Jornal dos Desportos

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Futebol

Antnio Dominique deseja desfilar no CAN

Paulo Caculo - 07 de Janeiro, 2019

Guarda-redes encara futuro com ambio e crena

Fotografia: Edies Novembro

O guarda-redes angolano, António Dominique, actualmente ao serviço do Basileia da Suíça, afirmou ontem durante uma entrevista exclusiva concedida ao Jornal dos Desportos, estar crente no regresso à Selecção Nacional de Honras, dada a disputa do Campeonato Africano das Nações (CAN) que acontece este ano, entre 7 de Junho a 30 de Junho.
 Para o antigo jogador do 1º de Agosto, Angola assegura a qualificação, garante que \"apenas depende de si mesma\", para marcar presença na maior cimeira continental de futebol.
\"Tenho crença nesta selecção. Estamos a fazer um bom percurso, com boas exibições e só dependemos de nós, para nos qualificarmos. Será um orgulho voltamos ao CAN\", justificou antes de manifestar o desejo de voltar a vestir as cores nacionais.
 \"Gostava de jogar no CAN. Acredito que Angola vai qualificar-se. A selecção ganhou maturidade, quando escolhi a opção de representar Angola, foi porque notei que temos um grupo que podemos ir longe. Vejo que Angola tem uma selecção de futuro, temos muitos jovens que jogam na Europa e outros que evoluem no Girabola. Qualquer selecção para ser forte, deve ter maturidade e acho, que Angola vai ser muito forte no futuro\", acrescentou.
 António Dominique confessa que será uma honra, voltar a representar os Palancas Negras, espera justificar a convocatória. Admite estar, ainda, numa fase em que não tem jogado muito, em virtude de ser o segundo guarda-redes do Basileia, embora, inscrito para a Liga dos Campeões Europeus.
 \"Tenho muito boas recordações, dos períodos em que estive na selecção nacional. Recordo os jogos que fiz contra a selecção da RDC, no Estádio dos Mártires, com 90 mil espectadores e com um ambiente que nunca vou esquecer. É um orgulho jogar pela selecção. Sem esquecer, também, o jogo com o Marrocos, numa altura em que tinha 19 anos, mas o professor Romeu Filemon deu-me a oportunidade de representar a selecção e jogar. Não poderei esquecer estes momentos na selecção\", disse o guarda-redes angolano, de 24 anos.
 Admite António Dominique, por outro lado, que o sérvio Srdjan Vasiljevic está a fazer um trabalho digno de realce, e fruto disso mesmo, \"Angola há muito que espelha níveis de qualidade exibicional\", mas não esconde a importância da selecção de \"enriquecer o plantel com jogadores experientes\".
 O guarda-redes recorda que o CAN é uma competição com altos níveis de exigência, que obriga Angola a ter uma postura adulta, madura, sobretudo, altamente competitiva.
 \"Tenho acompanhado todos os jogos da selecção. Dou os parabéns ao grupo liderado pelo seleccionador Vasiljevic. Estamos a fazer uma boa campanha. O grupo mostra solidez e dá sinais de encarar a qualificação com muita ambição. Ainda bem que é assim. Merecemos ir ao CAN, depois de tudo que fomos capazes de fazer nesta eliminatória. Só falta ganhar ao Botswana. Podemos vencer o jogo, porque somos superiores. Porém, o facto do jogo ser em casa deles, exige de nós muitas cautelas\", afiançou.
 


CONSTATAÇÃO
“1º de Agosto
é o maior em Angola”

António Dominique considera, que viveu uma experiência ao serviço do 1º de Agosto, semelhante às que teve no exterior do país. O guarda-redes assegura que ficou surpreendido com o nível de organização que encontrou no clube militar, destacou as condições de trabalho postas à disposição do plantel.
 \"Para mim, o 1º de Agosto é o melhor clube em Angola, em todos os aspectos, sobretudo, no organizativo. As condições de trabalho e o apoio de sócios e adeptos à equipa, é excepcional. Penso que merece ganhar novamente o campeonato\", disse.
 “Guardo muito boas recordações no 1º de Agosto, sobretudo o título de campeão que alcançamos em 2016”, depois de nove anos em que a equipa não ganhava o campeonato. Foi um bom momento. Posso afirmar que passei três boas épocas no 1º de Agosto. Um dia posso regressar, quem sabe (risos..)\", garantiu o guarda-redes.
 Dominique lamentou o afastamento prematuro do conjunto militar em 2018, durante a campanha efectuada na Liga dos Campeões Africanos, em que considera ter sido brilhante, apesar de falhar a qualificação à final, no embate com o Esperance de Tunis.
 \"Segui os jogos do 1º de Agosto, na liga dos campeões, não foi justo porque o percurso que a equipa fez, merecia vencer a competição. A equipa fez bons jogos. Também gostei do jogo com o TP Mazembe e a grande exibição do Tony Cabaça. Penso, que merecia chegar ao fim, mas como a equipa perdeu o jogo na Tunísia não foi justo\".


CARREIRA
Jogador pretende
Liga mais competitiva

Aos 24 anos, António Dominique não esconde o ensejo de alcançar patamares superiores. O guarda-redes acredita, que \"o sonho comanda a vida\", razão por que não descarta a possibilidade de abraçar, nos próximos tempos, uma nova experiência no campeonato inglês, que é seguido por um clube da segunda divisão.
 \"Tenho objectivos na carreira e estou disposto a procurar sempre o melhor. Ainda assim, afirmo que a minha carreira está a correr muito bem na Suíça, no Basileia. Fui inscrito, também, para a Liga dos Campeões europeus. No ano passado, tive muitas vezes no banco de suplentes, como o segundo guarda-redes. Não tenho jogado com frequência, é um processo pelo que espero um lugar de destaque na equipa, com muito trabalho e dedicação\", disse.
 O guarda-redes afirma estar  satisfeito com o contrato que rubricou com o clube suíço, garante ser uma oportunidade que dispõe, para dar sequência à  carreira na Europa, um dos grandes desejos, desde que em 2017 deixou o 1º de Agosto, após três épocas no campeonato nacional, Girabola Zap.
 \"Desde que assinei pelo Basileia aprendi muito, porque na posição de guarda-redes, as técnicas evoluem constantemente e a gente aprende sempre muito todos os anos. Será o meu segundo ano na Suíça e espero cumprir para ganhar visibilidade para a selecção, e quem sabe no futuro experimentar outro campeonato muito mais competitivo\", sublinhou António Dominique.
\"O Basileia faz parte das 209 melhores equipas do mundo, é um clube que sempre participa na Liga dos Campeões.  Não é fácil ser titular num plantel com muita qualidade, só o futuro pode dizer. Ainda assim, o facto de estar na equipa e jogar como internacionais de vários países, dá-me uma progressão muito grande\", acrescentou.