Jornal dos Desportos

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Futebol

Angolano disputa ttulo na Indonsia

Paulo Caculo - 02 de Fevereiro, 2012

Treinador formado em Portugal e Espanha faz histria no futebol indons

Fotografia: DR

Divaldo Alves pode ser o primeiro angolano a conquistar um título na Primeira Liga de Futebol da Indonésia (IPL). O técnico do Parsebaya, formado em Portugal e na Espanha, disputa a liderança do campeonato indonésio, a três pontos do primeiro classificado, soube o Jornal dos Desportos do site da competição.

Ao serviço da equipa revelação da principal Liga da Indonésia, o treinador angolano protagoniza uma brilhante carreira que o pode projectar para patamares mais altos. Nunca antes o Parsebaya esteve tão próximo de conquistar um título no campeonato indonésio, facto que tem ajudado os dirigentes do clube e adeptos a acreditarem na concretização do sonho de se tornarem no próximo campeão.

E porque sonhar não é proibido, sobretudo quando há provas claras da existência de um colectivo de jogadores com qualidade, Divaldo Alves coloca-se em posição privilegiada para assinalar um marco na sua carreira no exterior do país.A terceira posição ocupada pelo Persebaya permite ao treinador angolano aspirar à conquista do ceptro. Mas, para tal pretensão ser um facto, a equipa de Divaldo Alves não pode desperdiçar pontos nas próximas quatro jornadas da competição e esperar por uma “escorregadela” dos rivais.

Feitos
Desde que chegou à Indonésia, o técnico tem protagonizado um percurso marcado por feitos relevantes. Há três anos (em 2009), Divaldo Alves esteve na “boca do mundo” ao colocar o PSMS Medan nos quartos-de-final da AFC CUP.

Como se isso não bastasse, o treinador angolano chegou às meias-finais da Taça da Indonésia com o mesmo clube. No ano passado, Divaldo Alves esteve com o Persebaya na AFC’2011, uma competição internacional que se realiza todos os anos, em Dezembro, com a integração de clubes da Tailândia, Malásia, Singapura e Hong Kong. O Persebaya da Indonésia atingiu a final da prova, onde defrontou o Kelantan FA da Malásia.

No jogo da primeira-mão, a equipa do técnico angolano empatou a uma bola e na segunda ganhou por 3-2, feito que deixou os adeptos do futebol indonês orgulhosos com o trabalho do treinador angolano. A conquista do troféu permitiu ao Persebaya entrar na história, pois há anos que clubes ou selecções da Indonésia não ganhavam jogos diante de equipas da Malásia. Divaldo Alves ajudou a quebrar o “enguiço” indonês.


“Espero regressar a Angola”

O treinador angolano do Persebaya da Indonésia mantém o sonho de orientar uma equipa no Campeonato Nacional da I Divisão em Angola. Em conversa, ao telefone, com o Jornal dos Desportos, o técnico Divaldo Alves assegurou estar optimista quanto ao futuro da sua carreira no exterior, mas o regresso ao país é uma questão de tempo, mais cedo ou mais tarde, tal vai acontecer.

“Espero continuar a fazer uma grande carreira aqui, na Indonésia, mas sem descurar a possibilidade de um dia poder concretizar o sonho de treinar uma equipa no meu país”, reafirmou Divaldo Alves, deixando expressa a ambição de um dia concretizar o sonho de trabalhar na I Divisão nacional.

O contrato assinado com o Persebaya permite ao treinador rescindir em caso de insatisfação ou impossibilidade de continuar. Esse facto tem ajudado o técnico Divaldo Alves a acreditar que uma eventual transferência para o futebol angolano pode acontecer em breve, ainda que não haja, por enquanto, qualquer contacto nesse sentido com equipas angolanas.

“Estou num dos maiores clubes da Ásia a nível de adeptos, mas tenho uma clausula que me permite sair quando quiser, por opção, pensando sempre num regresso ao país que me viu nascer. Penso regressar um dia”, disse, deixando perceber, mesmo à distância as saudades que tem do país que o viu nascer. Ao serviço da Liga da Indonésia, Divaldo Alves logrou, como grandes feitos, a presença na Liga dos Campeões AFC, tendo alcançado também os quartos-de-final da AFC CUP, posição nunca antes alcançada por uma equipa local. 

