Jornal dos Desportos

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Futebol

Angola sorri

Srgio V.Dias , em Francistown - 23 de Março, 2019

Palancas Negras venceram ontem o jogo de Francistown e asseguraram a sua oitava qualificao a maior prova do futebol africano

Fotografia: Vigas da Purificao | Edies Novembro

A Selecção Nacional de futebol de honras assegurou o passe para a 33ª edição da Taça de África das Nações, fruto da vitória sobre a similar tswanesa por 1-0, que no entanto actuou com um conjunto formado à base de jogadores de Sub-23. O combinado nacional deu mostras, muito cedo, de querer visar a baliza contrária. O estreante Wilson Eduardo teve nos pés a primeira oportunidade de violar a redes da baliza a guarda Ezekiel Morake, quando aos dois minutos de jogo mandou o esférico ao lado.

Perante um Botswana que procurava fechar bem as linhas de passe dos dois mais adiantados do terreno da parte de Angola, no caso Igor Vetokele e Wilson Eduardo, ainda assim, Paizo que aparecia muito bem pelos flancos conseguiu na mesma levar perigo para baliza de Ezekiel Morake. O jogador do 1º de Agosto, depois de uma boa incursão pelo corredor esquerdo, à passagem do minuto 15, mas ainda um remate desferido não teve a melhor execução, passando.

Contudo, os Palancas Negras não precisaram muito tempo para se adiantar no marcador em pleno rebanho das Zebras tswanesas. Wilson Eduardo, aproveitando uma jogada de sobra em que Vetokele rematou para o posto, fez um \'rodopio\' e atirou certeiro, batendo pela primeira vez o \'keeper\' do Botswana. A jogada que resultou no golo de Angola  iniciou nos pés de Fredy, que esteve muito bem no apoio aos seus colegas de ataque.

Apesar da desvantagem no marcador, o Botswana não se fez rogado e foi esporadicamente saindo em jogadas de contra-ataque. Aliás, o seleccionador Mogomotsi Mpote “Teenage”, que dirige interinamente a equipa em substituição do recém-demitido oficial reformado do exército tswanês David Bright, admitiu que teve dificuldades para formar um conjunto sólido para o jogo com Angola.

Por essa razão e como forma de tornar mais eficaz o ataque das Zebras, designação por que é conhecida a selecção do Botswana, teve de chamar um reforço, vindo da África do Sul, no caso Makgantai Onkabebe. O jogador do Boraka United revelou-se como um autêntico cavalo de força de ataque do conjunto e deu algum trabalho aos centrais de marcação angolanos Dany Massunguna e Bastos.

Na primeira parte de jogo, porém, Angola criou, ainda, outros lances de perigo para a baliza de Ezekiel Morake. Num deste lances, Bastos mostrou que não é simples de defesa, indo lá frente mostrar como se deve atacar. Apesar dessa ousadia que teve no minuto 31, o remate desferido saiu ao lado da baliza contrária. 

Já em relação às Zebras, Onkahetse Makgantari, era o jogador mais inconformado. Tentava recorrentemente pressionar o último reduto angolano, mas encontrando pela frente uma defesa intransponível. O jogador do Baroka United da África do Sul, tal como o seu companheiro Joel Mogorosi, eram os que mais procuravam visar a baliza dos Palancas Negras, mas sem efeito. De uma forma geral, os tswaneses procuravam, acima de tudo, prestigiar o seu nome neste duelo de Francistown. Contudo, até ao apito do árbitro para o intervalo o 1-0 manteve-se inalterável.

No reatamento, apesar de algum atrevimento, os angolanos foram-se fechando bem as linhas de passe. O lance de maior relevância, para o efeito, surgiu de um cruzamento de Thero Setsile, aos 76 minutos, em que o capitão Joel Mogorosi forte, mas o guardião Tony Cabaça encaixou bem a bola. Por isso, longe de ser um adversário capaz de estorvar os intentos dos angolanos, que entraram para este jogo com a lição bem estudada e com a pré-disposição de conquistar os três pontos, os tais que serviriam (e serviram), diga-se de passagem, para carimbarem o passaporte para o Egipto-2019.

Portanto, os Palancas justificaram, assim, o triunfo. No meio de algumas incertezas e expectativas à mistura, já que Angola estava obrigada a vencer o Botswana para, em definitivo, assinalar a sua oitava qualificação a uma grande montra do futebol continental, sem todavia, depender de terceiros.

À entrada da sexta e última jornada do Grupo, os Palancas estiveram com atenções postas igualmente em Ouagadougou, já que o Burkina Faso, a outra equipa com chances ainda de chegar ao Egipto-2019, recebeu em sua casa a há muito qualificada Mauritânia.

Angola na partida disputada ontem, em Francistown, fez apenas o que lhe competia. Bateu a congénere tswanesa sem apelo e nem agravo, provando que em dia de apetência e de engodo para a baliza, também podem desfeitear as Zebras no seu rebanho. E mesmo magro o resultado chegou para a qualificação ao Egipto e desfeitear o seu oponente, tal como correu no jogo de Luanda, em que venceu por 1-0.

 

ARBITRAGEM 

O árbitro egípcio passou despercebido no jogo. Quando assim acontece outra nota não se lhe pode atribuir senão a positiva. O seus compatriotas Tahssen Abo El Sadat Bedyer e Ahmid Tawfik Teleb Ali, primeiro e segundo assistentes, respectivamente, também estiveram em bom plano neste jogo entre o Botswna e Angola.

Melhor em campo
Tony Cabaça evitou o pior para equipa


Teve a responsabilidade de guarnecer a baliza da Selecção Nacional e fê-lo com competência durante os 90 minutos. A par de Wilson Eduardo, o guardião do 1º de Agosto esteve em grande no jogo e aos 76 minutos evitou o pior para Angola, captando o remate do capitão tswanês Joel Mogorosi. Por isso mesmo, Cabaça acabou por ser a melhor unidade em campo do lado dos Palancas Negras.