Jornal dos Desportos

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Futebol

Angola forada a manter viva a esperana

Betumeleano Ferro - 17 de Novembro, 2018

Palancas Negras sem margem para erro no duelo de amanh no 11 de Novembro diante dos Etalons

Fotografia: Contreiras Pipas | Edies Novembro

A última chamada para o CAN dos Camarões, em 2019, foi feita para Angola e o Burkina Faso. Quem perder amanhã - o jogo começa às 16h00, no 11 de Novembro - vai ficar numa posição muito indelicada, sem muitas chances de conseguir se apurar para o africano.
Em pior condição, porque está fora da zona de qualificação, o combinado angolano está sem escolha, ou vence e mantém a esperança ou obtém um outro resultado e começa a se preparar para declarar o fracasso na corrida ao CAN 2019.
Um escasso ponto coloca Angola atrás do Burkina Faso, fica fácil perceber por que o triunfo é condição indispensável para os Palancas Negras. A corda está no pescoço do combinado nacional, mas a vitória pode ajudar a desapertá-la com sucesso e esperança, ainda mais porque vai ser determinante para ultrapassar o concorrente directo.
As contas dos dois antagonistas são fáceis de fazer, mas nesse momento os Etalons, denominação do Burkina Faso, não estão muito focados na calculadora, porque sabem quem está sob obrigação de fazer somas e multiplicações, para ver se chegam ou não para o apuramento.
O facto de a pressão estar do lado angolano é bom e mau ao mesmo tempo, tudo vai depender da maneira como os Palancas Negras vão lidar com o fardo, que têm nas costas. O peso da responsabilidade tem de aumentar a revolta no seio da selecção nacional, o mais importante é que os atletas se comprometem primeiro com o resultado, não há outra prioridade para Angola, vencer primeiro e deixar o resto para depois, tem de ser o lema durante o tempo regulamentar.
As recentes experiências de Angola com o Burkina Faso foram de má memória, sobretudo por questões de bastidores levantadas pelo adversário, mas a realidade agora é diferente, chegou o momento dos Palancas Negras pensarem em fazer uma nova era, embora seja legitimo esperar por uma nova ajuda do Botswana, é importante que antes os angolanos façam a sua parte, ganhar o seu jogo, para na última jornada tentar confirmar o apuramento.
O Burkina Faso sabe que se qualifica de maneira automática e antecipada com uma vitória, é ponto assente que os Etalons vão fazer pela vida para justificar o cognome, vão correr como cavalos, para aproveitar essa oportunidade de ouro que têm. É verdade, que um empate ainda deixa o Burkina em boa posição e a continuar a depender de si para se qualificar, no entanto, é fácil ver que há todo o interesse da equipa forasteira em imitar o bom exemplo da formiga, para não ter mais chatices na última jornada.
Os Etalons sabem que vêem a Luanda com enorme espaço de manobra, podem por isso fazer o que mais lhes convém em campo, fazer uma entrada em força ou adoptar uma atitude de espera.
As duas posturas podem trazer coisas boas ao Burkina Faso, desde que no final a eficácia nas acções defesa/ataque, deia para amealhar qualquer ponto no 11 de Novembro.
Não perder em Luanda, é a coisa mais importante que a selecção forasteira ambiciona alcançar na capital angolana.
Até certo ponto, o Burkina Faso entra em campo mais folgado, mas isso de modo algum significa que vai ter a vida facilitada, pelo contrário, a fome de vitória vai forçar Angola a inclinar-se para a frente, pelo que o Burkina vai tentar puxar dos galões e da maior rodagem competitiva dos seus jogadores, para intimidar os angolanos; passar a ideia de que pode acertar, a qualquer altura, um certeiro golpe , vai ser uma das estratégias a serem adoptadas pelos Etalons.
 Os Palancas Negras ganham um novo alento em caso de vitória. Assim, é determinante que os atletas se comportem como se estivessem a tomar parte de uma final, realmente pode não haver mais uma outra oportunidade para sorrir.