Jornal dos Desportos

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Futebol

APF do Uge faz balano negativo da poca finda

Augusto Panzo - 27 de Novembro, 2017

Antnio Neves Antnio defende maior organizao dos clubes uigense para se imporem na alta competio nacional

Fotografia: Jos Soares| Edies Novembro

O presidente da Associação Provincial de Futebol do Uíge (APFU), Augusto Neves António, considerou a época futebolística de 2017 como sendo negativa, pelo facto de, o seu filiado Santa Rita de Cássia FC do Uíge ter descido de divisão justamente no ano da sua estreia. Em entrevista que concedeu ao Jornal dos Desportos, Augusto Neves António justificou a pressa como sendo o factor principal de estrangulamento dos projectos desportivos que têm sido esboçados para a região do Uíge, devido à ambição da maioria dos dirigentes dos clubes.                                                      
"O balanço sobre aquilo que foi este meu primeiro mandato como presidente da Associação Provincial de Futebol do Uíge, período no qual conseguimos colocar a equipa do Santa Rita de Cássia FC na primeira divisão, deve ser visto de duas formas. A primeira foi positiva, pelo facto de termos elevado este conjunto ao Girabola Zap, a grande manifestação de futebol do país logo no ano de estreia do nosso elenco. A outra forma, que é negativa, tem a ver com a descida de divisão da mesma equipa. É triste, porque a equipa subiu de divisão num ano e no ano seguinte desceu logo, o que prova que o imediatismo não vincou, apenas prejudicou", disse.
De acordo com Agostinho Neves António, que está a um ano e meio à frentes do órgão reitor do futebol uigense,  o projecto apresentado aos agentes desportivos da região por altura da campanha de renovação de mandatos, realizada em Junho de 2016, não contempla a ascensão, no mesmo ano de uma equipa à primeira divisão, mas a institucionalização do "Ano Zero", em que o futebol sénior competiria apenas localmente por dois anos, porém, rejeitada pelos dirigentes dos clubes locais.
 "O nosso projecto não era de pormos  uma equipa tão cedo no Girabola Zap, mas como calhou e pronto, não havia outra alternativa, senão a mesma competir. Praticamente o que aconteceu foi aquilo que ocorreu com o elenco que nos antecedeu, que conseguiu meter o clube na Primeira Divisão. Não era isso que queríamos", referiu.
O amadurecimento do projecto, que passa por quatro vertentes, nomeadamente a organização, formação, competição e marketing, que começou no ano passado, para que a província pudesse ter uma equipa forte e organizada a disputar o Girabola Zap, a partir do próximo ano, é o que animava o elenco actual. Com isso, Agostinho António deixou vincado que a posição do Santa Rita de Cássia FC é contraria ao projecto apresentado por altura da candidatura à APF.
"Nós queríamos amadurecer primeiro o nosso projecto, que passava pela reorganização do futebol a nível da região do Uíge, para que pudéssemos ter uma equipa com cabeça, tronco e membros a partir de 2018. Por isso, reafirmo que a posição tomada pela direcção do Santa Rita é contrária ao nosso projecto. Aliás, tal como disse, o nosso projecto de candidatura era a reorganização do futebol a nível da província, apostar nos escalões de formação, para depois agarrarmo-nos à competição e ao marketing desportivo. Felizmente, nessa fase conseguimos de facto organizar e tudo aquilo que nós tentámos projectar está no bom caminho, porque hoje as equipas estão a realizar os diversos campeonatos em variados escalões, um facto que não se via num passado recente. Naquele tempo não havia campeonatos de Sub-13, Sub-15 e outros, mas hoje já é uma realidade aqui na nossa província", sustentou.
Agostinho António disse que se sente mal com a descida do Santa Rita de Cássia e teme que o Uíge possa entrar no esquecimento em termos de futebol de primeira categoria.
"Sinto-me mal com a descida do Santa Rita, pelo facto de, no próximo ano o Uíge poder entrar para o esquecimento em termos de futebol da primeira água. Estávamos habituados que, quinzenalmente tínhamos um jogo na cidade, mas com essa despromoção já não teremos essa oportunidade, o que é muito triste para todos os amantes do futebol da região do Uíge", sustentou.

