Jornal dos Desportos

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Futebol

Angolanos de ouro ao peito

Srgio V. Dias - 31 de Dezembro, 2018

Angola inscreveu com letras garrafais o seu nome no Mundial Futebol com Muletas no Mxico

Fotografia: Edies Novembro

No ano que se apresta a passar para história, Angola teve motivos para sorrir no que ao futebol adaptado diz respeito. E tudo porque os integrantes da Selecção Nacional da categoria regressaram ao país de ouro ao peito, após conquistar o Mundial Futebol com Muletas, realizado na cidade mexicana de Guadalajara.
É verdade, depois de se sagrar vice-campeã em 2014, o combinado angolano de futebol adaptado não deixou os seus créditos em mãos alheias na edição deste ano em que assinalou um regresso às Terras da Tequila, conquistando a prova, depois de vencer na final a Turquia. A Selecção Nacional superou desse modo a concorrência.
É ponto assente que a conquista do segundo lugar no mundial disputado no México há quatro anos serviu de estímulo para a nova empreitada que aconteceu de 25 de Outubro a 5 de Novembro últimos em Guadalajara, igualmente neste país latino-americano.
E se por um lado, há quatro anos o combinado nacional já havia deixado um sinal da sua grande capacidade no torneio que se disputou também no México, no que se apresta a findar provou o corolário do trabalho que vem sendo a nível do desporto paralímpico e do futebol para amputados a título particular. E diga-se, de passagem, fê-lo com grande mestria e fruto da bravura da rapaziada às ordens Augusto Baptista Sucumbula.
E foi no aproveitar que esteve o ganho da equipa nacional, que demonstra, assim, um exemplo de superação, como prontamente profetizou o Presidente da República, na mensagem de felicitações endereçada ao conjunto pela conquista. João Manuel Gonçalves Lourenço qualificou a conquista do título como “um feito transcendente e inédito do nosso desporto”, que enche de orgulho o Povo Angolano.
O exemplo de superação e firmeza demonstrada nos relvados mexicanos pelos integrantes da selecção, na perspectiva ainda do Chefe Estado, deve inspirar a juventude angolana. Isso é inquestionável, se tivermos em conta a bravura destes rapazes.
O percurso glorioso de Angola neste Mundial de Guadalajara iniciou com uma goleada sobre a Ucrânia por 4-0, seguidos de outro triunfo sobre a similar da Espanha, por 1-0, ao passo que diante do Haiti baqueou, perdendo por 1-2.
Já nos oitavos de final a Selecção Nacional venceu a Itália por 2-0 e nos “quartos” precisou do recurso à lotaria das grandes penalidades, para superar a Polónia, a quem vergou por 6-5. Nas meias-finais, Angola viu cruzar-lhe no caminho o Brasil, outro lusófono que desfilou no certame, e a quem venceu por 2-0, no jogo que antecedeu à final inédita diante da Turquia, no Estádio de Santa Lucia, no município de San Juan de Lagos, onde a equipa nacional foi mais lesta ao vencer nas grandes penalidades por 5-4.
Angola inscreveu, desse modo, o seu nome com letras garrafais neste evento.
A conquista obtida no México serve de motivo catalisador para a atenção especial que deve ser dada aos portadores de deficiência, pois apesar dessa condição têm dado muitas alegrias para o país e não só. O feito de Guadalajara deve servir de incentivo para esta franja da sociedade, que no seu dia-a-dia apesar do estigma da rejeição em muitos casos, tem sabido demonstrar o verdadeiro exemplo superação e de grande estoicismo.
Aliás, Angola como uma Nação do Desporto tem a obrigação de acolher os seus filhos sem distinção de cor, etnia, crença religiosa, política e a nível de outras esferas da vida.
É importante lembrar que a equipa nacional foi integrada por futebolistas amputados das províncias do Bengo, Malanje, Benguela, Huambo e Moxico, além de Luanda que se caracteriza como principal pólo de desenvolvimento desta disciplina no país.