Jornal dos Desportos

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Futebol

Angola acredita

Srgio V.Dias , em Francistown - 21 de Março, 2019

Palancas Negras jogam amanh cartada decisiva frente as Zebras em Francistowm

Fotografia: Vigas da Purificao | Edies Novembro

A Selecção Nacional de futebol em honras, sob comando técnico do sérvio Srdjan Vasiljevic, reconhece esta tarde o relvado do Estádio de Francistown, palco amanhã do desafio que a opõe a similar do Botswana, referente a sexta e última jornada do Grupo I da campanha de apuramento a Taça de África das Nações. Para já, uma vitória frente as Zebras tswanesas é resultado preconizado pela equipa técnica do conjunto.
Com efeito, Vasiljevic e pupilos têm consciência da espinhosa missão que lhes reserva este duelo com os tswaneses, que apesar de já não terem nada perder e nem tão pouco a ganhar, ainda assim vão procurar fazer jus à sua condição de anfitriões, para dificultar ao máximo a tarefa dos Palancas Negras. A conquista dos três pontos, para os angolanos, assume-se tão crucial como se de pão para a boca se tratasse.
É verdade que o adversário, mesmo já sem qualquer chance de se qualificar para o Campeonato Africano das Nações (CAN) deste ano, que acontece no Egipto de 21 de Junho a 19 de Julho próximos, ainda assim vai procurar jogar pela honra e prestígio.
Apesar de actuar na condição de forasteiro, o combinado nacional é, assumidamente, favorito à conquista da vitória, um facto que, para já, terá de provar em campo.Vitorioso nos três jogos realizados em casa desta campanha selectiva a grande montra do futebol africano, que o Egipto volta a acolher treze anos depois, Angola busca em Francistown, além da sua primeira vitória extra-muros nesta caminhada, os três pontos que lhe permitem carimbar o passaporte para a grande cimeira continental.
E isso só se poderá consumar com atitude ousada e, acima de tudo, com determinação dos jogadores.Efectivamente, a vitória é o melhor dos cenários que pode ocorrer para o conjunto às ordens do sérvio Srdjan Vasiljevic, já que o Burkina Faso, apontado, a partida, como conjunto mais forte do grupo, vê hoje a sua sorte dependente de terceiros e, particularmente, daquilo que venha ser a prestação de Angola nesta derradeira jornada. Um eventual deslize dos Palancas Negras frente as Zebras, pode colocar os Cavalos na rota do Egipto, mas desde que vençam em Ouagadougou, sua casa, a já qualificada Mauritânia.
Por isso mesmo, tal como o fizeram na recepção as Zebras a 9 de Setembro de 2018, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, os Palancas têm de procurar ser igualmente eficazes nesta deslocação a Francistown.E a eficácia que os adeptos da Selecção Nacional rogam aos pupilos de Srdjan Vasiljevic é que consigam, também, um triunfo, mesmo que seja pela margem mínima, como ocorreu em Setembro do ano passado, quando Gelson Dala fez as honras da casa, apontando o tento de Angola.
Também é verdade que o profícuo jogador do Rio Ave, de Portugal, que esteve acometido com uma lesão durante três meses e que só na semana passada iniciou o trabalho campo com a sua equipa, não pode fazer parte da festa em Francistown, mas ainda assim há outros recursos no xadrez do conjunto angolano.
Porém, como a melhor defesa é o ataque, Angola tem de procurar ser eficiente neste duelo com Botswana, fazendo bem as transições da defesa para o sector ofensivo e ensaiar, sobretudo, um esquema que permite fechar bem as linhas de passe do adversário.Portanto, recomenda-se ao combinado nacional uma atitude ousada, mas sem descurar, todavia, a redobrada vigilância que deve merecer a zona defensiva, em que, na certa, será o principal alvo dos tswaneses neste jogo de Francistowm.

 

JOB DE FORA

O médio Job, que havia sido repescado pelo seleccionador nacional, acabou por não seguir ontem para Francistown. Srdjan Vasiljevic deixou igualmente de fora para o jogo decisivo os atletas Mano Calesso, Dasfaa, Mira, Ndulo e Tó Carneiro.  A caravana da FAF, que integra 64 pessoas, entre dirigentes e membros da equipa técnica, conta com 23 jogadores, entre eles o capitão Mateus Galiano que falha o jogo por acumulação de cartões amarelos. Os jogadores à disposição de Srdjan Vasiljevic são: Landu, Tony Cabaça e JB (guarda-redes); Massunguna, Wilson, Buatu, Eddie Afonso, Bastos, Paizo e Isaac (defesas); Herenilson, Show, Fredy, Djalma, Manguxi, Stélvio e Geraldo (médios); Vá, Igor Vetokele, Wilson Eduardo, Chico e Mabululu (avançados). O seleccionador nacional pode começar o jogo de amanhã com o seguinte onze: Landu; Jonathan Buatu, Bastos, Dani Massunguna e Paizo; Show, Herenilson, Job e Fredy; Wilson Eduardo e Djalma Campos.

