Jornal dos Desportos

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Futebol

Camares procuram revalidao do ttulo

13 de Junho, 2019

O Ghana , sem dvida, um senhor do futebol africano, que vai desembarcar no Egipto com o nico objectivo de fazer frente aos demais concorrentes.

Fotografia: AFP

A selecção do Ghana é, claramente, das mais consagradas do futebol africano, e que se vai apresentar no Egipto na condição de forte candidata ao título, como de resto sempre o fez. Com a Costa do Marfim vai, certamente, travar uma batalha de gigantes, pela primeira vaga do Grupo F. Os Black Star têm na prova africana uma história que não pode ser  resumida, mas escrita em largas parangonas. Para que se saiba, foram os primeiros papões ou dominadores do torneio. Quando, em 1982, a prova se disputou na Líbia, o Ghana conquistou o seu quarto título, numa época em que todas as outras somavam apenas um.
A sua primeira consagração remonta do ano de 1963, em casa, e voltou a bisar a façanha na edição seguinte na Tunísia.
Depois de uma década de jejum, viria a organizar a prova em 1978, chegando ao tri-campeonato, numa clara demonstração da força do seu futebol. No CAN '82 conquistou o tetra, que ostenta até hoje, quase volvidos 40 anos.
Ainda assim, não se pode dizer que o seu futebol tenha regredido, porque continua a ser a selecção africana mais temível, bastando olhar para o gráfico de resultados que consegue, quer em campeonatos do mundo, quer em campeonatos africanos. A sua prestação jamais passou despercebida.
De resto, todos vimos esta selecção a disputar uma renhida final com o Egipto no Estádio 11 de Novembro, quando em 2010 o nosso país chamou a si a organização do torneio, feito  que tratou de repetir na Guiné Equatorial, em 2015, em que viria a perder com a Costa  do Marfim, por 9-8 (aos penáltis).
O Ghana é, sem dúvida, um senhor do futebol africano, que vai desembarcar no Egipto com o único objectivo de fazer frente aos demais concorrentes e tentar quebrar um jejum que perdura desde 1982, o que acaba por ser inconcebível, se olharmos pela qualidade de jogadores, de diferentes gerações, que serviram a equipa nas últimas décadas. Pode ser que seja desta vez.

BENN
Condenado pelo capricho do sorteio


A Selecção, beninense apelidada de Les Écureiuls (Os Esquilos), vai marcar a sua quarta presença em fases finais do Campeonato Africano das Nações. Chamou-se selecção de Daomé até 1975, quando Daomé mudou de nome para Benim. Ela nunca chegou a uma Copa do Mundo, mas esteve em três edições da Copa das Nações Africanas das Nações - 2004, 2008 e 2010.
Em Fevereiro de 2010, após a Copa das Nações Africanas, em Angola, a Federação Beninense de Futebol, o técnico Henri Dussuyer e sua equipa, foram demitidos por completo, e a selecção passou por algumas dificuldades, que não permitiram a sua qualificação para as edições que se seguiram. Houve necessidade de se fazer uma forte revolução, para se arrumar a selecção que foi capaz de assegurar a presença ao Egipto.
O Benin é uma selecção sem grandes pergaminhos a nível do futebol continental, não sendo nenhum desatino afirmar, que chega a ser a mais fraca da sua região, olhando para o potencial dos outros países vizinhos, como Costa do Marfim, Ghana, Burkina Faso e Togo. Mas isto não faz dele presa fácil. Se chegou à fase final, foi porque soube mostrar alguma valentia.
Seja como for, as probabilidades de passar aos oitavos-de-final são um pouco remotas, por ter no grupo poderosos como Ghana e Camarões, conhecidos pela qualidade do seu futebol e, mais do que isso, pela determinação quando entendem correr atrás dos seus objectivos. Mas, a condição de se ter de repescar os quatro terceiros melhor classificados, pode abrir para si uma janela de esperança.
m.a

Campeão
de fato
 e gravata


Os Camarões chegam ao Egipto de fato e gravata na condição de campeões em título, e,  por esta  via, declarado candidato à sua revalidação. Apesar de contrariado, pelo facto de ter sido forçado a passar para o Egipto o torneio que, à partida, estava a ser organizado por si, é, ainda assim, das equipas que prometem encantar.
A Selecção camaronesa é uma das melhores da África, com reconhecimento internacional. Muitos dos seus jogadores estão espalhados pelo mundo e encantam, nos estádios, os espectadores com a sua habilidade e alegria em jogar. Depois do Egipto é a selecção mais titulada, com cinco edições conquistadas.
Na prova que arranca dentro de dias, vai com a missão de tentar lutar para a sexta consagração, sendo, aliás, na condição de detentor do título a sua obrigação jogar pela revalidação. É certo que em dois anos muita coisa acontece, devendo, quiçá, não se apresentar ao mesmo nível da edição passada, em que foi, realmente, um "leão indomável".
À partida, no grupo apenas o Ghana lhe poderá fazer frente, sendo que os outros concorrentes estão ao seu alcance, em função, sobretudo do desnível de forças existente. Mesmo que no futebol as surpresas existam, é pouco crível que guineenses e beninenses lhe venham a fazer sombra e colocar nuvens no seu caminho.
É, desde já um potencial candidato à passagem para os oitavos-de-final, onde deve começar a traçar os caminhos que lhe poderão levar à conquista da meta definida, que não será outra, senão da revalidação do título. Aguardemos...

GUINÉ BISSAU
Em português nos entendemos melhor


Depois de Angola, Guiné Bissau é outra selecção falante da língua portuguesa no campeonato. Os Djurtus disputam o seu segundo campeonato, depois da estreia em 2017, no Gabão. Trata-se de uma selecção sem jogadores de renome internacional, sendo que os mais conhecidos jogam em equipas médias e de pequeno porte da ex-metrópole Portugal.
Os seus resultados mais expressivos, em registo, são da Copa Amílcar Cabral, onde obtém um vice-campeonato, que remonta de 1983. Em Abril de 2016, a selecção guineense atingiu a sua melhor classificação no Ranking Mundial da FIFA, chegando à 102ª posição. Tal como o Benin, espera-se da Guiné Bissau várias dificuldades.
Como já o dissemos, ghanenses e camaroneses dificilmente vão conceder facilidades aos outros parceiros de grupo, fazendo-se valer do seu forte potencial. Mas, pode ser que estejamos enganados nestas projecções, acabando depois por vermos os Djurtus a agigantarem-se, deixando pelo caminho os chamados "colossos" da bola africana.
A direcção da Federação Guineense de Futebol tem ambições, não sendo sem razão que a equipa cumpre estágio em Portugal, onde realizou um jogo amistoso com Angola, pelo menos num ambiente de trabalho melhor em relação aos Palancas Negras. Pelo menos, consta que cada jogador convocado embolsou 15 mil dólares. Isto pode ser sinal de um bom desempenho na prova.