Jornal dos Desportos

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Futebol

Campo do So Paulo clama por socorro

Avelino Umba - 04 de Outubro, 2011

Estdio do So Paulo est entregue sua sorte

Fotografia: Jornal dos Desportos

O estádio do São Paulo, em Luanda, tem vindo a degradar-se em várias áreas por falta de manutenção. Fissuras em algumas bancadas, relva seca, capim, e animais presentes em todos o lado, a qualquer hora constituem o actual cenário daquele espaço que, no passado, recebeu emocionantes jogos de futebol do Provincial de Luanda, da Segundona, das Velhas Guardas, do Girabaiorro e do Girabola. O estádio, com capacidade para cinco mil espectadores, tem nove torres de iluminação, bancadas e outras áreas, incluindo um reservatório de água de 30 mil litros para regar a relva. Além do campo principal, tem um para treinos.

Actualmente só recebe jogos dos escalões juvenis e, algumas vezes, das Velhas Guardas, com o perigo de provocar lesões devido ao estado dos campos e da relva.Há apelos constantes dos homens do futebol às entidades responsáveis para salvarem o estádio, mas as respostas tardam a chegar. A maior pressão nesse sentido aconteceu antes de Janeiro de 2010, altura em que Angola acolheu o CAN.

Populares insatisfeitos
com toda a degradação

Alguns populares que frequentam o Estádio do São Paulo, ouvidos pelo Jornal dos Desportos, afirmaram estar preocupados com o actual estado do estádio.Beto Kiala, 44 anos, residente na B-7, a escassos metros do estádio, disse desconhecer as razões que levaram ao abandono do espaço, o que provocou a sua degradação.

“Não sei, em concreto, de quem é a responsabilidade, se do Ministério, se da administração municipal, mas a verdade é que o campo está votado ao abandono total”, lamentou.Há uma empresa chinesa, referiu, que há três anos instalou um estaleiro no local para restauração do campo, mas sem qualquer resultado.

“Sei que estiveram chineses e outros estrangeiros a tentar arranjar o estádio, mas só lá está o estaleiro, sem sequer um saco de cimento. As instâncias superiores devem dar uma explicação sobre o motivo desta situação”, afirmou.Pedro Pi, morador no bairro da Madeira, arredores do Jumbo, frequenta o estádio, onde muitos meninos se concentram para jogar à bola e falar de futebol.

 “Antigamente, havia mais pessoas a frequentarem o estádio para verem os treinos e alguns desafios de determinadas provas” referiu.O campo, como está, serve é para provocar lesões, frisou, apelando a quem de direito que, o mais breve possível, faça alguma coisa para alterar as condições em que se encontra o estádio.

Mário de Almeida, 24 anos, residente no Nelito Soares, lamentou que o estádio esteja completamente abandonado e degradado, passando a ser “um autêntico parque de viaturas e de outras coisas mais”. “É triste vermos esta situação, é um estádio que conheço desde criança. Aprendi lá muita coisa e fiz amizades. Devia ser aproveitado, pois “pode ser um grande pólo de desenvolvimento desportivo” para alguns bairros periféricos de Luanda”, disse.  

Ti Lino conta toda
a história do campo


Manuel Ndisso, ou Ti Tino, como é carinhosamente tratado, 76 anos, residente, desde 1956, no bloco 7, adjacente ao estádio, recordou que o bairro onde está o campo foi entregue aos tocoistas desalojados da lagoa onde se encontra a Cidadela Desportiva devido a infiltrações nos prédios.

Na década de 1950, disse, foram construídos os blocos do bairro dos Congoleses para serem alojados os populares saídos da zona da lagoa. O futebol, na altura, era jogado com muita frequência, pois os residentes tinham uma equipa de futebol, o FC Congolenses e Benfica.

Com a transferência para a nova área habitacional, declarou Ti Lino, os populares pediram à administração local que lhes cedesse um campo no sítio onde mais tarde foi feito Estádio do São Paulo.Ele, que era o capitão de equipa, e tantos outros arregaçaram as mangas e, num sábado à noite, em 1957, limparam o espaço, pois havia um jogo marcado para o dia seguinte.

Criadas todas as outras condições, frisou, o campo ficou pronto e recebeu jogos até 1963.Nesse ano, a então Associação Distrital de Futebol de Luanda convidou algumas equipas dos musseques para uma reunião, cujo objectivo era saber que quantidade de campos havia nos subúrbios.

 Numa reunião posterior, a Associação propôs a realização de um campeonato, com a promessa de melhorar as condições dos campos existentes nos musseques, entre os quais o actual São Paulo, o Catetão, o ex-Icolo e Bengo, no Rangel, ao lado da estação dos Caminhos-de-Ferro, onde jogavam, entre outras, as equipas do Sporting do Rangel e dos Lusitanos. O São Paulo foi escolho para acolher o Torneio Popular e o campo foi vedado com luandos.