Jornal dos Desportos

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Futebol

Angola vai Litunia

PAULO CACULO| LAYOUNE - 08 de Fevereiro, 2020

Angolanos fazem histria na sua terceira presena em um CAN de futsal

Fotografia: DR

A vitória da selecção nacional de futsal sobre a sua congénere da Líbia, por 2-0, ontem, no Arena Hizam Hall, em Laâyoune, na atribuição do terceiro lugar do Campeonato Africano das Nações do Marrocos, traduziu-se em dupla satisfação para os angolanos, pelo facto de colocar, pela primeira vez na sua história, o combinado angolano no pódio de um CAN da modalidade e apurar, de forma inédita, para o Campeonato do Mundo, prova que este ano, vai ser disputado na Lituânia.
Ciente da necessidade de vencer, para dar largas ao objectivo de marcar presença no próximo Campeonato do Mundo, Angola entrou “à matar”. Ou seja, cedo teve o jogo nos pés e deixou um sério aviso aos líbios, de que estava em campo para discutir pelo pódio, com todas as suas forças.
O combinado nacional assumiu, por isso, um futebol de pressão alta e poderia resolver o jogo ainda nos primeiros 20 minutos, mas o festival de falhanços protagonizado nesse período foi de “bradar aos céus”, o que deixou a equipa técnica aos nervos e o vice-presidente Andrade Dinis, aos gritos nas bancadas. A situação não era para observar de ânimo leve, sobretudo para uma selecção que definiu o triunfo como meta.
Foi após uma “mão cheia” de oportunidades falhadas, duas vezes por Osna, uma por Jó e outra através de Leo, que Angola chegou, finalmente ao golo, por intermédio de Prado, aos 17 minutos, na sequência de uma jogada combinada, que deixou o ala angolano na “cara” do guarda-redes líbio é só teve de encostar. Depois deste golo, chegou-se a confirmar que se estava perante uma partida acessível para o conjunto nacional.
Angola esteve em pleno, quer a atacar, quer a defender. Mas é no aspecto defensivo que se pode tecer os maiores elogios ao combinado nacional, pois raramente deu veleidades ao adversário ou permitiu que jogasse muito próximo à baliza de Neblu.
Excepcional a atacar, a selecção angolana não teve dificuldades em produzir jogadas com princípio, meio e fim, suficiente para provocar calafrios à defesa contrária, que nem por isso entregou de bandeja a iniciativa de ataque aos angolanos. Ainda assim, grande mérito para Angola que teve o jogo nas “mãos” e continuou a produzir o maior volume de jogadas ofensivas.  Fruto disso, Leo, aos 25´, teve o golo à sua mercê, mas atirou para o travessão.
Apesar do controlo do jogo, Angola teve alguns períodos de susto, pois viu a Líbia  crescer. Estava-se nos últimos dez minutos do desafio. Se, por um lado, os líbios passaram a acreditar que podiam chegar ao tento da igualdade, por outro, o conjunto nacional procurava formas de marcar o segundo golo, para quebrar com o ímpeto do adversário.
A Líbia jamais atirou a toalha ao tapete. Lutou quanto bastasse, sofreu, ripostou as investidas do adversário e podia ter empatado, não fosse Angola ter um “grande senhor” entre os postes, Neblu, que se mostrou elástico e com reflexos apurados. Mas a equipa nacional precisava marcar mais um golo, de formas a afastar a pressão e deitar por terra todas as possibilidades de empate do adversário.
Os pupilos de Benvindo Inácio continuavam a ser um conjunto com muitas soluções no ataque e isso revelou-se fundamental para manter a serenidade e gerir os últimos quatro minutos da partida com alguma tranquilidade.
Mas os últimos minutos foram, ainda assim, terríveis e de cortar a respiração para o conjunto nacional, que teve de sujeitar-se a momentos de elevada pressão. Disposto a apostar tudo pelo empate, a Líbia optou pelo sistema de 5X0, deixou a sua baliza desguarnecida, facto muito bem aproveitado pelo ataque de Angola para fazer o 2-0 e dar a machadada final no jogo. Nesta jogada, excelente visão de Mano Sele, que tirou as medidas certas à baliza escancarada da Líbia.

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
Benvindo Inácio (ANGOLA)

“Dia mais feliz
da minha vida”

“Hoje (ontem) é o dia mais feliz da minha vida. Em 25 anos de carreira, sempre sonhava apurar a selecção para uma fase final do Mundial. Quando saí de Angola, prometi à minha família e amigos, que iríamos lutar e podíamos qualificar Angola ao Campeonato do Mundo. Defrontámos uma equipa muito difícil, que é a Líbia. Tivemos muitas dificuldades em segurar essa vitória e tudo porque encontramos um adversário que nos criou muitos problemas. Parabéns para todos nós”.“

Júlio Correa (Líbia))

“Tivemos alguma
posse de bola”

“Apesar de estar apenas dois meses no comando da equipa, acho que a reacção da equipa era o mais importante. Tivemos alguma posse de bola, várias oportunidades, mas não conseguimos marcar. Não atravessamos também uma boa fase e isso pode estar a influenciar no rendimento da nossa equipa. O nosso adversário bateu-se bem, por isso, pelo que fizeram, acabam por conquistar uma vitória justa”.

FIGURA DO JOGO
"Gigante" Neblu


É incontornável a referência ao guarda-redes da selecção nacional de futsal na abordagem da vitória sobre à sua congénere da Líbia, por 2-0, no desafio da atribuição do 3º lugar do Campeonato Africano das Nações (CAN) do Marrocos. O número 1 da equipa angolana foi o “AS” que ajudou a decidir o jogo. Entre os postes, o jovem guardião angolano foi elástico e soube honrar camisola que veste. Grande exibição!