Jornal dos Desportos

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Futebol

Bolo reduzido afasta APF da FAF

Betumeleano Ferro - 21 de Dezembro, 2017

Associaes Provinciais consideram migalhas a verba proposta pelo elenco de Artur de Almeida

Fotografia: Paulo Mulaza|Edies Novembro

A verba de pouco mais de 60 mil Kwanzas mês que a Federação Angolana de Futebol (FAF) quer atribuir às Associações Provinciais da modalidade (APF), foi a razão para a falta de consenso entre a Federação e os filiados durante a Assembleia Geral, apurou o Jornal dos Desportos de uma fonte ligada às Associações.
O orçamento da Federação para 2018 prevê uma verba anual de 800 mil Kwanzas para cada um dos 18 filiados, mas a fonte assegurou que essa quantia foi considerada insignificante para os anseios dos associados. Um dos argumento de recusa, é que a FAF por ser membro da Confederação Africana de Futebol (CAF) e da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) recebe contrapartidas financeiras, esse extra entendem os associados que também devia acrescentar ao que é dado às Associações.
De modo similar, os filiados pretendem que a Federação reveja os critérios que são utilizados para determinar o valor anual reservado. Mesmo com os apertos do actual tempo, as Associações continuam a achar que ainda há dinheiro suficiente para dividir o bem e o mal pelas aldeias, sendo o motivo por que razão o orçamento foi aprovado com emendas, todavia, Cabinda votou contra.
A questão torna a ser discutida em Março de 2018, o nosso diário apurou que há esperanças de que as partes cheguem a acordo no tocante à questão do dinheiro a atribuir. A justificativa é que o consenso é capaz de acabar com o aparente mal-estar que existe entre a Federação e as Associações, pois, os filiados acham que se a FAF não tem muito para dar, então, devia diminuir na cobrança.
As divergências levantadas por causa do dinheiro, acabaram por suscitar outras questões que à seu tempo podem testar a relação entre a Federação e as Associações provinciais. O elenco de Artur de Almeida está perto de  completar o primeiro ano de mandato, mas os filiados querem que as promessas eleitorais se  realizem o mais rápido possível.
Todas as entrevistas que os membros da Federação deram aos jornalistas, antes, durante e depois da Assembleia Geral foram pacíficas, mas o nosso Jornal apurou que muita roupa suja foi lavada à porta fechada, várias foram as Associações Provinciais que acham haver intenção da FAF em dificultar a discussão dos temas.
Por exemplo, antes do início da Assembleia Geral a FAF repetiu que enviou com antecedência necessária aos filiados todos os documentos a serem analisados. Algumas Associações dizem que aconteceu o inverso, a convocatória chegou sem nenhum documento, apenas depois de passar certo tempo é que a Federação enviou o que faltava, situação que impediu quem queria contribuir, ter de ficar limitado na hora das discussões.
\"Os consumidores das nossas decisões são os clubes, pois nós enquanto APF, só existimos porque os clubes existem. Pela forma como nos fizeram chegar os documentos, não conseguimos trabalhar com os nossos filiados , por isso, pedimos que nos sejam enviada a documentação com antecedência, porque as decisões devem ser partilhadas por todos os fazedores do futebol, principalmente os clubes, porque sem eles não há APF e sem estas APF não há Federação!, disse uma das fontes por nós contactadas depois da Assembleia Geral.


FERNANDO  BARBOSA
Director-geral
do 1º de Agosto elogia FAF


O director-geral do Clube Desportivo 1º de Agosto, Fernando Barbosa, enalteceu na segunda-feira em Luanda as decisões saídas da Assembleia Geral da Federação Angolana de Futebol (FAF).
Em declarações a Angop, depois da reunião orientada pelo presidente da Mesa da Assembleia geral, Mota Liz, o responsável mostrou-se satisfeito com a iniciativa da instituição desportiva de observar atentamente os seus parceiros, e chegar-se a um consenso uniforme de interesses comuns.
“Penso, que saímos daqui com a sensação do dever cumprido, tanto as Associações, como os clubes, que a cada ano lutam para o melhoramento da modalidade”, sublinhou o dirigente do grémio militar.
Quando ao primeiro desafio com o Progresso do Sambizanga, que marca o destaque da jornada inaugural do Girabola Zap 2018, o dirigente disse que a sua formação pretende competir em todas provas com um único objectivo que é a vitória,  independentemente do adversário.
“Sabemos que não será fácil, como nunca foi, entretanto, estamos a trabalhar no sentido de colmatar as eventuais falhas.” disse.
O responsável anunciou que para além da revalidação do título, o clube tem como meta vencer a Supertaça e Taça de Angola, esta última que não vence há oito anos, para além do tri -campeonato.


PRÉMIOS DE ARBITRAGEM
Clubes rejeitam proposta do Conselho Central


A questão das arbitragens no Campeonato Nacional da Primeira Divisão, Girabola Zap, a partir da próxima época foi o tema que mereceu mais atenção e acesa discussão entre a direcção do Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA) e os clubes, durante a Assembleia Geral Ordinária da FAF realizada na segunda-feira, na  Vila Turística KDS, em Kicuxi, Viana.
Inserido no ponto de diversos da ordem de trabalhos, a princípio tudo apontava que o assunto fosse debatido em Março de 2018, altura em que vai ser apreciado o relatório e contas da FAF do exercício económico de 2017 - de Janeiro a Novembro.
Todavia, como uma das componentes essenciais para a realização do Girabola Zap, chegou-se a entendimento entre os presentes não fazer sentido discutir-se uma causa intrinsecamente inseparável do campeonato.
Os presentes chegaram a consenso de que o assunto devia merecer a devida discussão na altura, porque se o campeonato arranca a 9 de Fevereiro, constituía uma incongruência discutir a questão da arbitragem um mês depois.
O diferendo que parecia um assunto a resolúvel em poucos minutos, acabou por consumir boa parte do tempo, em função das acusações do lado do Conselho Central de Árbitros, na pessoa do seu presidente, Jorge Mário Fernandes, e os clubes enquanto principais lesados.
Neste ponto, o presidente do CCAFAF defendeu uma variedade de pontos de vista, inclusive apresentou uma proposta de aumento dos valores de pagamento às arbitragens.
\"Peço aqui a compreensão dos clubes, para que no próximo Girabola as equipas aumentem mais dez mil kwanzas aos prémios das arbitragens, porque os valores que são pagos até hoje  vigoram há mais de dez anos\", solicitou o dirigente máximo do Conselho de Árbitros de Futebol.
Jorge Mário Fernandes defendeu ainda, que os pagamentos dos referidos prémios fossem aprovados antes do início dos jogos, ao invés do inverso como é hábito, mas tal ponto de vista não mereceu total aprovação dos clubes.
Os prémios pagos actualmente às equipas de arbitragem por jogo, são os seguintes: Comissários (Akz 65.000,00), árbitro principal (60.000,00), arbitro assistente (55.000,00) e 4º árbitro (Akz 50.000,00).
Outro assunto, que também teve muita discussão foi relativo aos custos inerentes ao Girabola Zap, assim como a forma encontrada pela Zap para o pagamento dos jogos, em que os presentes defendiam que tais valores fossem extensivos à todas as equipas, na proporção da respectiva classificação, porque ninguém paga menos que os outros ao longo do campeonato, no que está legalmente estatuído.
AUGUSTO PANZO