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Futebol

Caminhada para a final comea dia 2

Betumeleano Ferro - 24 de Setembro, 2018

Militares voltam a defrontar os tunisinos 20 anos depois da final da extinta Taa dos Vencedores das Taas Africanas

Fotografia: Santos Pedro| Edies Novembro

O 1º de Agosto e o Esperance de Tunis começam a disputar a 2 de Outubro no 11 de Novembro, em Luanda, um dos dois passes da final da Champions. Mais do que uma eliminatória decisiva, as duas equipas vão recuar a Outubro de 1998, quando ambas souberam que teriam um duelo a duas mãos pelo troféu da Taça dos Vencedores das Taças, já extinta, que terminou com festa tunisina na Cidadela.
Ao contrário do passado, agora vai ser a vez dos militares serem os anfitriões na primeira mão, ao passo que os mkachkha, um dos epítetos do Esperance, o outro é taraji, vão jogar em casa no que se espera que venha a ser o embate que vai definir quem vai à final.
As semelhanças entre o passado e o presente são muitas, o desempenho dos dois contendores nesta edição da Champions é quase parecido. Quer o 1º de Agosto, quer o Esperance de Tunis, terminaram a fase de grupos em segundo lugar, ambos jogaram em casa na primeira mão dos quartos-de-final, pelo que tiveram de ir a casa alheia arrancar à ferros a qualificação, embora tenham sido os militares quem mais tiveram de fazer pela vida, 0-0 em Luanda e 1-1 no reduto do TP Mazembe, ao passo que os mkachkha aplicaram dose dupla ao Étoile, adversário do D´Agosto na fase de grupos, por 2-1 e 1-0.
Assim como há 20 anos, o 1º de Agosto e o Esperance, cujo nome nasceu por ter sido fundado no Café de L\'Esperance, têm planteis formados com muitos atletas nacionais, embora os estrangeiros também tenham o seu espaço cativo, mas os tunisinos são quase uma multinacional com estrangeiros provenientes da Suíça, Benin, Costa do Marfim, Camarões, Nigéria e Argélia.
As décadas se passaram, mas os adeptos das duas equipas ainda têm motivos para pensar no desfecho ocorrido no longínquo 6 de Dezembro de 1998, pois o que aconteceu na Cidadela acabou por ser determinante para a história africana dos dois clubes. Enquanto o 1º de Agosto ambicionava experimentar pela primeira vez a glória africana, o Esperance ansiava conquistar o único troféu continental que lhe faltava, a Taça dos Vencedores das Taças.
Os tunisinos vieram a Luanda com uma vantagem de dois golos, 3-1 na primeira mão, mas com um desempenho intermitente nos jogos extramuros. Já os militares estavam com aproveitamento de 100 por cento na Cidadela com números impressionantes, 17 golos marcados e nenhum sofrido em 4 jogos.
A primeira mão em Tunis, foi no dia 21 de Novembro de 1998, até começou bem para o 1º de Agosto, o capitão Muanza Teka abriu o marcador no 1´, mas antes do intervalo Jaidi, aos 6´ e Hamrouni aos 45´ de penálti fizeram os golos da reviravolta, ao passo que Laaroussi, aos 56´, fez o 3-1 final, que ainda assim dava esperança aos militares.
A Cidadela encheu para testemunhar o que iria ser inédito para a história de um dos contendores, o 1º de Agosto saiu outra vez a frente com o golo de Nsilulu, 42´, aos 48´ Gabsi foi expulso e os militares ficaram com mais um em campo e quase sentenciaram o jogo quando beneficiaram de uma grande penalidade, que até hoje ainda dá o que falar entre os adeptos do D´Agosto.
O jogo estava a caminhar para o seu final, por isso a Cidadela ficou em silêncio e na expectativa para ver o confronto entre o médio Assis e o guarda-redes El Ouaer. A estrela tunisina brilhou ao defender o penálti, mas o golpe de misericórdia chegou aos 87´, quando Melliti fez o 1-1, curiosamente o único empate que as duas equipas tiveram na competição, porém, foi suficiente para o Esperance orientado por Youssef Zouaoui frustrar pelo segundo ano seguido o sonho africano dos angolanos, pois em 1997 conquistou a Taça CAF à custa do Petro de Luanda, mas 1998 foi mais marcante porque foi a melhor ocasião em que a coroa continental esteve perto de ficar em Angola.