Jornal dos Desportos

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Futebol

CAN de 2010 em Angola pode custar USD 300 milhes ao Estado

Antnio Flix - 28 de Julho, 2009

O Conselho de Ministros, órgão colegial do Governo, e a Assembleia Nacional, certamente terão ainda que se debruçar sobre o pacote financeiro para a maior cimeira do futebol africano que Angola acolherá dentro de quatro anos, na medida em que o orçamento merece discussão e aprovação, mas fontes da Confederação Africana de Futebol ligadas ao dossiê, confidenciaram à reportagem do Jornal dos Desportos, no Cairo, que o caderno de encargos que deu entrada no gabinete de projectos desta instituição está avaliado em cerca de 300 milhões de dólares.

Em “off the record” – porque não falou de modo institucional - o tesoureiro da CAF, o senhor Fahmy Mustapha, disse ao jornalista que costuma ser este o valor que a instituição governada pelo camaronês Issa Hayatou exige aos países candidatos, seja de forma singular ou conjunta, como foi o caso do Gabão e Guiné Equatorial que se uniram para, na eventualidade de ganharem, repartirem as despesas orçamentais do CAN.

O interlocutor recordou que Moçambique, antes de em Maio ter sido afastado da “corrida” tal como a Namíbia e Zimbabwe, tinha aprovado um orçamento de 100 milhões de dólares, verba que a julgar pelo orçamento exigido pela CAF é como uma “gota de água no oceano”, não bastando para as encomendas de um CAN. 
Como adiantamos na edição passada, a CAF nessas ocasiões chega mesmo a bater a porta de instituições de foro mundial – como Banco Mundial, Fundo Monetário, União Africana e outros - que têm sempre uma palavra a dizer sobre a estabilidade ou instabilidade política e económica de um dado país, como foi o caso do Zimbabwe que com a sua política de reforma agrária, muito voltada contra os fazendeiros brancos, não passou no “exame” .

De resto recapitulando ainda a vitória lograda na segunda-feira, há que dizer que não foi fácil a Angola, levar a melhor sobre a Nigéria e Líbia, uma vez que à “última da hora” a Guiné Equatorial e o Gabão decidiram apoiar a candidatura angolana.

Sulemanu Habuba, chefe do gabinete de imprensa da CAF, num “ rendez-vous” ( entenda-se, conversa) mantida com o enviado do JD, no Hotel Marriot, segredou que quando em Janeiro deste ano o presidente da Federação Angolana de Futebol, Justino Fernandes, apresentou ao presidente da Confederação Africana de Futebol, Issa Hayatou, a candidatura de Angola, para a organização da 27º Taça de África das Nações de 2010, o número um do organismo reitor do futebol continental disse ao homem forte do futebol angolano: “oferecemo-vos ( a Angola) a organização do CAN de 2008 e vocês recusaram, agora vão ter de enfrentar a concorrência”.

O CAN de 2008 é o que terá lugar no Ghana, para o qual o anterior elenco federativo, liderado por Justino Fernandes , até tinha pretensão de concorrer, desejo superiormente inviabilizado pelo Governo que, antes da conquista da paz consideraram e achavam que havia outras prioridades.

Diante desta reprovação, restava então o CAN de 2010 a que também disputavam, desde o início, a Namíbia, Zimbabwe, Moçambique, Marrocos, Argélia, Líbia, Nigéria, Gabão e Guiné Equatorial. E desta fez, já com o beneplácito do Governo, a Federação Angolana de Futebol (FAF) preencheu o caderno de encargos e o apresentou.

É que sem o envolvimento do Governo - uma exigência da Confederação Africana de Futebol (CAF) sem o qual as candidaturas dos países pretendentes não são aceites - a Federação Angolana de Futebol ficaria sem garantia para concorrer.

E se concorreu é porque Angola sabia que tinha largas possibilidades de organizar o CAN de 2010, sobretudo, pelo facto de nunca o ter feito, pois, a CAF em primeira linha dá prioridades aos países que participam pela primeira vez, avaliando obviamente as suas potencialidades económica, política e social.

Quando dizemos que Angola estava segura na vitória, não significa que as favas estavam contadas. Nada disso. A Nigéria, Líbia, Gabão e Guiné Equatorial, como fizemos alusão na nossa edição de segunda-feira, também estavam animadas, estavam optimistas na escolha.

Até porque quando a comissão de inspecção saiu de Angola nada disse se a eleição de Angola era um facto consumado, a não ser a boa impressão com que ficou das províncias visitadas, suas infra-estruturas e contactos que tiveram. A Huíla, com o clima que lhe é peculiar, foi a que mais “electrizou” os visitantes.