Jornal dos Desportos

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Futebol

Angola esteve mobilizada para vitria

Srgio V.Dias , em Francistown - 25 de Março, 2019

Vitria da Seleco Nacional em Francistown destacada por dirigentes do futebol

Fotografia: DR

Vários agentes desportivos angolanos, que integraram a comitiva da Selecção Nacional de futebol de honras, que se deslocou a cidade de Francistown e que na noite de sexta-feira última testemunharam o triunfo do conjunto sobre o Botswana, enalteceram o feito.

Interpelados pela nossa equipa de reportagem após a vitória, os mesmos não se inibiram em realçar o facto de Angola assumir, à partida, o favoritismo neste jogo pontuável, para sexta jornada e última do Grupo I da corrida a 33ª edição da Taça de África das Nações.Armando Augusto Machado, antigo presidente de direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), disse ter acreditado, deste início, que os Palancas Negras saíssem deste jogo do Botswana vitoriosos e que, paralelamente, se qualificariam para o Egipto-2019.

“Foi uma vitória da credibilização do nosso futebol e que pode catapultar a Selecção Nacional, para lugares que já haviam conquistado anteriormente e que, todavia, faz com que Angola mereça o respeito em África e resgate a mística de outros tempos”, frisou.O ex-líder do organismo que superintende o futebol no país, admitiu que o favoritismo de Angola nunca esteve em causa neste duelo da corrida ao Campeonato Africano das Nações (CAN) e que, em momento algum, receou os chamados “jogos de bastidores”.“É verdade que o Botswana já não tinha nada a perder e nem ganhar, à partida, mas como era previsível, tentou estorvar o objectivo de Angola de conquistar os três pontos. Quanto aos ditos jogos de bastidores, que são recorrentes em provas do futebol do nosso continente, penso que os Palancas vieram para o Botswana com a lição bem estudada e preparados para ultrapassar todos obstáculos que lhes cruzasse no caminho”, disse.

Armando Machado lembrou, por outro lado, que, à entrada da sexta jornada das eliminatória de apuramento ao CAN deste ano no Egipto, o Burkina Faso, o outro conjunto com possibilidades de se qualificar para a Taça das Nações deste ano, ganhou notoriedade em África durante o seu “consulado” na FAF.

Pascoal Sipata, antigo árbitro e hoje investido nas funções de presidente da Associação Provincial de Futebol (APF) do Namibe, foi outro dos entrevistados do Jornal dos Desportos, em Francistown, que exaltou a vitória de Angola.“A depender exclusivamente de si, para se qualificar ao CAN deste ano, sempre acreditei que a Selecção Nacional não desperdiçaria este oportunidade de lograr esse feito, apesar de actuar na condição de visitante”, disse o ex-árbitro da primeira categoria nacional.

Pascoal Sipata enalteceu, por outro lado, a mobilização que houve em torno do jogo realizado em Francistown, cidade que dista a 400 quilómetros da capital tswanesa, Gaberone, e onde os Palancas venceram a congénere por 1-0, repetindo a dose de Luanda, na primeira volta do Grupo I destas eliminatórias da corrida ao Egipto-2019.

“Depois de falharmos as edições do CAN de 2015 e 2017, na Guiné-Equatorial e no Gabão, hoje, felizmente, confirmamos o regresso à elite do futebol continental com este triunfo de 1-0 sobre o Botswana, aqui em Francsitown”, disse Pascoal Sipata.Por conseguinte à voz de Armando Machado e de Pascoal Sipata junta-se a de António Pitra Neto, presidente da APF do Cunene, que, à semelhança do seu homólogo do Namibe, destacou a mobilização que houve para este jogo, que Angola efectuou com o Botswana.

“Viemos para o Botswana para dar a força necessária e empurrar a nossa selecção para mais uma vitória. Felizmente para nós, angolanos, este objectivo se consolidou e a nossa selecção qualifica-se, mais uma vez, para um CAN”, sublinhou.António Pitra Neto destacou, ainda, o facto de, a excepção da APF de Cuando Cubango, todas as das demais províncias do país se fizeram representar em Francistown, para este jogo com o Botswana, que se assumia como importante para os desígnios de Angola.