AOS “CATÓLICOS”   
Antigo governador estendeu a mão


A falta de organização, para além do imediatismo, é apontado pelo presidente da Associação Provincial de Futebol do Uíge, Agostinho Neves António, como uma das causas do insucesso do filiado Santa Rita de Cássia FC no ano de estreia no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, Girabola Zap, competição em que terminou na penúltima posição.
"Creio que faltou um pouco mais de organização, porque apoios não faltaram ao Santa Rita de Cássia. Deixa-me salientar aqui que o antigo governador da província, o senhor Paulo Pombolo deu a sua ajuda. Conseguiu os patrocínios da Crisgunza e do Banco BIC. Então não se pode alegar que tenha havido falta de apoios. Agora, as razões que levaram essas empresas a cancelar o apoio ao clube, apenas podem ser explicado pelo próprio presidente Nzolani Pedro. Ainda assim, a verdade é que em princípio de que o governador fez o que lhe cabia naquele momento", disse.
A província do Uíge, num espaço de quatro anos, perdeu três equipa na alta competição, nomeadamente o Renascimento, o União e agora o Santa Rita de Cássia. Questionado sobre as razões do insucesso das formações da região na primeira divisão, Agostinho António foi peremptório: desorganização. 
"A descida de divisão das nossas equipas, em primeiro lugar tem a ver com a desorganização. Muitas pessoas vão à aventura sem saber o que é necessário. Tentam uma primeira vez, e quando dá certo querem logo dar um passo maior que a perna. Sem organização, nem domínio administrativo, querem ir para frente. Isso não pode, porque sem organização e sem união, não se vai a lado nenhum. Presumo que essa tenha sido a razão do fracasso das nossas equipas", referiu.
Com isso, o presidente da APF colocou de parte a questão financeira como sendo a principal causa dos sucessivos fracassos das equipas do Uíge no Girabola Zap.
"Negativo. O insucesso dos nossos clubes não é por falta de dinheiro, porque este não pode fazer nada, quando não existe uma organização no seio do grupo, não tens uma contabilidade bem feita, não tens campos de treino, sem elementos de direcção bem capacitados, aí você não vai a lado nenhum. Aliás, há equipas ou clubes que mal têm uma sede social, e por aí já se pode ver tudo", sublinhou.
Agostinho António aconselhou os responsáveis dos clubes da província no sentido de se organizarem melhor , porque se não, o Uíge corre o risco de ficar sem clubes na primeira divisão por muito tempo.
"Hoje estamos a viver outros tempos, e se não houver a tal organização, nós aqui no Uíge não vamos ter uma equipa no Girabola ou noutra prova de alta competição nem daqui a três anos", rematou.                                                              
AP

CONTROLO De IDADE
Inovação afugenta
impostores


A realização dos campeonato provinciais nas categorias de Sub-13 e Sub-15, em marcha desde Outubro último, é visto como "rampa de lançamento" para elevar o futebol uigense aos mais altos patamares nos próximos anos. A convicção é do presidente de direcção da APF do Uíge, Agostinho Neves António, quando fazia o balanço da temporada recentemente terminada.
Ao contrário dos anos anteriores, em que a desorganização era evidente, está época, por exigência da APF, todos os atletas que competem nas provas locais, independentemente do escalão, só foram aceites mediante inscrição com o bilhete de identidade, uma das grandes inovações, isso como forma de evitar a adulteração de idades e identidade no dizer de Agostinho Neves António.
"A luta pela melhoria do futebol uigense faz parte do nosso projecto. Isso faz com que hoje a realidade seja diferente na nossa província. Já temos campeonatos provinciais de Sub-13 e Sub- 15. Inclusive neste momento está a decorrer o campeonato em que os jogadores estão a exibir os bilhetes de identidade. Muitas das equipas aparecem em campo até reduzidas em termos de números de jogadores, mas têm que se aguentar assim, porque nós queremos eliminar o hábito de diminuir as idades dos petizes, para lhes permitir jogar de forma fraudulenta", referiu.
A ideia, segundo Agostinho António, foi bem recebida por alguns dirigentes e treinadores das equipas que tudo têm feito para que os seus atletas tenham bilhete de identidade e joguem com as verdadeiras idades.
"A inovação existe, porque naquela altura, durante os campeonatos de escalões de formação, os jogadores ainda faziam o uso de cédulas, mas hoje nós conseguimos interiorizar na mente dos dirigentes que esse mal tem que ser banido e assim foi. Os petizes já não jogam com cédulas e isso reduziu significativamente as fraudes, pois, a jogar com cédulas, as entidades competentes não conseguiam distinguir se aquele documento exibido para um determinado atleta realmente era ou não sua pertença. Até havia jogadores maldosos que usavam os documentos dos irmãos menores, na ânsia destes jogarem na categoria que estivesse em causa. Tentámos já banir isso e acho que estamos num bom caminho quanto a isso", sublinhou.                                                       

