Jornal dos Desportos

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Futebol

Bianchi confirmado nos Palancas

Paulo Caculo - 09 de Março, 2017

Beto Bianchi promete não defraudar com as expectativas

Fotografia: M.Machangongo

A direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF) confirmou ontem a contratação do hispano-brasileiro Beto Bianchi para assumir o cargo de seleccionador nacional dos Palancas Negras, devendo o vínculo durar, numa primeira fase, até o final das eliminatórias de apuramento ao Campeonato Africano das Nações de 2019, agendado para os Camarões.

Tal como anunciou o Jornal dos Desportos, em "primeira mão", na sua edição de 15 de Fevereiro passado, em manchete sob o título "Federação negoceia com Bianchi", os prognósticos em relação ao substituto de José Kilamba viriam a bater certo, com a confirmação feita por Artur Almeida e Silva, presidente de direcção da FAF, em conferência de imprensa realizada ontem, na sede da federação, na Urbanização Nova Vida.

"Não interessava se fosse um treinador estrangeiro ou nacional, mas o perfil que idealizamos para o seleccionador nacional, tendo em conta os objectivos que traçamos para a selecção a curto e médio prazos", apressou-se a justificar o responsável máximo da federação, na presença do seu vice-presidente para as selecções nacionais, Adão Costa.

"Assim será, daqui para frente, a nossa forma de estar. Se o perfil do treinador coincidir com o da federação, vamos a busca, seja na praça nacional ou internacional. Queremos o melhor para o futebol angolano. Vamos esperar para ver. Tenho a certeza de que todos teremos sucesso", acrescentou Artur Almeida e Silva.

O presidente da federação confessou, por outro lado, que a aposta num treinador a trabalhar em Angola deveu-se também à condição financeira que o órgão reitor do futebol atravessa. Sustentou, por isso, que o técnico Beto Bianchi continuará a ser um assalariado do Petro de Luanda, devendo receber da FAF apenas um bónus por aquilo que considera ser um "sentido patriótico" manifestado por um profissional estrangeiro.

"Devemos agradecer a direcção do Petro, pelo acto patriótico demonstrado. O técnico continuará a ser assalariado pelo Petro de Luanda e vai apenas colaborar com a federação. Mas também devemos agradecimento ao professor Bianchi pelo sentido patriótico", referiu.

Beto Bianchi vai trabalhar no Petro com uma equipa técnica composta por auxiliares seus no clube petrolífero, nomeadamente o angolano Flávio Amado, ex-avançado da selecção, que assume a função de técnico adjunto e os brasileiros Maurício e Adriano,  preparador físico e técnico de guarda-redes, respectivamente.

Um dos grandes objectivos da FAF, com a contratação de Beto Bianchi, segundo ainda o líder federativo, visa construir uma selecção que nos próximos dois a três anos esteja em condições de disputar a Taça das Nações ao nível das demais seleções africanas. Artur Almeida descartou, desde já, a qualificação imediata ao CAN de 2019, justificando não ser objectivo da federação trabalhar no imediatismo.

Beto Bianchi é o quarto brasileiro a orientar a selecção nacional e o 29º seleccionador dos Palancas, depois de Amílcar Silva, Domingos Inguila, Carlos Silva, Carlos Queirós, Arlindo Leitão, Oliveira Gonçalves, Mario Calado, Zeca Amaral, Mabi de Almeida, José Kilamba, Romeu Filemon, Carlos Alves, Lito Vidigal, Rui Clington, Chico Ventura, Joaquim Dinis (angolanos), Antonio Clemente, Djalma Cavalcanti, Ismael Kurtz (brasileiros), Professor Neca, Carlos Alhinho, Manuel José, Jesualdo Ferreira (portugueses), Herve Renard (francês), Skorik Vidik, Dusan Kondic (Europa do Leste), Gustavo Ferrin (uruguaio) e Ruben Garcia (argentino).

De resto, durante a mesma conferência de imprensa foi reiterada a aposta no técnico Simão Languinha, no comando da selecção de SUb-17, que se disputa no próximo mês de Abril. Na ocasião, Artur Almeida sublinhou a aposta depositada pela federação na jovem selecção, que considera ser o "esteio e grande viveiro dos Palancas".


