Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Cabinda do Maiombe e do petrleo

Joaquim Suami - 10 de Janeiro, 2010

Provncia de Cabinda, sede do grupo B

Fotografia: Jornal dos Desportos

A província de Cabinda, sede do grupo B (Costa do Marfim, Burkina-Faso, Ghana e Togo) do Campeonato Africano das Nações de Futebol Orange-Angola 2010, é rica em agricultura, petróleo, gás natural e madeira, com uma extensa floresta tropical e húmida classificada como a segunda maior floresta do Mundo, depois da Amazónia no Brasil.
A província de Cabinda, a mais a Norte do país, tem uma área de 7.270 Km2 e possui quatro municípios - Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize. Tem como língua tradicional o Fiote ou Ibinda.
Cabinda é banhada pelo oceano Atlântico e limita-se a Norte e Nordeste com as Repúblicas do Congo Brazaville e Democrática do Congo, e está separada da capital do país, Luanda, num raio de 480 kms.
Dada a sua proximidade com o Equador, o seu clima é tropical húmido, com uma média de precipitação anual de 100 mm e humidade relativa de 85 por cento. O valor máximo das temperaturas é de 30ºC no mês de Março e as baixas acontecem em Julho, atingindo os 17ºC, sendo a média de temperaturas anuais para Cabinda é de 24ºC.

Povo afável

Cabinda tem como seu mais precioso património a afabilidade e simpatia dos seus habitantes, compostos por Macongos, Mangoios e Maloangos que aí se concentram. Todos falam, entendem e manifestam as suas tradições, usos e costumes na mesma língua (Ibinda ou Fiote).
O Tchizo, onde os Bacama são destemidos artistas e fortemente seguidores de ritos da ancestralidade, é o berço da cultura da região. Nos Bacama, é habitual o uso de máscaras (Mabobolo, Mampana, Chilamba, Matona, Mambuambo, Vanga Nsi, Ntendequele, entre outras.
O canto e a dança são outras formas de expressão cultural da população de Cabinda, servindo também para educar e alertar a sociedade sobre qualquer situação e exprimir vários sentimentos, usando como instrumentos o Ngonje, Ngoma, Ndungu, Mbaka e Libu. Os principais tipos de dança são o Mayeye, Matafala, Matchatcha, Maringa e Sunsa.
Existe entre o povo de Cabinda um ritual muito propalado, o Tchicumbi, acto que simboliza a autorização ou a liberdade de uma mulher dar início ao namoro, quando atinge os 15 anos. 
Cabinda tem um número de habitantes estimado em mais de 500 mil pessoas. A principal actividade do povo de Cabinda é a agricultura, pescas e caça. Os principais produtos cultivados são a mandioca, banana e café.
Tem como áreas históricas e turísticas Simbulamuco e Chinfuca, locais que marcam a assinatura de protocolos e declarações da chegada dos portugueses e os reinos de Loango e Makongo, visando a autorização desses (portugueses) a estada ou permanência nessas localidades.

Estádio
do Chiazi


O Estádio do Chiazi situa-se a oito quilómetros a norte da cidade de Cabinda. Com uma arquitectura arrojada e uma cobertura ondulada a lembrar as ondas do mar da província cabindense, banhada pelo oceano Atlântico, o recinto tem todas as características para ser classificado como um dos mais belos da CAN'2010. Possui 20 mil lugares, distribuídos por dois anéis, onde existem zonas super VIP e VIP, com 323 lugares, 31 camarotes com 604 lugares, um posto policial, uma sala de conferências, uma sala de imprensa, 128 lugares e rampas para deficientes físicos. A construtora seleccionada para a empreitada foi a China Jiangsu International..

Petróleo e desenvolvimento

Conhecida pelas enormes jazidas de petróleo que possui, Cabinda tem uma produção global acima de um milhão de barris/dia, além de outras grandes quantidades de gás natural e liquefeito. O ouro, o fosfato, o manganésio e outros minerais são outros recursos por explorar, que se encontram em prospecção.
A província possui um porto com capacidade para atracagem de navios de médio porte, que transportam mercadorias contentorizadas e não só.
A indústria está representada em grandes manufacturas, como a da transformação da madeira, fabrico de telhas e tijolos, água mineral, cerveja e mobiliário.
Em anos anteriores, a província de Cabinda conheceu níveis satisfatórios na educação, saúde e desportos, com infra-estruturas que garantem uma oferta condigna às populações da província.
O ensino superior ganhou terreno na região com a existência das Universidades Lusíadas, 11 de Novembro, Upra e Aberta. 
Os hospitais de referência, maternidades e centros infantis são igualmente apostas sérias do Governo, que hoje garante melhores serviços de saúde às populações em todo a extensão da província.
Cabinda já acolheu vários campeonatos africanos de basquetebol e andebol, em ambos os sexos, bem como de clubes, além de torneios internacionais de andebol, com a participação de equipas do continente africano e europeu, tudo fruto das infra-estruturas desportivas com condições dignas.
Possui estádios e pavilhões com capacidade para acolher eventos internacionais. Na próxima edição do Girabola, Cabinda vai estar representada pelas formações do Sporting Clube Petróleos e do FC de Cabinda.
A província tem-se desenvolvido no aspecto habitacional, tanto na cidade de Cabinda, quanto nos demais municípios. Possui infra-estruturas hoteleiras de referência.
A cidade de Cabinda tem como principais centros ou locais turísticos, o embarque de escravos de Chinfuca, Gruta de Malembo, Igreja Católica Nossa Senhora Rainha do Mundo, Igreja Católica Imaculada Conceição, Cemitério dos Nobres, Cemitério dos Franques, Igreja Evangelica Ntendequele, Centro Turistico de Mbande, Largo Pedro Benge, Largo Deolinda Rodrigues, Largo Missão Catolica, Parque Infantil, Zona Paisagística de Yema e Zona Paisagística do Yabi,