HISTÓRICO
Angolanos em vantagem nos jogos 


Botswana e Angola vão cruzar-se pela 13ª vez, no seu historial, quando se defrontarem amanhã, em Francistown . O primeiro confronto entre os dois conjuntos ocorreu, precisamente, em 1984, por ocasião dos festejos do 18º aniversário da independência dos tswaneses, assinalada a 30 de Setembro de 1966, tendo o resultado se saldado numa vitória dos angolanos por 3-1.
Em 12 jogos entre ambos os conjuntos, quer oficiais, quer amistosos, os Palancas Negras assumem vantagem sobre as Zebras, designação por que é conhecida a selecção do Botswana, pois venceu em seis ocasiões, perderam em duas e empataram quatro vezes.
No último duelo que os dois conjuntos se bateram entre si, isto já para corrida a edição do Campeonato Africana das Nações (CAN), que o Egipto acolhe entre Junho e Julho próximos, isto a 9 de Setembro de 2018, Angola venceu o Botswana por 1-0.
Neste jogo disputado no Estádio Nacional 11 de Novembro, Gelson Dala, jogador que enverga a camisola do Rio Ave de Portugal, apontou o golo solitário.
Amanhã, quando jogar pela 13ª vez diante deste mesmo adversário, a Selecção Nacional está condenada a vencer, seja lá por que resultado for, para garantir, assim, a sua oitava presença na grande montra do futebol africano. O Egipto tem privilégio de organizar esta 32ª edição do CAN, depois de, curiosamente, tê-lo feito já na edição de 2006, em que Angola participou e sob orientação de Oliveira Gonçalves. 

JOGO COM ANGOLA
Zebras com “reforços” sul-africanos

Mogomotsi Mpote “Teenage”, treinador que dirige interinamente o Botswana, em substituição do recém-demitido oficial reformado do exército tswanês David Bright, 63 anos, convocou para este jogo com Angola, 24 jogadores.
O actual seleccionador admite ter tido problemas para formar um sector ofensivo coeso, razão pela qual optou por chamar dois jogadores, que evoluem na África do Sul, respectivamente Kabelo Seakanyeng e Makgantai Onkabebe. 
O primeiro actua no Chippa United, ao passo que o segundo representa a formação do Boraka. Kabelo Seakanyeng desempenha um papel fundamental no meio campo da equipa e é detentor de um forte remate. 
Já o internacional Makgantai Onkabebe, que se tem vindo a revelar como o principal abono de família do ataque tswanês, é muito forte no jogo aéreo e remata com os dois pés, razão pela qual deve ser visado de perto pelos centrais de marcação dos Palancas. 

OS CONVOCADOS
Para este jogo com os Palancas Negras, o técnico das Zebras convocou os guarda-redes Keeagile Kgosipula (All Rollers) e Ezekiel Morake (All Galaxy); os defesas Thatayaone Ditlhokwe (Rollers), Kitso Mangolo, Thabo Leinanyane, Thato Kebue, Fortunate Thulare (All Galaxy), Mothusi Johnson (Orapa United), Alphord Velaphi (GU), Lesenya Ramoraka (Highlands Park, África do Sul); os médios Segolame Boy, Gape Mohutsiwa, Mothusi Cooper (All Rollers), Lebogang Ditsele, Gilbert Baruti, Thero Setsile (All Galaxy), Gofaone Mabaya (Orapa United), Phenyo Serameng (BDF XI), Brian Mankanku (Gunners) e Mpho Kgomo (Police XI) e os atacantes Tumisang Orebonye (All Rollers), Omaatla Kebatho (Orapa United), Kitso Mpuisang (Prisons XI) e Onkabetse Makgantai (Baroka United, África do Sul).Mfolo Mfolo, presidente da Associação de Futebol do Botswana (BFA), por sua vez, anunciou que, no desafio diante de Angola, os pupilos de Mogomotsi Mpote “Teenage” vão utilizar um novo equipamento desportivo, no caso de marca Umbro.