COMANDO DA SELECÇÃO
Sotaque brasileiro
trás boas recordações

A selecção nacional volta a falar, pela quarta vez, com sotaque brasileiro, com a entrada em funções ontem, de Beto Bianchi. O novo seleccionador angolano vai remar ao encontro da história e da estatística, para fugir ao destino de Ismael Kurtz, até hoje, o mais fracassado dos treinadores oriundos do Brasil, com passagem pelos Palancas Negras.

Em 1988, o Petro de Luanda terminou o passeio, na primeira volta do Girabola com 12 vitórias consecutivas, em 1983, o 1º de Maio foi o primeiro a estabelecer a marca, que foram determinantes para António Clemente acumular funções nos tricolores, e na selecção.
A estreia, fora de portas de Clemente nos Palancas Negras, aconteceu no dia 22 de Junho de 1988 contra Moçambique. Os angolanos foram a casa alheia estragar a festa de independência aos Mambas, o avançado Mavó foi o marcador nos dois jogos que os angolanos venceram, por 1-0.

O consulado de António Clemente terminou antes de findar o ano de 1988, mas antes o técnico brasileiro ajudou a dar uma grande alegria aos adeptos da selecção, o apuramento para a fase de grupos da corrida ao Mundial Itália 90, foi a primeira em que a CAF adoptou este modelo.

O nulo na Cidadela no jogo com  o Sudão, parecia colocar em cheque as hipóteses de apuramento da selecção angolana. Os sudaneses, até jogaram pouco em Luanda, mas as bocas do seu treinador assustavam menos do que o seu guarda-redes, que até defendeu sem luvas.

A selecção angolana estava a minutos da eliminação, quando nos 6 minutos finais os avançados Viera Dias e Mavó, fizeram os golos que selaram o placar final em 2-1. Os Palancas Negras estrearam a fase de grupos do Itália 90, em Janeiro de 1989, mas sem António Clemente.

A humilhante derrota caseira de 2-0, com a desconhecida selecção das Ilhas Maurícias, 22 de Fevereiro de 1999, forçou o seleccionador Vesselin Vesco a demitir-se, logo a seguir ao inesperado desaire que atrasou os Palancas Negras, na corrida ao CAN 2000. A selecção estava a engatinhar, 3 pontos em 3 jogos, mas o brasileiro Djalma Cavalcanti aceitou o desafio de tentar o milagre na segunda volta do apuramento.

Os discursos de Djalma elevaram a confiança dos atletas do Girabola, porque o seleccionador baniu do balneário o termo profissional, que era aplicado aos jogadores da diáspora, mas o tratamento igual não impediu a equipa nacional de chegar ao CAN, um duro revés para quem vinha de duas presenças consecutivas, 1996, África do Sul, e 1998, Burkina Faso.

A cotação de Djalma Cavalcanti subiu drasticamente, quando ele limpou o balneário nacional, além de prescindir dos profissionais atletas da diáspora, ele também lançou algumas promessas que até hoje são referências recentes do futebol angolano, os médios Gilberto e Mendonça, são bons exemplos.

O resgate do orgulho da selecção acabou por ser feita, na regional Taça Cosafa, só com a prata da casa, a selecção angolana foi a Windhoek defender o magro 1-0, na segunda mão da final da prova. Os namibianos forçaram o prolongamento, mas a estrela de Djalma brilhou quando Zico fez o golo da primeira grande conquista da história dos Palancas Negras.

O excelente currículo com que Ismael Kurtz chegou a Angola, minimizou a saída de Mário Calado, o técnico angolano  ganhou a Taça Cosafa, mas teve de contentar-se como técnico -adjunto do renomado Ismael Kurtz, cuja estreia com derrota fora de portas, 2-1, aconteceu contra o Malawi, 18 de Maio de 2002.

