Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Artur Almeida com gestão aceitavel

13 de Abril, 2017

Aproveitamento da primeira Data FIFA do ano é sinal positivo

Fotografia: Santos Pedro | EDIÇÕES NOVEMBRO

Artur Almeida e Silva e seu elenco completaram na passada quinta-feira, 7, 100 dias à frente dos destinos do futebol nacional. Passado o momento de azáfama pré - eleitoral, seguiu-se a euforia da vitória nas eleições mais concorridas de sempre, para liderar a Federação Angolana de Futebol (FAF) e, num ápice, aconteceu a tomada de posse, a 27 de Dezembro de 2016.

Entre a emoção e expectativa, a nova direcção entrou em funções consciente dos desafios que tinha pela frente, já que o presidente recém-eleito regressava a uma casa que bem conhece, tendo, seguramente, alertado os seus colaboradores, da complexidade desta missão. 

Durante este período, embora sem grandes exigências já que o tempo ainda é bastante curto para quem tem mais 1364 dias de mandato (o somatório dos quatro anos de gestão), urge dar uma “olhadela” do que foi e tem sido a gerência deste elenco. Se olharmos para o Salmo 100 do Novo Testamento, por coincidência o mesmo número de dias que Artur Almeida e Silva e seus pares têm à frente da Federação Angolana de Futebol, observamos uma certa similitude.

O salmista nos “convida” a sermos sempre agradecidos ao Senhor. Porém, além de convidar, também mostra os motivos que nos levam a este procedimento. Mas não vamos ser exaustivos numerando todos os versículos. Ainda assim, alertamos para dois aspectos importantes:

1º - A direcção da FAF deve aos seus associados, neste caso às APF e os clubes, o mérito de ter sido eleita. Portanto, é a eles que têm de agradecer, não com ofertas por baixo da mesa ou envelopes, mas sim com o cumprimento das promessas feitas ao longo da campanha. 2º -Em relação aos clubes, todos devem ter o mesmo tratamento, seja em que escalão ou prova onde estiverem inseridos. Por isso, não deve haver oferta de resultados.

Cabe ao órgão reitor, primar pela garantia de direitos e deveres iguais em prol do desenvolvimento do futebol nacional, que se encontra numa fase preocupante. “Temos um trabalho árduo pela frente, começando para já com a reorganização das estruturas internas da federação e só depois pegarmos no projecto em si”, afirmou à  imprensa o candidato escolhido pelos associados, com 67 votos, logo após o anúncio dos resultados.

Tratando-se de processos internos e aliado ao pouco tempo de vigência é prematuro fazermos qualquer avaliação a este respeito. Contudo, acreditamos que na altura certa estaremos em condições de nos pronunciarmos a este respeito. O presidente eleito prometeu ainda a união da família do desporto em prol do desenvolvimento do futebol, adiantando que tudo o que fizer será sempre para o bem da modalidade.

“As responsabilidades são maiores, recebemos o voto de confiança dos eleitores, então temos de corresponder com as expectativas”, disse, adiantando que esta é uma vitória da ética e da moral. Até aqui tudo bem.Volvidos cem dias de consulado, o ambiente na sede da federação é de harmonia, salvo provas contrárias, o que demonstra haver jogo de equipa e trabalho em sintonia (a excepção do pedido de demissão de Norberto de Castro ver peҫa à parte). Os casos de costume, parece terem sido banidos, mas é cedo para se cantar vitórias.   

Ao contrário das anteriores direcções, os actuais responsáveis da FAF ainda não  apareceram publicamente a “choramingar” por falta de dinheiro, embora a crise financeira seja uma realidade. Esse discurso de falta de recursos financeiros, foi prática recorrente dos  antecessores de Artur Almeida e Silva, mesmo em momento que agora percebermos que eram de fartura.

É bem verdade que nesta centena de dias decorridos, ainda não tiveram um teste sério, ou seja, jogos de carácter qualificativo, pois nenhuma selecção nacional (Sub-17, Sub-20 e Honras) entrou em competição neste aspecto ao longo destes dias. Porém, o facto de terem aproveitado da melhor forma a primeira Data FIFA do ano, é algo positivo. 

A postura do presidente e seus pares, até ao momento, é uma clara demonstração de que estavam cientes e preparados para o que iriam encontrar. Ainda assim, a situação se agravou, com a desistência de alguns patrocinadores.

Contudo, já provaram ter um certo jogo de cintura e visão futurista. O resto, cabe ao tempo dizer, até onde serão capazes de aguentar a pressão de participarem em todos as provas da CAF. Portanto, é um desafio, não apenas da direcção da federação, mas sim de todos que se identificam com as cores da bandeira nacional.