“Tenho trabalhado com jogadores de renome no futebol indonês, a exemplos do Maurito, que jogou no Petro de Luanda, Zada (ex-Vasco da Gama), Henry Makinwa, (ex-Nigéria), Amaral (ex-Benfica de Lisboa, Fiorentina e Parma de Itália), Mário Karlovic (ex-Torino e Milan), Susak, da selecção da Austrália e outros jogadores de renome internacional”, referiu. 

O técnico angolano acredita que este ano pode protagonizar ao serviço do Persebaya o sonho de se tornar no próximo campeão da Liga da Indonésia. Valoriza a experiência de estar num campeonato pouco expressivo, mas em constante evolução. “Agora espero que a terra me chame de regresso, porque sinto que chegou a hora de voltar e contribuir para o futebol do meu país”, concluiu o técnico angolano, para quem a distância, em termos geográficos, não apaga a vontade de um dia colocar o seu saber ao serviço do país. PC


Executivo reafirma aposta
na formação de jogadores

A formação e promoção do desporto de alto rendimento, com destaque para o futebol, constituem apostas do Executivo angolano, reafirmou ontem, em Ndalatando, Kwanza-Norte, o ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba.

Em declarações à Angop, Gonçalves Muadumba esclareceu que a referida política vai passar pela concessão de um maior apoio às escolas de futebol, visando a descoberta de novos talentos que possam, no futuro, reforçar a Selecção Nacional de futebol. O ministro referiu que a aposta do Executivo no desenvolvimento do desporto, sobretudo do futebol, incluiu ainda a construção de novos estádios e a criação de mais espaços de promoção do desporto escolar e comunitário.

Há, assim, um esforço combinado que une as vertentes formação e alto rendimento com o propósito de valorizar o desporto nacional. Em relação à eliminação prematura da Selecção Nacional de futebol do CAN’2012, Gonçalves Muandumba disse ser da inteira responsabilidade da Federação Angolana de Futebol a análise dos factores que estiveram na base do referido fracasso.

O governante lamentou o facto dos Palancas Negras não terem conseguido o apuramento para a fase seguinte da competição. Esse facto, referiu, deve obrigar a FAF a fazer uma análise objectiva e aprofundada sobre as razões que estiveram na base do referido fracasso, visto que o governo garantiu todas as condições, tanto financeiras, como logísticas, para uma boa prestação da Selecção Nacional nessa competição.


Amigos de Akwá viajam para Lisboa

A formação dos Amigos de Akwá embarca hoje à noite para Lisboa, onde no sábado, às 15h30, no Parque Desportivo Engenheiro Leonardo de Carvalho, em Agualva-Cacém, defronta o Ginásio Clube 1º de Maio de Agualva, a convite dos proletários portugueses. O desafio que vai opor a equipa das antigas glórias do futebol nacional à dos proletários de Agualva enquadra-se nas comemorações dos 51 anos do início da Luta de Libertação Nacional, a comemorar-se no dia 4.

“Temos tudo assegurado para viajarmos amanhã à noite (hoje) para Portugal, onde no sábado à tarde, os Amigos de Akwá jogam com a equipa do Ginásio Clube 1º de Maio de Agualva, em alusão ao 4 de Fevereiro, dia do início da Luta Armada de Libertação Nacional. Os vistos e os bilhetes de passagens estão todos em dia”, disse Agostinho Neves António, membro da comissão executiva da Associação Candengues Habilidosos. 

O capitão Fabrice Akwá já se encontra em Portugal e recebe a equipa amanhã de manhã no Aeroporto da Portela. A viagem para Portugal é a primeira saída da equipa no ano em curso. A última aconteceu em Novembro de 2011, na Bélgica, nas festividades dos 36 anos da Independência Nacional, tendo os Amigos de Akwá defrontado a formação da Associação Palancas Negras. 

O técnico Ernesto Baptista “Fefé” tem à disposição os seguintes jogadores para o jogo de sábado: João Ricardo, Armando Nascimento “Bodú”, Jacinto Pereira, Domingos Sapato “N´suka”, Paulo Tomás, Hermenegildo Joaquim “Miloy”, Januário Pascoal, António Neto “Tony Angonave”, Samuel Pombal “Samy”, Bernardo Hebo “Bani”, Fabrice Maieco “Akwá”, Lopes Andrade, Paulo Silva, Adilson Pimenta, Rami Maieco, Avelino Matuaia e Sérgio Maieco.