Quem se apressou a julgar o brasileiro, pela excelente folha de serviço, não precisou de muito tempo para mudar de ideias, ao ver os fracassos sucessivos dos Palancas Negras na Cosafa, e no apuramento ao CAN 2004.

A maneira trágica, como a selecção deixou cair o passe para o Tunísia 2004, é das páginas mais agridoces da história do nosso futebol.
Contra todas as previsões, Angola foi a Nigéria abrir uma vantagem de 2-0, o apuramento estava visível até o inesquecível drama dos instantes finais, que permitiram as Super Águias chegar ao empate, lágrimas cobriram o rosto dos atletas, dirigentes e adeptos.

O fim inglório dos Palancas Negras, na corrida ao CAN 2004, nem por isso fez a Federação perder a fé em Ismael Kurtz, mas bastou a CAF inovar com a inédita dupla corrida ao CAN e Mundial 2006, para o treinador brasileiro ver o chão fugir-lhe dos pés,  num abrir e fechar de olhos.

A preliminar de acesso à fase de grupos até parecia fácil, porque o Tchad aparentava ser um bombo de festas para Angola. O comprometedor 3-1, na primeira mão, provocou um choque geral, mas revelou ser um mal que veio por bem, porque Kurtz foi demitido de imediato, o comando técnico foi entregue de maneira interina, ao angolano Oliveira Gonçalves, que a 16 de Novembro de 2003 começou a escrever o percurso mais longo, cheio de êxitos e saudades, que Beto Bianchi, agora, tem a missão de  resgatar.
BETUMELEANO FERRÃO


SUB-17
Palanquinhas perdem amistoso


A Selecção Nacional de Futebol de Sub-17 perdeu ontem, o jogo com a equipa  júnior do 1º de Agosto,  por 1-0, no primeiro  encontro de preparação, com vista à participação na  fase final do Campeonato Africano das Nações da categoria, a realizar-se no Gabão, de 21 Maio a 4 Junho de 2017.

 Embora o resultado não estivesse  em causa, o técnico  Simão Coxe " Languinha" garantiu  que a equipa  esteve  bem . " Para o primeiro teste,  foi um bom jogo, pois,  enfrentamos uma equipa que nos criou muitos problemas defensivos, uma  equipa com muita mobilidade, bem estruturada.  Conseguimos  linhas  de passes  e criar várias situações. Era o nosso objectivo" assegurou .

Os palanquinhas  aproveitaram o treino, para ensaiar a estratégia exercitada  nas cinco primeiras sessões. Ontem, estiveram em acção os 23 jogadores,  nomeadamente, Job Kamalandua e Nsesani Simão (1º de Agosto) e Evaristo Saquilombo, (AFA).

 Aldamiro da Silva (1º de Agosto), Capitão José, Miguel Daniel e Ramiro Paulo (AFA); Euclides dos Santos (Petro de Luanda); Bengino Benjamin (ASA) e Moisés Amor (Académica do Lobito).

 Benedito Vissoco, Orlando Secali, Fiete dos Santos, Abílio Contreiras, Fernando Duarte e Fausto Ngumba (1º de Agosto); Pedro Agostinho (Petro de Luanda); Camilo Ngongue (Académica do Lobito); Cláudio Viegas (Progresso do Sambizanga) e Armando Santos (Domant) , Melondo Dala, Jelson Mivó (1º de Agosto) e Francisco Chilumbo (Académica do Lobito).A equipa  técnica  foi interventiva , em corrigir  sempre o posicionamento  dos jogadores  em campo. E, ainda  em relação ao jogo, o técnico Simaõ Languinha  disse que "tivemos boa qualidade de jogo, um futebol apoiado,  penso que tirámos boa ilação, pois, só temos cinco treinos e foi bom"  .

Quanto à estratégia aplicada no jogo com os militares,  o técnico dos palanquinhas foi claro.  "Precisamos de ter  qualidade  nos três  sectores,   vamos  corrigir  algumas  situações  como a tomada  de posição na hora do passe,  mudança  do lado  do jogo, retenção de bola. São fundamentos  que vamos ter de aprimorar", disse o técnico Simão Coxe .
VALÓDIA KAMBATA