“Projecto Quipedro vai bem”
O projecto futebolístico "Livro na mão, bola no pé" em acção na comuna de Quipedro, município do Ambuíla,  lançado em 2014, pela Associação dos Naturais e Amigos de Quipedro, cujo padrinho é o antigo capitão dos Palancas Negras, Fabrice Maieco "Akwá", caminha bem, segundo o presidente da APF do Uíge.
Concebido na altura, com o propósito de incentivar as crianças da comuna do Quipedro, que na altura evitavam ir à escola, hoje mais de 200 petizes frequentam a referida instituição desportiva e a escola académica.
"O projecto escola de futebol do Quipedro, livro não mão, bola no pé, é um projecto que foi concebido na altura, com o propósito de incentivar as crianças da comuna do Quipedro, que na altura evitavam ir à escola. Aquando do lançamento desse projecto nós exigimos que, quem quisesse entrar para essa instituição, tinha primeiro que aderir ao projecto académico", disse.
Os resultados do referido projecto, três anos depois da sua fundação, são considerados de positivo pelo presidente da APF do Uíge e mentor do mesmo, Agostinho Neves António.
"Os resultados do projecto, três anos depois, são animadores. Tenho recebido muitos relatórios provenientes da comuna, que indiciam bons resultados. Neste momento está a decorrer um torneio a nível local, com a participação das 12 regedorias que compõem a comuna. Não vêm até aqui na capital da província em função da localização geográfica da comuna, meios de transporte e por dificuldade de trânsito nas vias de comunicação. O projecto ainda está vivo mas não como no seu período de arranque. Daqui para frente vamos tentar manter uma maior aproximação com a direcção da Associação dos Naturais e Amigos do Quipedro (Ana Quipedro), para ver se buscamos outras soluções para alguém que possa dar mais vida àquilo",referiu.                                

ORGANIZAÇÃO
“Estamos a avançar aos poucos”


O processo de reorganização do futebol no Uíge está no bom caminho. Segundo o presidente da APF local , Agostinho Neves António, nesse momento estão a trabalhar no recenseamento dos clubes e atletas em todos os municípios da província. 
"Estamos a avançar aos poucos. Neste momento estamos já na fase de fazermos um recenseamento em todos os municípios, através de um modelo que elaborámos, no sentido de apurarmos quantas equipas tem cada circunscrição, quais as categorias, como está o futebol feminino, os antigos praticantes e antigos árbitros", disse.
Com esse processo, de acordo com o "número um" da APF do Uíge, pretendem criar um projecto sobre como vão desenvolver a modalidade na região, à semelhança do que se faz em outras latitudes do mundo.
O presidente da APF do Uíge deposita grandes esperanças numa viragem do futebol local nos próximo tempos com a entrada do novo governador, Pinda Simão, que há pouca semanas reuniu-se com as diversas associações. Ainda assim, Agostinho António assegurou que o seu elenco vai fazer chegar ao Governo da província o projecto de desenvolvimento da modalidade.
"Já houve uma reunião entre o governo e as diversas associações, na qual apresentamos as nossas inquietações sobre o que deve ser feito. Falta agora o senhor governador (Pinda Simão) responder às nossas preocupações a si apresentadas. Mas ainda assim, nós teremos de o fazer por escrito, porque aquilo que abordámos de forma verbal durante a auscultação não tem um suporte jurídico. Precisamos torná-lo mais eficiente com a elaboração de documentos escritos. Vamos esperar através do projecto que remeteremos à Direcção Provincial da Juventude e Desportos, que por sua vez poderá possivelmente fazê-lo chegar ao mais alto nível da província", avançou. 
O presidente de direcção da APF agradeceu o emepenho dos demais mebros da associação, realce para os do Conselho Técnico e Desportivo, para que as mestas sejam cumpridas.   
AP