SELECCIONADOR NACIONAL
FAF junta o útil ao agradável


A forma brilhante como o elenco de Artur Almeida e Silva encontrou solução para contratar o actual seleccionador nacional, em tempo de contenção de gastos, é prova inequívoca do jogo de antecipação e  visão empresarial, utilizando a máxima de que "no aproveitar está o ganho". A parceria com a Sonangol, que culminou com a contratação do técnico Beto Bianchi, treinador do Petro de Luanda, para em regime acumulativo, orientar os Palancas Negras num período de dois anos, foi uma jogada de antecipação e estratégia bem pensada.

Artur Almeida e Silva não se emocionou, caiu na real e substituiu a anterior equipa técnica por outra, com o sentimento patriótico e consciente que a selecção está acima de qualquer interesse. Como escreveu o jornalista Vivaldo Eduardo, do Jornal de Angola,  “o historial de endividamento da federação, para com os treinadores, quando os contrata em “full time” deixa claro que seria insensato, voltar a optar por este caminho”. Portanto, a solução mais acertada foi esta.

Entre ficar a "pedinchar" ou aguardar pela cabimentação financeira e evitar mais um processo dos muitos que existem na FIFA contra à FAF, por incumprimento para com antigos ex-seleccionadores, será o mal menor.

“A direcção da FAF vai dar um bónus ao treinador durante a sua vigência nos Palancas Negras. Ainda não definimos o valor, mas posso vos adiantar que estamos a trabalhar neste assunto para honrar o acto patriótico que teve a direcção do Petro’’, esclareceu Tomás Faria, presidente dos petrolíferos.
A intenção é resgatar o prestígio do futebol angolano além-fronteiras e foi com este sentimento que Artur Almeida e Silva assumiu o risco, contratando um treinador que conhece e está por dentro do futebol angolano, suas qualidades, defeitos e dificuldades.                   
AJ

UÍGE E BENFICA DE LUANDA
Tragédia e desistência mancham mandato


Se a nível administrativo as coisas pareciam estar a correr dentro da normalidade, o mesmo não  pode dizer-se, em termos desportivos. Dois acontecimentos inesperados, abalaram a estrutura directiva da FAF, nos primeiros 100 dias de mandato. Em véspera da abertura da época 2017, a direcção de Artur de Almeida e Silva foi surpreendida com o comunicado do Benfica de Luanda a anunciar a sua desistência do Girabola Zap 2017, quando faltava uma semana do arranque da prova.

Embaraçada com a posição dos encarnados, que surpreendeu tudo e todos, a iniciativa de salvaguardar a verdade desportiva com a disputa de uma liguilha para encontrar o substituto da águia, não surtiu o efeito esperado, pois, as equipas repescadas declinaram o convite com a alegação de dificuldades financeira.

O 1º de Maio de Benguela já se preparava para a Segundona, fazendo jus a sua condição de proletário, "salvou" aquilo que era a primeira adversidade deste elenco, correu o risco, de pela primeira vez na sua história, haver um Campeonato Nacional da I divisão com  um número ímpar de equipas.

A Federação mal suspirou de alívio, por  conseguir à contento suprir a desistência do Benfica, apamhou um ‘murro no estômago’ com a tragédia no Estádio 4 de Janeiro, no jogo de baptismo da equipa de Santa Rita de Cássia do Uíge, frente ao Recreativo do Libolo, em que morreram 17 pessoas e 59 ficaram feridas, aquando da entrada para o recinto desportivo.

Nem a “padroeira” das causas impossíveis evitou a catástrofe que abalou o Mundo. Entre acusações de inocência, a FAF foi acusada de alguma irresponsabilidade, pelo facto dos seus técnicos terem aprovado o referido recinto, para albergar jogos de alta competição, quando a situação aconteceu fora do Estádio.

Os inquéritos instaurados, pouco ou nada, trouxeram de novo. Depois de muita expectativa em torno da divulgação dos resultados, a verdade é que algumas instituições e pessoas foram sacrificadas para salvaguardar a reputação e a imagem de outras.
 AJ

DEMISSÃO
Norberto de Castro “abandona o barco”

Artur de Almeida e Silva admitiu acolher os projectos de outros candidatos, “para tornar num só”, com vista a gestão do futebol durante o seu mandato que vai até 2020.

Quando menos se esperava, o novo presidente da Federação teve um revés, que por pouco não manchou a sua entrada triunfante na sede da FAF, se atender a diferença de votos entre os três candidatos.  

O pedido de demissão, apresentado por Norberto de Castro, um dos rostos visíveis na campanha, caiu como um "balde de gelo", por cima de Artur Almeida e Silva que se encontrava na altura a cumprir a primeira missão de serviço, no exterior do país, nas actuais funções.

A forma como o dirigente demissionário apresentou a sua petição, durante a ausência do responsável máximo, sem antes ter uma conversa a sós, mereceu várias reacções, umas mais ponderadas e outras nem tanto.

Contra todas as expectativas e alaridos, o presidente da FAF geriu com serenidade o processo, e sem muitas delongas, enquanto muitos anteviam que seria o início de uma derrocada, o assunto foi tratado com a maior simplicidade, e o pedido aceite.                          
AJ