Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Associao promote colaborar

12 de Fevereiro, 2017

Gestores do futebol solidarizam-se com as famlias dos 17 mortos e dos feridos de sexta-feira

Fotografia: Mavitidi Mulaza no Uge

O comunicado assinado pelo presidente de direcção, Agostinho Neves António, faz saber igualmente que os órgãos directivos da APF confiam plenamente nas instituições nacionais, por isso, tudo vão fazer para que os inquiridores não encontrem obstáculos durante o trabalho.

“A APF confia plenamente nas instituições que vão realizar o competente inquérito para averiguar as verdadeiras causas da tragédia que se abateu sobre o nosso futebol e, deste modo, responsabilizar os culpados. Com base nisso, colocamo-nos à disposição da equipa de inquérito para colaborar no que for necessário”, lê-se no documento.

A tristeza que se abateu sobre a província, segundo o comunicado, chocou não apenas a nação futebolística uigense, mas o país no geral, “pois o momento tão aguardado pelos adeptos locais, que esperavam que fosse somente de festa, acabou por se transformar em um dia de dor e luto”, por isso deve servir de reflexão.

“O momento que vivemos hoje não é para acusações, mas sim de reflexão sobre o sucedido, e que originou a morte de vários filhos da região e com muito por dar pelo país. Por isso, pedimos aos nossos filiados e a população do Uíge que se mantenham serenos e se solidarizem com todas as famílias que perderam um ente querido nessa tragédia”, informa o comunicado.

A APF do Uíge solidariza-se com as famílias enlutadas e com a direcção do clube Santa Rita de Cássia FC, em face ao momento doloroso que atravessam, pelas mortes ocorridas na sexta-feira última.


VÍTIMAS
Feridos relatam como aconteceu o acidente


As pessoas que presenciaram a ocorrência, sublinharam que, na tendência dos agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR) ordenar o acesso, quando já acontecia a correria, os primeiros a entrarem pararam com a marcha e os que vinham atrás os empurraram para o chão e os pisaram.
 
Sebastião Vuvu um dos feridos na tragédia, até agora internado no Hospital Geral do Uíge, devido à uma contusão na perna esquerda, afirmou que o número de pessoas que estava fora do estádio, enquanto já decorria a partida, era de mais e ânsia para ver o desenrolar da bola fez com que pressionassem o portão.

O mesmo revela que quando os agentes da polícia decidiram abrir o mesmo a população desatou em correria e que diante da algazarra, os agentes da Polícia Nacional tentaram travar os elementos da frente e os que então estavam atrás fizeram pressão, o que obrigou que muitos caíssem e outros passassem por cima, causando  ferimentos graves e asfixia às muitas pessoas, das quais algumas acabaram por perder a vida no local.

“Havia muita gente que pretendia entrar para o estádio. Já tinham comprado os ingressos e a autorização para ingressar no estava muito demorosa porque a polícia não facilitava. Faltou um controlo eficaz e má gestão do evento por parte dos responsáveis pela organização do mesmo, isto é, a direcção da APFU, da direcção do clube e excesso de zelo no asseguramento policial”, testemunhou a vítima.

Quando ocorreu o incidente, mais de sete mil pessoas acediam ao estádio.os de protecção

                                ANTÓNIO CAPITÃO |Uíge