu quando me convidaram para ser o director-técnico, levei um projecto em que defendia que, primeiro, era ter base de sustentabilidade, cuja continuidade seria nos seniores\", afirmou.O 1º de Maio perdeu a capacidade financeira de ombrear com os melhores do campeonato, mas nem por isso deve persistir no erro de perder os seus valiosos talentos sem ganhar muito com isso.
\"Eu não sou contra a venda dos bons jogadores, mas acho que eles podem render muito mais se não saírem tão cedo, às vezes o atleta desponta numa época e é logo vendido\", lamentou.


DÍVIDA DE 2017
Proletários
recebem ultimato
para pagar técnico


O ditado mais vale tarde do que nunca, acaba de se aplicar a André Nzuzi. A FAF, no seu último comunicado, dá um derradeiro prazo de 30 dias ao 1º de Maio para que pague todos os \"valores monetários reclamados\" pelo treinador. Quando contou o seu caso ao Jornal dos Desportos, o Conselho de Disciplina demorava a tomar a decisão que fazia  o queixoso pensar, que tudo estava engavetado.
Quando foi queixar-se à federação, André Nzuzi estava à espera de uma decisão favorável, mas as coisas não aconteceram do jeito como queria.
\"A minha ideia não era chegar até este ponto, mas fui obrigado a fazer uma queixa, estava a contar que seriam castigados no início da época passada, mas não foi isso o que aconteceu\", afirmou.
O desenlace com os proletários aconteceu, quando o ex-capitão foi despedido pouco tempo depois de ser contratado para exercer as funções de director-técnico. \"O presidente Wilson queria que fosse eu no cargo, fiquei lá algum tempo mas infelizmente, fui afastado e não fui pago, é por isso que fiz uma queixa à FAF\", esclareceu.
A falta de cumprimento do 1º de Maio deixou André Nzuzi de mãos atadas, \"o meu filho perdeu o ano na faculdade, também por causa dessa dívida que foi contraída em 2017\", mas o que magoou mesmo foi o tratamento desigual que o nosso interlocutor diz ter recebido.
\"Quando cheguei, as coisas no terreno eram outras, não tinha condições de trabalho, passei outras dificuldades, mas doer ver que me viam como inimigo\", desabafou.
Embora prefira não citar nomes, André Nzuzi diz ter constatado que não era o único a quem estavam a dar motivos de queixa.
\"Não havia condições para os que trabalhavam na formação, eu sentia uma certa tristeza ao ver os sacrifícios que eram feitos até nos dias de jogos\", afirmou.
As desilusões acumuladas, durante o período em que desempenhou o cargo de director-técnico, foram suficientes para concluir que parecia haver uma intenção escondida.
\"O grande problema que notei é que estavam a afastar todos os que eram do 1º de Maio de coração, muitos dos que ficaram lá não eram do 1º de Maio, porque faziam as coisas com base na amizade\", esclareceu.
A maneira como saiu do 1º de Maio fez com que André Nzuzi meditasse, para encontrar respostas no passado.
\"As coisas já não são mais como eram no nosso tempo, mas há pessoas, como o Rui Araújo e outras que estiveram na fundação do clube, que poderiam ser chamadas, neste período conturbado, para darem o seu apoio para que a equipa consiga recuperar a sua mística\", rematou.