PALANCAS NEGRAS
Percurso iniciado com derrota em Ouagadougou 


Quatro vitórias, três delas em casa e outra extra-muros, permitiram que Angola lograsse a sua oitava presença num Campeonato Africano das Nações (CAN), nesta caminhada iniciada em Junho de 2017 em Ouagadougou, Burkina Faso, e que terminou sexta-feira em Francistown, Botswana.
 É verdade. À entrada da sexta e última jornada do Grupo I da corrida a grande montra de futebol africano, que o Egipto vai albergar, a Selecção Nacional só precisava de uma vitória para assinalar mais este feito da sua história.
Porém, até o empate ou derrota frente ao Botswana, no duelo que fechou as contas da campanha, serviria para Angola, mas isto desde que o Burkina Faso obtivesse o mesmo resultado que os Palancas Negras no jogo de recepção a Mauritânia, em Ouagadougou.
Mas, felizmente para os seus os intentos, os angolanos fizeram o que lhe competia frente as Zebras tswaneses e, não precisando em consequência disso, de favores de quem quer que fosse. Foi, a bem da verdade, uma vitória do querer, da determinação e da maior perspicácia, que os pupilos de Srdjan Vasiljevic evidenciaram em campo frente a selecção do Botswana, em Francistown, fruto do tento solitário de Wilson Eduardo.
Durante os seis jogos da caminhada para o CAN do Egipto, os Palancas perderam a 10 de Junho de 2017 com o Burkina Faso, em Ouagadougou, na ronda inaugural do Grupo I, por 3-1depois receberam e venceram, em casa, a 9 de Setembro de 2018 ao Botswana por 1-0. Já no fecho das contas do primeiro turno voltaram a triunfar em casa, desta feita sobre a similar da Mauritânia, por 4-1, em Luanda, a 12 de Outubro.
No arranque da segunda volta desta fase de apuramento à grande cimeira do futebol continental, Angola voltou baquear extra-muros, ao perder com a selecção mauritaniana, em Noakchoutt, por 1-0, cinco dias depois.
A 19 de Novembro último ocorreu um novo triunfo na capital angolana, por 2-1, sobre o cavalos burkinabes. Essa vitória antecedeu o jogo das decisões finais, em que os Palancas Negras arrancaram a ferro e fogo três pontos no confronto com as Zebras twanesas, em Francistown, na noite de sexta-feira última. 
Nesta campanha selectiva a 33ª edição de um CAN, salta à vista, o facto de, pela primeira vez no seu historial, a Selecção Nacional terminar  na primeira posição do Grupo. Recorde-se que Angola ficou a frente do Grupo I da corrida ao Egipto-2019 com 12 pontos, a “ex-aquo” com Mauritânia, no segundo posto. 
O Burkina Faso, que entrou nesta campanha com estatuto de vice-campeão continental, quedou-se no terceiro posto com nove pontos, ao passo que o Botswana segurou a “lanterna-vermelha”, com apenas um.

PAIZO E HERENILSON
Os totalistas da campanha
No decurso dos seis jogos que a Selecção Nacional efectuou no Grupo I da corrida ao Campeonato Africano das Nações (CAN) deste ano, com palco no Egipto de 21 de Junho a 19 de Julho próximos, Paizo e Herenilson foram os dois totalistas.Na campanha dos Palancas Negras iniciada a 10 de Junho de 2017, com uma derrota de 3-1, frente a similar do Burkina Faso, em Ouagadougou, e encerrada sexta-feira, em Francistown, com um triunfo sobre Botswana, quer o jogador do 1º de Agosto, quer o do Petro de Luanda, totalizaram os 540 minutos dos referidos jogos. Eis a seguir o quadro para se ter uma melhor ilação de como os Palancas actuaram nos seis jogos desta corrida ao CAN-2019.
                              

Atleta                             Tempo
Paizo                              540 minutos
Herenilson                 540 minutos
Gelson Dala             450 minutos
Bastos                          450 minutos
Lando                           360  minutos
Joaquim Adão        360 minutos
Mira                                 270 minutos
Show                              242 minutos
 Massunguna           227 minutos
Mateus Galiano     224 minutos
Nary                                180 minutos
Buatu                             180 minutos
Isaac                              180 minutos
Fredy                             173 minutos
Vá                                     120 minutos
Wilson Gaspar        133 minutos
Geraldo                           95 minutos
Macaia                             90 minutos
Nelson da Luz           90 minutos
Tony Cabaça               90 minutos
Gerson Barros           90 minutos
 Kusunga                        90 minutos
Wilson Eduardo        90 minutos
Ary Papel                        77 minutos
Igor Vetoke                   77 minutos
Stélvio                              54 minutos   
Manguxi                          45 minutos
Rudy                                  45 minutos
Dudu Leite                    23 minutos
Job                                     18 minutos
Mário Balbúrdia         10 minutos
Mabululu                        08 minutos