Jornal dos Desportos

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Futebol

Beto Bianchi deixa Palancas

Paulo Caculo - 14 de Novembro, 2017

Beto deixa Seleco Nacional

Fotografia: Jornal dos Desportos/ Edies Novembro

Contrariedades com o plano estratégico orçamental do Petro de Luanda, em relação ao traçado inicial, estão entre as motivações do abandono de Beto Bianchi do comando técnico da selecção nacional de honras, soube-se ontem de Tomás Faria, presidente dos tricolores.

Segundo fez questão de esclarecer o "número um" da direcção do Petro, contrariamente ao que havia anunciado o clube, sobre a presença de Beto Bianchi no comando da selecção até ao final do CHAN, problemas com o orçamento e dificuldades de obtenção de divisas obrigam a interrupção do projecto.

"O nosso clube gostaria de manter o que havia informado publicamente, mas no momento em que tal pronunciamento foi feito, havia a expectativa de primeiro, termos o nosso orçamento mantido no mesmo nível que havia sido aprovado, o que não sucedeu  e, em segundo lugar, podermos ter acesso às divisas, para que a nossa equipa de futebol pudesse estagiar na mesma cidade em que a Selecção Nacional estaria a competir para o CHAN, no caso em Marrocos", disse.

O presidente do Petro recorda que quando durante a época de 2017, o clube decidiu, a pedido da FAF, ceder a sua equipa técnica "apenas" para conduzir os destinos da Selecção Nacional "AA" nas eliminatórias que teria pela frente no decorrer do ano, tinha ficado a promessa de que caso fosse conseguido o apuramento ao CHAN, "como forma de premiar os profissionais", os mesmos iriam conduzir os destinos da Selecção Nacional na fase final da competição africana e que terminada a participação angolana no CHAN, também terminaria o vínculo do treinador com a Federação Angolana de Futebol (FAF), passando a partir daquele momento "os nossos profissionais a trabalhar exclusivamente para o nosso clube".

"Dados os constrangimentos e após conversa com a FAF em que informamos a situação, cabe-nos aqui, publicamente informar que a nossa equipa técnica não irá conduzir os destinos da Selecção Nacional na fase final do CHAN de 2018 e termina, deste modo, o apoio que até ao momento a mesma deu à Federação de Futebol", afirmou Tomás Faria.

O líder dos tricolores enalteceu, a finalizar, a competência e o profissionalismo de Beto Bianchi e adjuntos, que conseguiram lograr os êxitos nas duas frentes em que estiveram envolvidos, nomeadamente na Selecção Nacional e no Petro de Luanda.

"Muitos não acreditavam, mas os resultados falam por si. Eles conseguiram apurar os Palancas Negras ao CHAN e melhoraram o desempenho da equipa de futebol em relação à época de 2016".


“Fui muito hostilizado
por estar na Selecção”


O hispano-brasileiro Beto Bianchi deplorou a forma como foi tratado durante o seu reinado à frente do comando técnico da Selecção Nacional. O treinador do Petro de Luanda mostrou-se visivelmente triste com a interrupção do seu projecto nos Palancas Negras e considerou ter sido vítima de uma "autêntica cabala".

"Fui várias vezes hostilizado, porque estava na Selecção e no Petro. Muitos achavam que a minha presença na selecção beneficiaria o Petro, quando pelo contrário, beneficiou outros clubes. O Petro nunca foi beneficiado pelo facto de eu estar na Selecção. O mais grave disso tudo e falta de ética foi ter visto colegas meus, treinadores a atacarem-me. Felizmente é uma minoria, porque a maioria apoiou a minha presença e o meu trabalho", disse.

Bianchi diz ter sofrido uma "suspensão forçada" em períodos que considera ter sido importante para os objectivos da equipa. Em face disso, admitiu que a ausência no banco da equipa prejudicou o grupo, porque "os jogadores já estavam habituados com a minha presença e pude sentir alguma influência nos jogos mais importantes do campeonato".

"Gostava de agradecer ao presidente Artur de Almeida,  ao vice-presidente Adão Costa e ao presidente Tomás Faria pela confiança ao meu trabalho, porque passamos por um período muito difícil, porque havia pressão interna e quero reconhecer este apoio e ficará para sempre presente na minha carreira", acrescentou.