Jornal dos Desportos

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Futebol

Capita reintegra seleco de sub-17 aps polmica

Paulo Caculo - 12 de Outubro, 2019

Camisola 7 dos Palanquinhas vai jogar no Campeonato do Mundo de Sub-17

Fotografia: A.Narciso

A integração do avançado Osvaldo Pedro Capembe "Capita" nos trabalhos da Selecção Nacional de futebol de Sub-17, que decorre em Goiânia, representa a principal novidade na preparação do combinado nacional, com vista a disputa do Campeonato do Mundo da categoria, de 25 do corrente a 17 de Novembro, na República Federativa do Brasil.
O jovem internacional angolano, 17 anos, melhor marcador do último Campeonato Africano (CAN) que se realizou na Tanzânia, recebeu autorização da Federação Angolana de Futebol (FAF) para viajar e juntar-se ao grupo na cidade brasileira de Goiânia, palco do curto estágio pré-competitivo dos Palanquinhas, antes da viagem à Brasília, sede do grupo A, de disputa do Mundial.
A viagem do jogador acontece na sequência de uma polémica, que envolveu o 1º de Agosto, clube que detém os direitos de formação de Capita e vetou a viagem do atleta ao Brasil, com a comitiva da selecção, sob alegação de questões de indisciplina. Na ocasião, Carlos Hendrick, presidente do 1º de Agosto, justificou à imprensa que o jogador foi castigado a não jogar no Campeonato do Mundo, por ter falhado com o clube.
"É um mau exemplo para os colegas que estão na academia. O Capita é um indivíduo que foi trabalhado para ser disciplinado. Não treina há quatro três meses e não joga, não tem condições para estar na selecção", disse.
O impedimento do jogador, convocado pelo seleccionador Pedro Gonçalves, motivou uma reacção da ministra da Juventude e Desportos que afirmou ter sido apanhada de surpresa, já que apesar de ter tomado conhecimento da intenção do 1º de Agosto inviabilizar a viagem do atleta, assegurou que tinha exarado um despacho a autorizar o embarque de Capita.
"A nossa decisão é que em Angola, a criança e os adolescentes são prioridade absoluta e tendo a Federação um despacho de missão de saída para o exterior do país, relacionada a Selecção Nacional, competia à Federação pôr o jogador no avião. A Federação, com o despacho do Ministério, devia colocar o jogador no avião. Ninguém pode «matar» a carreira do atleta", afirmou a ministra.
Ultrapassada a celeuma, pelo menos ao nível da Selecção, a FAF deixou claro, através de um comunicado de imprensa distribuído aos órgãos de comunicação social, que assume a responsabilidade, enquanto órgão reitor do futebol em Angola e leva o atleta ao Mundial nesta condição.
"A FAF trabalha na recuperação psicológica do atleta, está em permanente contacto com a família, de forma a garantir a sua estabilidade emocional", lê-se ainda no documento.
Recorde-se, que Capita,  a par de Zito Luvumbo, é uma das principais referências da actual selecção de Sub-17, foi o melhor marcador do último CAN, disputado em Abril último, na Tanzânia, com quatro golos.
O jogador enfrenta um diferendo com a direcção do Clube Desportivo 1º de Agosto, que levou o clube militar a instaurar  processo disciplinar, alegadamente, por estar a forçar a transferência para o futebol europeu.

CAPITA
“Estou de cabeça erguida”


O avançado Osvaldo Pedro Capemba "Capita" assegurou estar, agora, apenas concentrado para fazer uma boa campanha no Campeonato do Mundo de futebol da categoria de Sub-17, depois do momento tumultuoso que viveu, na quarta-feira, em que chegou a ser impedido de viajar para Goiânia, Brasil, onde a Selecção Nacional realiza um curto estágio para o mundial.
O goleador do último CAN da categoria, que se disputou em Abril, na Tanzânia, avançou durante uma entrevista à Rádio Cinco, que tem o foco virado para o Brasil, onde a partir do dia 26, às 20h00 locais (00h00 em Angola), diante da Nova Zelândia, a Selecção Nacional inicia a campanha no mundial Sub-17.
"O meu foco agora é o Brasil. Prometo dar o meu máximo e esquecer  o que se passou. Estou de cabeça erguida, o que aconteceu é uma página virada, vou procurar fazer o meu trabalho,  para ver se no jogo com a Nova Zelândia, consiguimos os 3 pontos", disse.
O goleador Capita disse estar feliz com a forma como foi recebido pelos seus colegas da Selecção Nacional. Segundo ele, estava errado à respeito dos mesmos, pois, quando se apresentou ao grupo, foi muito bem recebido, por isso, acabou por chorar.
"Estou muito feliz por regressar ao grupo. Até chorei. São irmãos (colegas da selecção). Pensei que eles não se preocupassem comigo. Daqui pra frente é só trabalhar. Há união no grupo", disse. 
Capita agradeceu a intervenção e o apoio da ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto, assim como dos familiares e amigos,  e prometeu acatar os conselhos que recebeu.
"Quero agradecer a sra. ministra (da Juventude e Desportivos) por intervir na situação. Recebi conselhos, como um filho,  prometemos um bom empenho. Estou de cabeça erguida. Agradeço muito o apoio dos meus pais, irmãos, amigos, a imprensa, pois, todos ajudaram o Capita a voltar", sentenciou.                              PEDRO AUGUSTO